E se Chael Sonnen vencer no sábado?

Renato Rebelo | 22/04/2013 às 23:00

No auge da guerra verbal que precedeu Anderson Silva x Chael Sonnen II, este jornalista metido a besta que vos fala esteve em Nova York e pôde bater um papo com Renzo Gracie.

Levando em conta a influência do filho de Seu Robson no mundo do MMA, perguntei se ele conhecia o “Gangster de West Linn, Oregon”.

Pra minha surpresa, a resposta foi a seguinte:

Conheço e digo que se trata de um cara extremamente educado, respeitoso e inteligente. No meio dessa loucura toda, ele me ligou perguntando se estava ofendendo minha família e, se eu dissesse que sim, ele pararia.

Fiquei encucado. Afinal, apesar de curtir a retórica do americano, alguns excessos me incomodavam bastante. Por exemplo:

Wanderlei Silva: “Se não fosse por americanos como eu, você estaria pela selva com uma zarabatana caçando seu almoço ou então estaria vendendo churrasco de macaco nas ruas de Manaus”.

Minotauro e Minotouro: “Ganhar uma faixa-preta dos irmãos Nogueira é a mesma coisa que receber um brinquedo grátis no McLanche Feliz. Um é um saco de pancadas velho e o outro apenas ignoro”.

Brasil: “Saudações de São Paulo. Já estou aprendendo a língua. A dança das Paraolimpíadas se chama capoeira e cocaína se chama brunch (lanche entre o café da manhã e o almoço)”.

Anderson Silva: “Vou invadir sua casa, dar um tapa na bunda de sua mulher e mandar ela me fazer um bife mal passado”.

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Sonnen e seu cinturão falso

Como um rapaz distinto pode ser capaz de cuspir tanta sandice? Seria um caso de bipolaridade aguda?

Adiantando um pouco a fita, chegamos à 17ª temporada do “Ultimate Fighter”.

Quem assistiu todos os episódios testemunhou simplesmente um dos melhores treinadores (se não o melhor) de todas as edições.

No estilo paizão, Sonnen se dedicou ao jovem grupo e conseguiu aliar trabalho duro com injeções motivacionais constantes.

O time “Darkside” decolou e Uriah Hall e Kevin Gastelum, seus pupilos, foram à final do programa.

Jon Jones, inimigo número 1 do momento, foi tratado com cordialidade britânica até o fim das gravações…

…Para, logo em seguida, ser atacado novamente: “Vou pisoteá-lo”.

“Captei vossa mensagem”, diria Rolando Lero, personagem de Rogério Cardoso na Escolinha do Professor Raimundo.

O malandro tem um botãozinho subcutâneo que liga/desliga o alterego.

Atacar a tudo e a todos é prática realizada apenas de segunda a sexta em horário comercial.

Muitas vezes o pessoal o confunde. O cara é só um personagem. Na frente das câmeras é uma coisa, fora é outra – disse Vinny Pezão, meio-pesado do UFC e companheiro de treinos de Sonnen, à Tatame.

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A paciência acabou de um lado

Agora, se por um lado o gogó lhe rendeu fama e fortuna, por outro, colocou um abacaxi de 1,93m de altura e 2,15m de envergadura em suas mãos.

Sou daqueles que julgam mais fácil girafas criarem asas ou o Criciúma ser campeão brasileiro invicto em 2013 do que o nota 7 Sonnen manter o fora de série Jones com as costas no chão por 25 minutos e vencer via ground and pound.

Não é a toa que se trata da maior zebra em disputas de cinturão desde Matt Serra.

Mas, pera aí. O anãozinho descendente de italianos não nocauteou o indestrutível GSP?

Sim, amigos. Impossível é nada (manda uma cascalho aí, Adidas!).

“Bones” pode acordar com diarreia triplamente qualificada ou até mesmo torcer o joelho no vestiário durante o aquecimento – à la Charles do Bronx.

Caso o “Sobrenatural de Almeida” de Nelson Rodrigues opere no UFC 159, quem sabe, com alguns ajustes, não teremos uma reedição divertida de Luis II, da Baviera – conhecido historicamente como “Rei Louco”?

Negue o quanto quiser, mas dentro, lá no fundinho, quem não quer ver o circo pegar fogo?

Abraços.

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