UFC on Fox 7: quatro excelentes pratos de entrada

Renato Rebelo | 19/04/2013 às 19:36

Que o campeão dos leves e o ultimo detentor do cinturão da categoria no Strikeforce colidirão sábado à noite todo mundo já sabe.

Inclusive, este humilde site já consultou nomes fortes da imprensa especializada para dar o veredicto sobre o acerto de contas.

Mas seria esse o único trunfo do UFC on Fox 7, Renato?

Aí, entro eu com aquele discurso pró-Combate que faz parecer que entra um cascalho do canal na minha conta furtiva nas Ilhas Cayman.

Como sou escorregadio à la Paulo Maluf, é melhor nos atermos ao tópico.

Afinal, teremos outros pontos altos no HP Pavilion além de Bendo x El Niño:

Nate Diaz x Josh Thompson

Acho o irmão mais novo de Nick tão duro, mas tão duro que confesso ter perdido uma graninha em sua última apresentação. As surras impostas a Jim Miller e Donald Cerrone me hipnotizaram e acabei fazendo vista grossa para o fato de Bendo ter no bolso (ou no palitinho de dente) o antidoto para seu jogo. Como Rory MacDonald e Dong Hyun Kim já haviam nos ensinado em 2011, o wrestling, meio-campo do MMA, é uma grande e gorda kriptonita para o faixa-preta de Cesar Gracie. E a força do “Punk” da AKA não está exatamente nesse setor. Thompson é completinho: vidro elétrico, trava automatica, direção hidráulica, ar condicionado… Mas também não é cracaço em nada. Difícil ver Nathan perdendo essa em casa.

 

Frank Mir x Daniel Cormier

Depois de escalavrar Antônio Pezão e Josh Barnett no GP do Strikeforce, o “Fedor Negro” finalmente atravessou a ponte – e com suntuosidade. Na encarada da coletiva de imprensa fez cara de mau e pressionou Mir: “Você está com grandes, grandes problemas”. Sabendo que a força do estreante é verdadeira, o faixa-preta de Sergio Penha abandonou o conforto de sua base, em Las Vegas, e se internou no arenoso Novo México com Andrei Arlovski, Jon Jones, Greg Jackson e cia. “Sinto por ele ser o primeiro a enfrentar um Frank Mir totalmente em forma”. Ja sabem: dois pesadões latindo é sinônimo de luta curta. Mesmo favorito, Cormier não tem moleza em canto algum. Pra fazer a mão de marmita valer, tem que vazar envergadura superior. Se quiser apostar no wrestling olímpico, precisa se defender da guarda venenosa do ex-campeão. Tempo ruim o tempo todo, como diria Wallid Ismail.

 

Francis Carmont x Lorenz Larkin

Aqui temos duas feras que ainda estão fora do radar da maioria dos fãs, mas podem se tornar nomes interessantíssimos na corrida pelo ouro a médio-longo prazo (no mundo pós-Anderson Silva). Larkin, sósia de Carlton Banks, tem passado no boxe amador, está invicto em 13 lutas de MMA e foi descrito pelo exagerado Scott Coker, ex-patrão, como “provavelmente o striker mais perigoso do mundo”. Já o francês Carmont, que é companheiro de GSP na Tristar Gym e vem de nove triunfos (quatro no UFC), bate direitinho e curte um agarra-agarra. Quem vencer, belisca o top 10.

 

Hugo Wolverine x T.J. Dillashaw

Para o espectador desatento, o cidadão que perdeu para Rony Jason na primeira edição do TUF Brasil e bateu John Macapá de forma sonolenta no UFC 147 e o assassino que quase arrancou a cabeça de Reuben Duran no TUF 16 Finale não são a mesma pessoa. Se foi melhora técnica ou uma simples adaptação ao maior evento do mundo não sei, mas a evolução de Wolverine dentro da jaula é uma grata surpresa. Agora, para se manter na coluna da esquerda, o baiano da Champions terá que escalar uma montanha gelada e traiçoeira chamada T.J. Dillashaw. O americano é um Alpha Male típico, da mesma linhagem dos mais badalados Urijah Faber e Chad Mendes. Eficiente, ágil, potente, mão dura, derruba bem… Em pé, o fisioterapeuta está em casa com o boxe de Luis Dórea e a faixa-preta de tae kwon do. Agora, no chão pode ser amassado. E surgem duas perguntas: como anda a defesa de quedas? Se cair, levanta? Desafio ingrato a essa altura, mas dá pra fazer uma fezinha.

Abraços.

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