Injeção de realidade: MMA ainda não é global

Renato Rebelo | 17/04/2013 às 15:17

Faixada do “Strikers” (foto da internet)

O Sexto Round andou com o freio de mão puxado na última semana por uma causa nobre: férias deste capial que vos fala.

Tive que aproveitar a oportunidade, meus amigos, afinal, as estrelas se alinharam: folga da patroa + aniversário de 26 anos.

A digníssima, que ficou encarregada de farejar um destino BBB (bom, bonito e barato), propôs aproveitarmos promoção de um obscuro site de compras coletivas.

E assim terminamos na República Dominicana.

Parte interna do bar (foto da internet)

Pois bem, já estabelecido no paraíso de águas claras, jogos de azar e atividades noturnas empolgantes, o que o doente resolve fazer sábado à noite?

Caçar um local para assistir o TUF 17 Finale, claro.

No resort, o “Strikers” – bar esportivo- apareceu como salvador da pátria.

Cheguei no recinto na hora exata do início do card principal e, para minha surpresa, nenhuma das sete TVs transmitiam a pancadaria.

Basquete, baseball e campeonato espanhol de futebol ocupavam duas cada e um programa à la “Cops” – com batidas de carros e perseguições policiais – era exibido na última.

Ah, Renato, mas a América Central não é parâmetro para o consumo de MMA!

Sim, mas, digo, sem medo de errar, que 80% dos presentes eram americanos, canadenses ou europeus com idades entre 20 e 30 anos (exatamente nosso público alvo).

Fui atrás do gerente, peguei o malandro pela unha e supliquei, em portunhol medíocre, por algum canal com UFC. Afinal, o diabético precisava de sua insulina.

NBC! Basquetebol! – respondeu o bigodudo apontando para uma das TVs.

Apelei para a mímica universal da luta, levantando a guarda e desferindo um jab no ar.

Ele coçou a cabeça e foi consultar um colega.

Quando voltou, trouxe consigo um controle remoto para substituiu a reprise do glorioso clássico Rayo Vallecano x Real Sociedad pela esquecida Fox Deportes.

Vois lá: Napão adentrava o cage.

Assim que Browne trapaceou, digo, nocauteou, saltou na tela figura conhecidíssima.

Tratava-se de um comentarista alto de orelhas protuberantes vestindo um belo terno.

Apesar de ser gaúcho, o cara falava espanhol fluente – forjado em inúmeras viagens a Madrid, local de trabalho da mãe.

Alguém arrisca um palpite?

Bom, no meio da guerra entre Miesha Tate e Cat Zingano reparei que era o único cristão que lançava olhares sobre aquele televisor. Nem os ingleses mamados me acompanhavam…

Me senti como um gringo assistindo partida de críquete em Copacabana.

Confesso que a falta de quórum me incomodou, afinal, não seria esse o esporte que mais cresce no mundo?

Mas a verdade é que nosso grau de fanatismo ainda não foi equiparado em outros cantos.

As coisas estão loucas no Brasil, cara. O negócio por lá pegou fogo e eles estão se tornando o mercado mais importante para nós. É capaz do Lorenzo (Fertitta) ter que comprar um apartamento por lá em 2013 – disse Dana White há alguns meses.

Analisando friamente, nem no próprio Estados Unidos o MMA é totalmente legalizado.

Em Nova York, Connecticut e West Virginia, por exemplo, a lei proibe a realização de eventos. Por aqui, governos municipais injetam verba pública para garanti-los.

Na França também nada de octógono.

Outras potencias mundiais como Inglaterra, Índia, Alemanha, Itália, Espanha, China e Rússia, liberam, no entanto, não há acordos televisivos amplos e satisfatórios como o que o UFC tem com a Rede Globo no Brasil – fato que torna o processo de massificação do nosso melhor produto muito mais lento.

Ainda estamos começando nossa caminhada. Os próximos anos serão insanos. Tenho convicção que podemos nos tornar o maior esporte do mundo – disse o careca em outra ocasião.

Em suma, o MMA está longe de ser adulto. Está mais para um adolescente púbere.

Para que locais remotos como o “Strikers” estejam abarrotados de maníacos como nós, muita água ainda tem que passar por debaixo da ponte.

A paciência é amarga, mas seu fruto é doce – Jean-Jacques Rousseau.

Abraços.

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