Viscardi Andrade e a popularidade do vilão

Renato Rebelo | 08/04/2013 às 18:34

Mario Yamasaki levantando o braço de Viscardi

Logo após anotar o nocaute mais importante de sua vida, Viscardi Andrade não segurou as emoções e provocou, com o dedo em riste, Rodrigo Minotauro – técnico da equipe rival e mentor do derrotado Thiago Jambo.

O episódio TUF Brasil de ontem terminou cerca de 00h15. Quando fui dormir, por volta de 02h15, o nome do paulista ainda perambulava nos “trending topics” do Twitter.

A afronta a um dos maiores ícones do MMA brasileiro havia acabado de criar um apedrejamento virtual daqueles.

À la Marco Feliciano, o faixa-preta da Gracie Fusion ocupou o posto de vilão nacional por alguns instantes.

Desafios mis, homens de cabelos brancos incitando violência contra o cara, membros da imprensa tomando partido e até “spoilers” sobre seu futuro na competição podiam ser lidos por olhos mais atentos.

Em meio de um mar de “moleques” e “playboys”, poucos sequer acertavam seu nome. Visconde pra lá, Riscardi pra cá…

E esse, meus amigos, foi o pano de fundo para 9 pontos de audiência no Ibope. Ou seja, quase 600 mil lares sintonizados na Globo.

Se o (Marco) Feliciano tiver menos de 400 mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome. Quero agradecer ao movimento gay. Quanto mais tempo perderem com o Feliciano, maior será a bancada evangélica em 2014 – disse o também pastor Silas Malafaia à Folha de São Paulo no fim de semana.

A rotulação de malfeitor pelo instinto coletivo pode acabar sendo bastante bem-vinda.

Achei que um certo “Gangster de West Linn” já havia provado que popularidade e boa imagem não são necessariamente sinônimos.

Mocinho ou bandido, a verdade é que Viscardi acaba de se tornar personagem-central de um arrasa-quarteirão que é transmitido pela quarta maior rede de televisão do mundo aos domingos.

Quanto ao momento da discórdia, me reservo ao direito de não fazer um julgamento moral.

Como já disse por aqui, não acredito em imparcialidade e a análise completa, incluindo todas as ações que levaram a essa reação admitidamente errônea, poderia ser influenciada, mesmo que de forma sutil, por experiências pessoais minhas com alguns dos interlocutores.

Seguindo a caminhada, temos nessa segunda temporada promessas de emoções à flor da pele, personalidades reveladas e fraquezas expostas.

Um reality show em que os participantes agregam valor com seu trabalho e, surpreendentemente, agem como seres humanos pode, definitivamente, cravar o MMA no coração do brasileiro comum?

Besouro, Iriê, Tiago Alves, Ponzinibbio, Patolino, Viscardi, Leo Santos, David Vieira e cia. responderão essa pergunta nas próximas semanas.

Abraços.

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