O que pensar sobre a pegadinha do Wand?

Renato Rebelo | 02/04/2013 às 18:16

Provavelmente nunca veremos essa aqui

Ontem à noite me encontrava escrevendo um textinho intitulado “Wanderlei Silva: valentia que dá gosto”.

Nele, citava até meu maior ídolo no esporte, Muhammad Ali, que se tornou um ícone por emergir na adversidade.

Afinal, as maiores façanhas do menino negro de Louisville, Kentucky, foram contra adversários maiores, mais fortes e favoritíssimos nas bolsas de apostas.

Arrumar as malas e pegar o avião para a Suécia com o intuito de sair na mão com um porradeiro do calibre de Gerard Mousassi é atitude que pouquíssimas criaturas na Via Láctea teriam.

Sim, beira o irracional, sai muito da curva. Mas quem disse que o “piá” cabeludo criado na periferia de Curitiba nasceu pra acompanhar a boiada?

Por mais que as chances de ter o braço levantado fossem mais finas que linha de pesca, um capricho dos Deuses catapultaria o preço das ações de um “Cachorro Louco” em fim de carreira.

Uma derrota, por outro lado, não arranharia tanto a lataria…

Enquanto viajava na maionese no Word 2007, alguma entidade soprou no meu ouvido que, uma vez que não havia palavra oficial do UFC e estávamos no dia primeiro de abril, era prudente deixar para concluir o texto nesta terça-feira.

E não deu outra. A voz do além estava certa.

Mousassi não curtiu muito a brincadeira…

Com as mãos arqueadas à la Sérgio Mallandro, Wand anunciou no Instagram que tudo não passava de uma anedota.

Como não minto pra vocês, confesso: fiquei puto.

Havia criado grande expectativa.

O café continental aqui em casa para acompanhá-lo a partir das 11h da matina de sábado já estava planejado.

Logo pensei: “O que ele ganhou com isso”?

Não foi apenas uma frase solta no Twitter, meus amigos, foram entrevistas para veículos sérios como UOL, SporTV.com e Tatame garantindo que substituiria o baleado Alexander Gustafsson.

Ou seja, pra sustentar uma piadinha, ludibriou aqueles que propagam suas palavras pra milhares de fãs que o tem como um exemplo de coragem, idoneidade e respeito.

Mas, como sempre, fiz minha peregrinação pela web em busca de opiniões contrárias às minhas.

E fui desarmando aos poucos.

Pensando bem, o cara é um gente como a gente e tem todo o direito de se divertir.

Críticos sisudos que levam tudo a ferro e fogo – como eu estava sendo – são exatamente os que tiram a conotação de entretenimento do esporte e o transformam em algo mais sério do que deveria ser.

De verdade, não quero me tornar um desses paladinos da moral e dos bons costumes – até por que meu teto é de vidro e não sou exemplo de nada.

Então, no final das contas, apesar de não ter soluçado em risadas, levei na esportiva.

Agora, duvido que os suecos que pagaram caro por um ingresso para ver o ídolo nacional em ação e vão acabar engolindo a seco Ryan Couture x Ross Pearson na luta principal, também estão levando na esportiva.

ATUALIZAÇÃO: para evitar o cancelamento do evento, o UFC anunciou que Ilir Latifi (7v e 2d), atleta local e companheiro de treinos de Gustafsson, matou o abacaxi no peito e vai pra guerra contra Mousassi no sábado.

Abraços.

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