Ufa! Nick Diaz não é campeão do maior evento do mundo

Renato Rebelo | 20/03/2013 às 00:30

Frank Shamrock ficando no “vácuo”

Sou um cara que tem pouquíssimos ídolos na vida.

Confesso a vocês que não consigo desvincular o ser humano do profissional.

O trabalho pode me encantar, mas uma atitude escrota e pronto: aversão.

No MMA mesmo já deixei de ser fã de muita gente boa depois de uma simples entrevista.

Minha mãe, psicóloga, há anos tenta suavizar tal intransigência descabida.

Afinal, somos todos imperfeitos. Se vasculhar, ninguém é são.

Pois bem, incoerente, me peguei socando o sofá logo após um takedown de GSP no último sábado.

Ué, Renato, torcendo pro espalha brasa?

Engraçado, não? No texto “Três motivos para não perder o UFC 158” falei sobre o “encrenqueiro hipnotizante”.

Nick Diaz porta personalidade tão incomum que, amando ou odiando, é difícil manter-se alheio ao seu carisma.

Até que uma pá de causos me fizeram parar para refletir. Vamos a eles:

– Mentalidade de gangue: Nick é o cérebro por trás de confusões como a “junta” a Jason Miller no Strikeforce e as “tretas” de sua equipe com os simpáticos Bráulio Estima e Mike Ricci nos bastidores do UFC 158. Colecionar desafetos é quase um objetivo. Diego Sanchez, Joe Riggs e K.J. Noons que o digam.

– Gosto pela ilegalidade: desrespeito a leis antidrogas, declarações públicas sobre não pagamento de impostos…

– Falta de profissionalismo: total desobediência a ordens dadas por aqueles que o pagam. Não há compromisso firme com esse cidadão.

– Desrespeito a colegas: a forma como xinga e ataca outros profissionais chega a um ponto constrangedor e desnecessário. Três palavrões a cada cinco palavras, dedos médios sempre em riste e o melhor estilo “foda-se o mundo”.

Apesar das emoções, procuro encarar o MMA com leveza. É entretenimento, oras.

Não sou um daqueles chatos politicamente corretos que reclamam de cada vírgula fora do script.

Pelo contrário, pra mim, arranca-rabos e “trash talks” marotos trazem um temperinho especial.

Agora, como irmão de um menino de oito anos que começa a se interessar por artes marciais, preciso ter uma mentalidade mais paternalista.

Afinal, que tipo de referência quero para o pequeno João?

Além do mais, tais características citadas acima não falam à minha personalidade.

De repente, a torcida por Nick simbolizava uma vontade de ver o circo pegar fogo, a chegada de novo campeão, quem sabe…

Segundo Dana White, os números do UFC 158 são estrondosos. Alguns especialistas estipulam de 800 mil a 1 milhão de pacotes pay per views vendidos.

Mas a pergunta é sempre a mesma: a que custo?

Vale sempre lembrar de Chael Sonnen, sucesso de audiência atacando o Brasil, a esposa e a masculinidade de Anderson Silva.

Sei que somos atraidos por uma “baixaria”, mas, de tempos em tempos, torna-se necessária uma reflexão para que estejamos sempre mais próximos da evolução do que do caos.

Imaginem se Nick Diaz se torna meu campeão no sábado e cai no exame antidoping em seguida? Pode acontecer, cara. Ele é diferente, não está nem aí para nada. Não cumpre o que pedimos, usa drogas ilegais. Eu sabia onde estava me metendo antes de marcar essa luta. Agora, não tenho o que fazer – disse o presidente do UFC antes do evento.

Abraços.

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