Será que veremos o jiu-jítsu de Cigano contra Hunt?

Renato Rebelo | 23/05/2013 às 23:12

E lá se vai o maxilar de Struve…

A trajetória profissional de Mark Hunt é digna de filme hollywoodiano.

Tudo começou com uma briga do lado de fora de uma boate em Auckland, Nova Zelândia.

O gordinho desengonçado, aparentemente inofensivo, “tretou” com um grupo de rapazes e derrubou um a um com mata-cobras violentos.

Chocado com a mão de adamantium daquele vigoroso porradeiro, Sam Masters, um dos seguranças da casa, o convenceu a treinar kickboxing.

E aí, meus amigos, a história tá na boca do povo.

Em 2001, Hunt meteu o pé na porta do K-1 World GP e atropelou os badalados Jerome LeBanner, Stefan Leko e Francisco Filho para se tornar o primeiro não-europeu a faturar a competição.

Em seguida, de olho em cheques mais polpudos, imitou o rival Mirko Cro Cop – que já era sucesso no Pride– e migrou para o MMA.

Mesmo semi-leigo em lutas agarradas, teve ascensão meteórica (cinco vitórias nas primeiras seis lutas).

Todavia, foi só bater de frente com oposição graúda para cair em desgraça.

De julho de 2006 a maio de 2009, cinco derrotas vexaminosas: todas finalizações ainda no primeiro round.

Cotado apenas para “freakshows”, o “Super Samoan” pensou seriamente em pendurar as luvinhas… até que uma brecha contratual salvou sua carreira.

Com a compra do Pride, o UFC herdou todos os documentos assinados entre atletas e o saudoso evento japonês.

Assim, Hunt, que tinha mais duas apresentações previstas por contrato, migraria automaticamente para a promoção americana (como os caras do Strikeforce fizeram recentemente).

Acontece que Dana White, ciente do rendimento pífio do neozelandês nos últimos anos, bateu o pé.

Para não tê-lo no octógono, o careca ofertou: te pago o valor de duas bolsas e encerramos o acordo.

O bravo veterano recusou. Ele queria sair na mão por aquela grana.

Eu respeito muito esse cara. Eu ia pagá-lo para que fosse embora, mas ele não quis – disse o manda-chuva.

Pois bem, o medianíssimo Sean McCorkle foi escalado para fazer as honras da casa. E novo achincalhamento: armlock no primeiro minuto.

Parecia que a intuição do patrão estava certa.

Chris Tuchscherer seria, então, o tiro de misericórdia do Ultimate no corpanzil roliço.

E aí a gira girou.

Nosso sobrevivente nocauteou o companheiro de equipe de Brock Lesnar e, em seguida, despachou os famosinhos Ben Rothwell e Cheik Kongo.

Por último, quebrou o maxilar de Stefan Struve, o Professor Girafales holandês.

Agora, com nova lesão do homem-hepatite Alistair Overeem, Hunt está agendado para dançar tango com o desafiante número um da categoria, o ex-campeão Júnior Cigano.

Os dois se encontram no hoje, em Las Vegas.

E lá, contra o stryker mais venenoso que já enfrentou, o brasileiro poderá optar por dois caminhos distintos.

Júnior no dia em que recebeu a faixa

Como disse acima, o jogo agarrado de Hunt é um grande e gordo calcanhar de Aquiles.

Quem assistiu sua última luta e lembra das derrotas para Yoshida, McCorkle, Overeem e Mousassi deve ter em mente a combinação wrestling inexistente + jiu-jítsu rudimentar.

Por outro lado, sua patada é capaz de derrubar um rinoceronte de meia-idade.

Mas, o forte de Dos Santos não é o boxe?

É sim. O catarinense de Caçador realmente porta mãos mais habilidosas e refinadas.

Ele usa melhor as combinações, é mais rápido, tem movimento de cabeça e pés superiores e ainda goza de envergadura maior.

Agora, um deslize, um golpezinho mal calculado ou uma afobação qualquer pode significar blackout para Júnior.

É como se, em uma viagem, você pudesse optar pela BR-116 (a rodovia da morte) ou a Autobahn (autoestrada alemã sem limite de velocidade).

Será que finalmente veremos o misterioso jogo de solo do faixa-preta de Yuri Carlton em ação?

Em entrevista a esse humilde site, Fabrício Werdum compartilhou um ponto de vista interessante:

O Mark Hunt tem uma pancada muito forte e aguenta muita porrada também… É um cara que aguenta muito. Com certeza, minha estratégia contra o Mark Hunt seria ir para o chão diretamente, o quanto antes.

Abraços.

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