03/03/2013 às 04:49 Pensando alto: a análise informal do UFC on Fuel 8

Renato Rebelo
Renato Rebelo
@renatosrebelo
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Se você decidir ler meu texto em ordem cronológica, ou seja, de baixo para cima, vai ficar com a impressão de que me tornei um daqueles críticos chatos que reclamam de tudo.

Mas, garanto, não é o caso. Acontece que o UFC on Fuel TV 8 foi simplesmente um dos cards mais entediantes ja vistos por olhos humanos.

Se ignorarmos as duas lutas principais – que salvaram a noite -, o saldo foi: quatro decisões unânimes, quatro decisões divididas, um nocautezinho e nenhuma finalização.

Sentiu o drama?

Bom, chega de papo. Vamos ao que interessa:

Wanderlei Silva x Brian Stann

Em minha parte no texto “Os palpites da imprensa para Wanderlei x Stann”, indiquei que o “Cachorro Louco” havia, perigosamente, cedido a vantagem física ao pedir a luta contra Brian Stann até 93kg. Nele, também disse que, além de mais forte, mais jovem e mais resistente, o americano poderia encontrar, na guarda mais aberta do rival, uma morada para seu boxe retilíneo. Quando a peleja começou, o estilo kamikaze de Wand – que foi para o tudo ou nada sem temer as consequências – apenas reforçou a minha tese de que essa poderia ser sua última noite no octógono. Como fui ingênuo. Eu, garoto novo, me apeguei a detalhezinhos e deixei de lado o importantíssimo “Imponderável de Almeida”, de Nelson Rodrigues. Aquele fator “X” que separa 1 de 99%… Em um sanhaço doido, onde seus joelhos bambearam algumas vezes, o brasileiro abateu o fuzileiro naval com um soco reto e um cruzado no segundo round. Quando as resposta sobre o futuro do porradeiro de Curitiba pareciam certas, ele vem e reescreve as perguntas. Vida longa ao “Assassino do Machado”!

É claro que alguma hora vou ter que parar com esse emprego, mas ainda estou saudável e gosto muito dessa energia que recebo dos meus fãs – disse Wand na coletiva de imprensa.

Stefan Struve x Mark Hunt

Não sei o que mais me impressionou nessa: a inabilidade do holandês utilizar a gigantesca diferença de envergadura (principalmente com o jab) para manter o “Super Samoan” afastado ou o desinteresse de Hunt em evitar o chão – apesar do jiu-jítsu sofrível. Um engoliu golpes desnecessários enquanto o outro foi raspado, montado e quase finalizado. Parecia mais um treino de compadres pós-carnaval. No terceiro round, com os dois cansadíssimos, o ex-Pride acertou um míssil de direita e implodiu o “Arranha-Céu”.

Obrigado a todos pelo apoio. Queria que o Herb (Dean) tirasse meu dente de dentro da bochecha para continuar, mas acabou que meu maxilar estava quebrado – disse Struve via Twitter.

Hector Lombard x Yushin Okami

Lombard x Boetsch II, a Missão. Enredo: o troncudo cubano toma o centro do octógono, acua o rival com sua potência, mas, graças aos bracinhos curtos à la T-Rex, não aterrissa nada. Jogando na longa distância, o oponente acerta mais golpes, os mistura com algumas quedas inexpressivas e convence os jurados. Suficiente para o japonês anotar a terceira vitória consecutiva e muito pouco para alguém que recebeu 400 mil verdinhas em luvas para assinar com o UFC, abocanha mais 300 mil por exibição e ainda tem participação na receita dos pacotes pay-per-view. Será que Bjorn Rebney o aceitaria de volta no Bellator? Sei não…

Mizuto Hirota vs. Rani Yahya

O brasiliense é um daqueles carnívoros que ocupam o topo da cadeia alimentar do jiu-jítsu. Enquanto tem gás, é prudente evitar o agarra-agarra com ele. Hirota, que não deve ter acesso à internet, fez exatamente o oposto. Durante 10 minutos, aceitou a aproximação do campeão do ADCC e passou diversos perrengues. Sobreviveu, no entanto. Quando o gás de Rani minguou, o japa avançou como um cão raivoso. Tarde demais.

Siyar Bahadurzada x Dong Hyun Kim

Com o livro de regras debaixo do braço, o cobertor coreano atacou novamente. “Stun Gun”, em 15 minutos, abraçou o afegão como quem sentia saudades – e matou a plateia de tédio. Decisão unânime. Paciência. Não quer ser subjugado por um grappler superior? Treine mais. Selo Jon Fitch de qualidade para ele.

Menção honrosa:

Marcelo “Magrão” sobreviveu a uma horda de furúnculos assassinos nas últimas semanas, mas não ao timing impecável do joelho de Hyun Gyu Lim no segundo round. Após cinco minutos sem ação, nocautaço do “Jon Jones Coreano” (depois da gripe suína). Pena, pra ele, que nomes mais graúdos levaram o checão extra.

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