Receita do Cappelli: Ryan
‘quase’ Bader ataca de novo

Fernando Cappelli | 01/02/2016 às 19:05

O UFC on Fox 18 trouxe combates decentes, boas surpresas e fez valer as expectativas de um card coeso.

Na disputa principal, Ryan Bader foi acometido por mais um ‘branco técnico’ que vira e mexe o assombra, e novamente na pior hora possível: contra Anthony Johnson e na aba da possibilidade de disputar o título dos meio-pesados em caso de vitória.

Entre os destaques, tivemos também um dinâmico Tarec Saffiedine retornando ao octógono após longo hiato e a primeira derrota de Sage Northcutt. Olho vivo nas análises a seguir.

Precipitação

FixedNiceKangarooUm combate de 25 minutos contra um dos caras mais conhecidos da categoria por causa do poder de nocaute e ímpeto monstruosos nos primeiros minutos.

Você não precisa ser mestre ou grande treinador para entender que partir para cima logo no começo seria a mesma coisa que caminhar vendado em direção a um penhasco, certo? Pois é.

Bader esperou poucos segundos para dar o bote às pernas em single leg. Distante demais do adversário, teve de abaixar muito a cabeça e distorceu a mecânica da manobra, facilitando o sprawl (defesa na qual se projeta ambas as pernas e o quadril para trás) do oponente.

Johnson tem assinaturas semelhantes às de Vitor Belfort no sentido de melhorar conforme as trocas de golpes ganham contornos de pura brutalidade. Acostumado a usar as mãos para laçar o pescoço, segurar ou deter investidas, apenas acompanhou o movimento e empurrou a cabeça de Bader para baixo para deixá-lo todo torto no momento em que atingisse a lona do octógono.

‘Darth’ Bader ainda ensaiou uma kimura no puro reflexo, mas Johnson aproveitou a vantagem por cima para reestabilizar e galgar a posição até montar e definir a luta no ground and pound.

Você não pode ir para uma luta com medo. Aquele movimento de Ryan Bader no começo da luta foi o de um homem que estava morrendo de medo de ser acertado por Anthony Johnson. Para se aproximar de Johnson é preciso que você saiba que vai se machucar. Ninguém está livre disso. Você vai ser acertado, vai sentir dor, e pode até sofrer um knockdown. Mas para se aproximar dele você tem que passar por isso”, definiu Daniel Cormier na Fox americana.

Renovado

ChubbyRigidCoquiSem lutar desde 2014, Tarec Saffiedine descontou o tempo de inatividade com bom grau de obediência tática – bem ao jeitão da Tristar Gym, equipe da qual faz parte desde o ano passado – como diferencial no equilibrado desafio contra Jake Ellenberger.

Não é de hoje que o ‘Juggernaut’ mostra falta de repertório e de setups (golpes e manobras preparatórias) para entrar no raio de ação e executar o padrão de luta pressurizante característico, muitas vezes limitando-se a avançar de forma passiva e ‘retilínea’ demais. Isso o torna cada vez mais previsível.

A receita do belga foi deixar o adversário tomar o centro do octógono e a partir daí frustrá-lo com sequências curtas de dois ou três socos aliada à chutes altos pontuais mais isolados.

Saffiedine usou bem os jabs e veio preparado para a tendência de Ellenberger se transformar em um ‘touro bravo’ e partir para cima toda vez que é tocado. Então criou diversas ‘iscas’ na intenção de atrair o adversário, com muitas trocas de base para criar novas camadas de ataque e confundir o senso de distância de forma inteligente.

De bobeira?

GreenFakeAchillestangSage Northcutt tentou impor o padrão explosivo característico contra Bryan Barberena. Mandou algumas blitzes de socos retos com passadas e em seguida levava a luta sistematicamente para o clinch.

Barbarena pareceu sentir o ritmo forte no começo, mas manteve o sangue frio até perceber o momento ideal de começar a impor seu jogo explorando os buracos defensivos demonstrados por Northcutt, tanto com a luta em pé quanto no solo.

JaggedAffectionateApisdorsatalaboriosaCanhoto, no fim do primeiro assalto começou a conectar fortes golpes de direita, sempre por cima das tentativas de jabs e golpes mais potentes de direita, a maioria telegrafados e fora de postura, vindas do outro lado.

Na segunda parcial, Northcutt perdeu a meada de vez. Ele tentou emendar um chute com rolamento (kaiten do gueri, no caratê) após errar um cruzado e acabou no solo.

Por cima, Barbarena ganhou a meia-guarda e aproveitou a passividade e os erros de posicionamento do adversário – costas ‘coladas’ demais na lona, braços esticados e sem ‘espetar’ quadril e joelhos para esboçar alguma forma de escapar – para estabilizar a posição até desenhar um katagatame que obrigou Northcutt a bater em desistência com o oponente ainda em meia-guarda.

Plástico

tumblr_o1tuac1WnZ1u2ragso1_500Alex Caceres travou bom combate contra Masio Fullen, e a vitória pode dar novo ânimo para o Bruce Leroy interromper o perde/ganha inerente da carreira no UFC.

No combate da vez, Caceres disparou o chute mais bonito do evento. Sempre vale o GIF.

O que acharam das atuações dos brasileiros e das outras lutas, pessoal? Vamos analisar aí na área de comentários?

Abraços e até semana que vem.

  • Renato Rebelo

    Pra quem quiser conferir a batida “no susto” do Sage: https://fat.gfycat.com/JovialTartCrownofthornsstarfish.mp4

    • João Mário

      “no susto” mesmo, ele tava na meia guarda… Acho que com certeza não pegava

    • Álvaro

      Eu acho que foi katagatame na meia guarda. Mas a pergunta que eu gostaria que fosse respondida no podcast é seu existe mesmo essa possibilidade de ele ter batido sem que o golpe estivesse arrochado. É muita estranha a imagem porque, pela própria angulação do braço do Sage e pela própria aparente compressão insuficiente, não parece que havia naquele momento constrição suficiente pro cara bater.

      • Renato Rebelo

        Não digo que não havia pressão suficiente. Até acho que havia. O lance é que daquela posição ele ainda tinha recursos para tentar sair ou resistir por mais tempo. E, no sufoco, ele se entregou nem mt questionar.

        • Álvaro

          Acho estranho por isso mesmo, por mais leigo que seja, resistir até o meio, e não até o fim, foi o que me deixou intrigado. Lembro dos meus primeiros treinos de jiu em que quase todo treino flertava com uma soneca básica por achar que uma hora daria pra sair – e nunca dava, hehehe

      • Kadu Rampazzo

        Eu acho que ele assustou mais com a pressão no gogó do que com a asfixia. Ele bate quando o ombro do adversário encaixa.

      • Gustavo Menor
  • Coelho Bruno

    Acho que o Cormier resumiu bem a atuação do Bader: “Ele entrou com medo. Quando você enfrenta caras como AJ, você deve entrar no cage sabendo que irá se machucar, que irá sentir dor, que irá sangrar. é inevitável. Bader quis evitar ser ferido e esse foi um erro fatal”.

    • Rudá Corrêa Viana

      Na boa, AJ eh um dos “negros maravilhosos” que mais mete medo no UFC. Eh entrar no cage de fralda ao invés de protetor genital.

  • Beto Magnun

    Gosto do Saffiedine, mas parece que o apelido “esponja” é por causa das mãos dele. Não nocauteia ninguém tadinho. E o que vai ser do Jake? Gosto do estilo dele, mas já são tantas derrotas.A potencia ainda tá lá, mas ele não parece mais ter ânimo pra esse trabalho.
    Sobre o main event, não tinha um ditado assim “Cedo ou tarde Brandon Vera comete um Verice.”? Tem que mudar pra “Cedo ou tarde o Ryan Bader comete uma Baderice”. Vera e Mitrione fazendo escola.

    • Fernando Cappelli

      Saffiedine veio mais enxuto com os low kicks e deve se tornar cada vez mais estrategista agora que treina na Tristar, Beto. O Jake parece cada vez mais apático mesmo, está bem complicado tentar ser otimista com ele.
      abs

  • Thorens Acchuphase

    O Barbarena nem deu conta do hype e da torcida, manteve a frieza e esperou pelo erro do Sage. Merece um parabéns!

    • Fernando Cappelli

      O Northcutt é só mais um lutador em busca de espaço no UFC. Infelizmente, criaram todo esse hype e agora ele vai ser julgado a carreira toda pela aparência e coisas do tipo. Uma pena.
      abs

  • Matheus V.

    Abrindo uma nova questão, Cappelli, o que vc acha da trocação do Ben Rothwell? Por mais esquisita que ela possa parecer, achei artigos que a comparavam com a de George Foreman e, realmente, a base e a movimentação lembram bastante… só que essa é minha melhor análise, rs.

    • Álvaro

      Com certeza alguma ciência tem ali naquela trocação “estranha”

      • Hyuriel Constantino

        Ali é magia negra. A ciência não explica como Barnett foi finalizado numa guilhotina de fio tão cego. kkkk…

        • Albert Tumenov

          Se o Rothwell finaliza o Werdum com a rothwellchoke pode resetar o mma

          • Álvaro

            Colocaria os pançudos, carecas e mondrongos do planeta em outro patamar no sexy appeal

          • KRS Porlaneff

            Se o Werdum for finalizado – ponto – pode resetar o MMA.

        • KRS Porlaneff

          Mas explica a arte marcial que ele usa no grappling, o OJJ (Ogro Jiu Jitsu).

      • Gabriel Quintanilha

        aquela guilhotina esmaga diretamente a traqueia, a forma q ele preciona, eh uma posição q pega rapido em comparação aos estrangulamentos normais q prende o fluxo de ar e sangue…nem todo mundo executa ela bem, tem q ter mta força e tempo de encaixe, os punhos no lugar certo, forma de segurar e “empurrar” a cabeça do oponente para baixo com seu proprio peito, o q faz o proprio queixo do cara forçar o ante braço de quem esta aplicando de encontro ao ‘gogó’, se souber encaixar eh brutal, tira até sangue da garganta q sai pela boca…Ricardo arona ja passou essa posição a mto tempo atras numa aula na casa ele, eu estava nessa aula, e ate fazendo posição, não tem como não machucar a garganta, pos soh pega se for ‘brabo’…mas pega mto, inclusive o mat mitrione bateu da mesma forma nessa posição na ultima luta do Ben…

    • Bruno

      Faz sentido, o Foreman não era técnico como o Ali, era basicamente um brawler, e tinha êxito com caras bem mais técnicos que ele.
      O Rothwell segue mais ou menos a mesma linha.

    • Fernando Cappelli

      Matheus, striking e outras adaptações para o MMA são amplas em possibilidades. O que parece uma aberração no boxe, por exemplo, pode funcionar muito bem nas artes marciais mistas. Pra ser eficiente, tem de ter muita coisa alinhada e tal, como postura, ângulos, encaixe correto do quadril. Mas não dá pra ter uma visão totalmente purista da coisa em termos gerais. O Rothwell parece todo desajeitado, mas pra ele esse jeitão funciona.
      abs!

  • Caio Abreu

    Cappelli eu fiquei abismado com tamanha burrice do Bader, acompanhei a sua sequencia de vitórias e a única luta que ficou no risco foi contra o Rashad, pois caminhou a luta inteira no sentindo errado, e mesmo assim garantiu uma DU. vejo a sua movimentação como sua maior deficiência. mas depois dessa achei seu QI de luta volátil.Voce acha que ele pode chegar a disputar essa cinta algum dia realmente ? procurar novos camps seria uma boa ? não gostei em nada da mudança do seu treinador de striker, o antigo me parecia melhor,

    • Fernando Cappelli

      Depois dessa acho difícil, Caio. Luta é complicado. É uma coisa de momento ali, o cara pode treinar até quase morrer, mas na hora que chega a hora, metade do que apresenta são reações instintivas. Se o lado psicológico não está parelho com o técnico, acontece coisas tipo essa do Bader. Ele entrou nas pernas do Johnson da mesma forma de um cara que treina wrestling há três meses. Complicado. O bloqueio com ele nessas horas parece muito mais mental do que técnico.
      abs

  • Leonardo José Consoni

    Cormier é de outro mundo mesmo por ter conseguido sobreviver e afogar o Johnson

    • Bruno

      O gordinho foi lançado ao outro lado do octógono, tamanha a brutalidade da patada.

    • Hyuriel Constantino

      Cormier morreu e usou a carta ressurrection naquela ocasião. kkkk

  • Jônatas Freitas

    Bader entrou com medo e se deu muito mal, nervoso demais na hora errada

  • Diego Alex

    O Bader está virando o Bisping dessa categoria, quando está a uma luta do cinturão…
    Inclusive acho que o Bisping perde do Anderson.

    • KRS Porlaneff

      Coincidência o fato de ambos terem sido campeões LHW de TUF chegando com cartel invicto e vencendo na final caras hoje demitidos do UFC, ambos terem derrotas pra duas glórias do passado (Bader para Tito Ortiz e Bisping pra Wandeco) e ambos terem derrota por finalização via guilhotina no segundo round para o atual campeão?

      Tá, e antes que alguém fale que Bader nunca enfrentou Daniel Cormier, Jon Jones não está como campeão mas pra muita gente ele ainda é – e que é só questão de tempo.

  • Hyuriel Constantino

    Cappelli, pô…

    Eu tava ansioso pela sua coluna da semana apenas pq queria ver vc decifrando o estilo do urso-king kong-ogre albino do Rothwell! Kd?! kkk…

    • Bruno

      Nem o Cappelli consegue decifrar o jogo e a movimentação do grande Big Ben.
      Será que chegamos à era Rothwell?

    • Fernando Cappelli

      hahaha… Shrek footwork style.

      • Hyuriel Constantino

        ahuehuaheuahuehauheuhauehauhe… Shrek footwork. kkkkkkkkkk….

  • Fabricio Alves

    Bader, Zingano e Tate apresentaram os piores QIs de luta valendo cinturao que eu ja vi. Não me lembro de ninguem que tenha “mitrionizado” mais que esses três.

    • Luiz Henrique

      Olha que Bader nem disputou o título!

      • Fabricio Alves

        HAHAHA Eu confundi title eliminator com disputa de cinturao. Sorry!

  • Bruno

    O Anthony Johnson fez um ground and pound com uma calma de outro mundo, alguns socos pontuais e de repente… Bader apagado no chão.

    Esse cara tem marretas no lugar das mãos, é impressionante!

    • Fernando Cappelli

      E fica meio que claro que Henry Hooft faz um trabalho específico pra ele não perder muito isso, apenas melhorar. Se lapidar muito, vai descaracterizar.
      abs

  • Shotokan Karate

    Fazer o que o Bader fez foi correr a mais de 100 km para bater direto em um muro. AJ consegue combinar mobilidade com brutalidade. Pra mim Jon Jones nao o aguentaria, o que mais aumenta a gloria da vitoria do DC. Um colega abaixo mandou o que comentei em um post do Carrano. Bader é o Bisping dos LHW kkkkkkkkk

  • Luiz Henrique

    Queria saber o que o Sage falou com o Herb Dean depois do tap

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