UFC 177: deixe seu palpite!

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28/02/2013 às 14:56 Analisando friamente: o futuro de Wanderlei Silva

renatorebelo
Renato Rebelo
@rsrebelo
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Encarada tensa com o ex-fuzileiro naval

No dia 24 de fevereiro de 2007, Wanderlei César da Silva se despedia do Pride.

Apesar do adeus melancólico (dois nocaute consecutivos), o saldo do “Assassino do Machado” no evento japonês foi digno de um ícone do MMA: 22 vitórias, 4 derrotas, um empate e seis anos como detentor do cinturão do peso-médio.

O ímpeto incontrolável dentro do ringue, as mãos entrelaçadas que rodavam no aquecimento, a música frenética na entrada e as encaradas de psicopata conquistaram o povo japonês de forma arrebatadora.

De “Gaijin”, o showman paranaense passou a ser um filho legítimo da Terra do Sol Nascente.

Apesar do carinho oriental, Wand, pai de dois filhos, se viu obrigado a seguir o caminho natural de uma valorizada estrela do esporte e se mandou para a maior economia do planeta.

A mudança foi brusca.

Contrato com o UFC rabiscado, tchau, Chute Boxe e olá, “Cidade do Pecado” (Las Vegas).

Passando a perna em Bisping

No novo emprego, agradou os fã Yankees – com aquele velho combo brabeza + coração + mão pesada- , mas não foi nem sombra do carrasco sanguinário de outrora.

A quarta derrota em seis lutas foi, talvez, a mais dolorosa. O mediano Chris Leben o derrubou em menos de 30 segundos e fez Dana White vir a público pedir o fim do “Cachorro Louco”.

Wand esperneou, pediu, por favor, mais uma.

Com a corda no pescoço, ganhou sobrevida ao debulhar Cung Le.

Todavia, um revés contra o semi-aposentado Rich Franklin ligaria novamente o alerta vermelho sangue.

Agora, cinco anos e sete dias depois, ele retorna ao seu santuário (Saitama Super Arena) para reivindicar o poder de ditar o próprio destino.

Acontece que, a poucos meses de completar 37 anos, os sinais de cansaço já estão explícitos.

Na coletiva de imprensa, John Morgan, do site MMA Junkie, perguntou se ele se aposentará no local onde é venerado como um Deus.

Ainda não – respondeu com um sorriso no rosto.

Sou daqueles que acham que apenas o próprio lutador deve decidir o momento de sair de cena. Afinal, é ele que sofrerá as consequências de um cálculo errado.

No caso do ex-batedor de tiros de metas, apesar da negativa acima, alguns fatos comprovam que essa decisão pode ser tomada mais cedo do que tarde.

Vamos a eles:

Vida estabilizada

Wand é dono de uma das maiores e mais rentáveis academias de Las Vegas. As polpudas bolsas colhidas com muito suor também já devem ter contribuído para um bom pé de meia. Além do mais, ele sempre terá emprego garantido como embaixador do esporte – até mesmo no UFC.

Falta de objetivo

Uma vez Renato Babalu me disse que, quando chega a uma certa idade, o lutador passa a ser movido por desafios. Como o maior rival de Wand, Vitor Belfort, escorregou pelos dedos e as chances dele correr atrás de um cinturão são nulas, não existem muitos adversários que façam sentido a essa altura.

Troca de prioridades

Mesmo sendo um daqueles fanáticos por treinos – que estarão na academia com luta marcada ou não –, já são 16 anos de guerra e o cara quer relaxar. “Às vezes é difícil. Tenho um filho de 9 anos, o Thor, e às vezes não tenho tempo de ficar com ele. Levo ele na escola, tento passar tempo junto… Sou atleta, sou pai, sou dono de negócio, sou marido, não posso esquecer do trabalho, mas também não posso esquecer da família”.

Mudança de peso

A derrota para Chuck Liddell evidenciou, em 2007, que Wand – de 1,78m e cerca de 94 kg- é um meio-pesado muito pequeno na América. Para se tornar competitivo, o peso médio virou o novo habitat. Abandonar a dieta e conceder ao mais alto e mais forte Brian Stann a vantagem física, pra mim, não é um indício de longevidade. Mesmo se ganhar, a força de seu nome não permite duelos com Te Hunas e Joey Beltrans da vida. Phil Davis, Lyoto Machida, Glover Teixeira ou Gustafsson na sequencia? Melhor não, né?

A imagem da alegria: o nocaute em Cung Le

Sabendo que Dana White não é fã de veteranos sendo castigados demais, se Wand cair no sábado, são grandes, muito grandes as chances dele ter as luvas penduradas na marra.

Se vencer, pintam duas escolhas.

Uma é pegar o microfone da mão de Joe Rogan (ou Jon Anik), abrir o coração e anunciar a saída em seus próprios termos, por cima, com vitória.

A outra é torcer para que Luke Rockhold derrote Vitinho em Jaraguá do Sul ou para Chael Sonnen ser moído por Jon Jones e chamar um dos desafetos pra mão – de preferencia, de forma bem ofensiva, para irmos à loucura.

Ganhando ou perdendo, as memórias do carniceiro que dedicou corpo e alma ao esporte desde quando não havia dinheiro ou glamour jamais cairão em esquecimento.

Se hoje estamos na moda é porque, no passado, Wanderleis, Pelés, Royces, Abbotts, Liddells e Minotauros carregaram o piano.

A eles, meu muito obrigado.

Abraços.

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