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Dudu x Loro nos ensina algo sobre luta entre amigos?

viniciusith
@viniciuscmatos
21/02/2013 às 04:01
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Ataque de Dudu a Loro no Bellator 89

Alguns assuntos em nosso esporte costumam render páginas e páginas de discussões em fóruns sem chegar a uma conclusão cabível.

No momento, a prática de reposição de testosterona (TRT) e a requentada polêmica da luta entre amigos estão em evidência.

São tópicos relativamente novos no MMA. Vamos falar do segundo.

Há poucos anos, quando o Pride dominava o cenário internacional, com exceção de BTT e Chute Boxe, poucas academias tinham lutadores de alto nível em quantidade.

Desta forma, a probabilidade de amigos e/ou parceiros de treino lutarem entre si era quase nula.

Com o andar da carruagem, a coisa mudou de figura.

Tirando o arranca rabo entre Babalu e Sarafian (treino se comenta?), diria que esse foi o tema mais polêmico do primeiro TUF Brasil.

No meu episódio favorito do programa, Wanderlei Silva e Vitor Belfort divergiram pesadamente sobre o tópico.

Enquanto o “Cachorro Louco” acusava o Fenômeno de não ter amigos e incitar rivalidade desnecessária, o carioca posava de quebrador de paradigmas.

No fim das contas, Gasparzinho e Rony Jason, em meio a um turbilhão de emoções, se enfrentaram.

Bom, Marcos Loro, vencedor do GP dos galos, não teve alternativa a não ser desafiar o campeão e amigo de adolescência Dudu Dantas no Bellator.

Na última quinta-feira, eles chegaram à vias de fato.

Para quem olhava de fora até parecia que seria algo suave, uma vez que Loro treinaria em Nova York – onde mora e dá aulas na academia de Vitor Shaolin- e Dudu se viraria no Rio de Janeiro.

Dedé Pederdeiras, mentor de ambos, não ficaria em nenhum corner.

Tinha tudo para ser a prova definitiva que dois amigos pode, sim, sair na mão dentro da jaula…

Até que o nocauteado desafiante falar ao repórter Marcelo Barone, da Tatame:

Ficou (comprometida). (A amizade) Nunca mais será a mesma. Como vou conseguir ser amigo de um cara que é meu adversário, que me nocauteou? Não sou americano, sou brasileiro. Tenho sentimento. Essa situação era para ser evitada. No UFC, o Anderson Silva não enfrenta ninguém da Team Nogueira. Isso é bonito. Hoje em dia, as pessoas estão visando muito o dinheiro, e não o sentimento. Sabia que não teria clima depois da luta. Como ficar amigo de um rival? Claro que vou tratar bem, com educação, mas, se fosse ao contrário, acho que ele se sentiria assim também. É uma coisa delicada. Ele treinou com caras que foram meus companheiros, que contaram meu jogo, pontos fortes e fracos.

Esse tema é ainda mais complicado para nós brasileiros, como Loro destacou. A cultura dos nossos lutadores é aquela de defender a academia, o time.

Os ex-amigos Jones e Evans antes de se enfrentarem

E somos passionais, não tem jeito.

Na entrevista são apontados alguns fatores que deixam a luta entre parceiros de equipe, no mínimo, embaraçosa.

Deve ser realmente difícil lutar contra alguém que você já deu aula, ou então treinar sabendo que seus companheiros de academia estão treinando o seu adversário.

Não é de se espantar quando ele revela que não rendeu o que poderia.

O fato é que isso agora tende a acontecer cada vez mais.

Além do intercambio constante que vem acontecendo entre os atletas de diferentes academias, a existência de apenas um evento “5 estrelas” afunila ainda mais o caminho.

Já pensou se o Jacaré engata umas duas ou três vitórias e chega próximo do “Spider”? Ou Rafael Feijão e Minotouro cruzando caminhos no meio-pesado?

Polêmicas à vista.

Casos como o de Loro x Dudu, Rashad x Jones e Condit x GSP ainda não botam presos no caixão.

E quando dois caras que dividem o mesmo espaço físico diariamente cruzarem o caminho do outro?

Para mim, chegou a pior parte do texto, a conclusão.

Fui a favor do Wanderlei no TUF e concordo com o Babalu e com o Feijão neste vídeo do Sexto Round – porém o argumento do líder da Nova União é muito forte:

Eu não posso ser Deus e decidir o futuro de ninguém. Eu negar a uma pessoa uma chance de melhorar de vida… é uma coisa que só Deus pode fazer. Como eu vou chegar e falar “você vai ficar rico e você vai ficar pobre”? Prefiro dar a eles a chance de decidir quem vai ficar bem de vida e quem vai ficar mal.

Sempre teremos óticas diferentes: promotor ou técnico, rico ou pobre, lutador no início da carreira ou consagrado, quebrador de paradigma ou fiel à academia.

A luta entre amigos vinha ganhando grande aceitação nos últimos tempos. Mas Dudu x Loro, com o choro de emoção do campeão pós-luta e as declarações do derrotado nos levam de volta à estaca zero. 

 

 

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