A dura realidade de quem só fala com os punhos no UFC

Renato Rebelo | 09/02/2013 às 12:12

Weidman atacando Maia

Após nocautear o então top 5 Mark Munoz com uma cotovelada em pé, Chris Weidman anotou sua quinta vitória consecutiva no UFC.

Além do descendente de filipinos, a lista de vítimas do aluno de Matt Serra incluia o brasileiro top 10 Demian Maia – ex-desafiante número um do peso-médio.

Considerando que Chael Sonnen e Yushin Okami receberam o “title shot” após três triunfos cada, nas CNTPs (condições normais de temperatura e pressão) o “All-American” já deveria ser o portador do mandato de busca e apreensão pelo cinto, certo?

Nope!

De olho em números graúdos, o UFC fugiu do casamento Weidman-Anderson Silva como o diabo foge da cruz.

Primeiro, Dana White tentou jogar o abacaxi para Georges Saint-Pierre.

O assédio do patrão foi pesado, mas o canadense recusou um caminhão de dinheiro com um gentil “não, obrigado”.

Para não forçar a barra com o maior vendedor de pay per views da empresa, o careca entubou essa.

O popular Michael Bisping era o plano B.

Cavalo de troia da empresa no mercado britânico, o “Conde” receberia a carta de alforria caso passasse por Vitor Belfort até com gol de mão em impedimento.

Blitz final de Hendricks em Fitch

Luzes apagadas pelo “Fenômeno” em São Paulo.

Rashad Evans passou a ser, então, a solução definitiva para faturar alto em cima da próxima exibição do “Spider”.

Afinal, o favoritíssimo “Suga”, ex-campeão, teria a simples missão de domar a maior zebra do UFC 156: Rogério Minotouro.

Pois é.

Como tempo é dinheiro, a inatividade do rei supremo da categoria começa a incomodar.

Será que a sorte finalmente sorrirá para Weidman? Nada confirmado ainda.

Outro que anda passando um dobrado é Johny Hendricks.

O barbudo enfileirou, em sequencia, Mike Pierce, Jon Fitch, Josh Koscheck e Martin Kampmann

… Mas acabou preterido por um camarada que vem de derrota e está inativo há um ano por uso de substância ilegal!

Meu coração foi arrancado de mim. Eu tento de todas as formas provar que sou o desafiante número um e o GSP tira isso de mim (ao pedir por luta contra Nick Diaz) – disse o “Big Rigg” ao site MMA Fighting.

No final do ano passado, até os veteranos Dan Henderson e Lyoto Machida sentiram esse gostinho amargo.

Ambos foram ultrapassados, sem cerimônia, pela língua mais afiada de Chael Sonnen – escolhido para disputar o título de um peso no qual não atua desde 2006!

Acho que vou parar de treinar para vencer lutas e ser empolgante para os fãs e apenas ir à escola de faladores de merda – disse o irado banguela.

A bola da vez é Ricardo Lamas. O “Bully” eliminou competição voraz nas últimas quatro vezes que esteve no octógono.

Mesmo assim, ele viu seu sonho ir pro vinagre com uma simples mensagem de texto de Anthony Pettis – que nunca bateu 66kg como profissional de MMA– para Dana White.

Estou muito chateado com isso. Eu me esforçando muito, tenho todo esse trabalho e não estou sendo recompensado. Eu me sinto frustrado com toda essa situação – disse o sentimental americano.

E o novinho em folha ranking oficial do UFC, não acabará com esse tipo de furada de fila, Renato? Responde por mim aí, Dana:

Não importa quais sejam os rankings, vou fazer as lutas que todos querem ver.

Como já dizia a famosa lei de Murici: é cada um por si. Esqueçam os rankings, meus cupinchas.

O crescimento do fator entretenimento vem sendo exponencial no MMA e, quem não se adequar à realidade, vai catar cavaco.

A nova ordem é angariar fãs, estar em evidência, tornar-se necessário.

Seja “bad boy” ou mocinho, não evite entrevistas, leia, trabalhe na oratória, cuide da imagem, estimule o lado humorístico, seja ousado… Em outras palavras, não fale só com os punhos.

Vinny Pezão, por exemplo, não é ranqueado e, graças à provocações via Twitter, conseguiu um compromisso com o top 8 Phil Davis no UFC 159.

Difícil ser um meritocrático chato neste mundo moderno, mas, ainda mais difícil é lutar MMA e não ter carisma. Pobres, Weidman, Lamas e Hendricks…

 

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