Pensando alto: a análise informal do UFC 156

Renato Rebelo | 03/02/2013 às 03:39

Para o público em geral, evento morno, para fanáticos como nós, um caminhão de emoções. Zebras devoraram leões, brasileiros goleando estrangeiros (4 a 1) e esse jornalista que vos fala quase sofrendo um enfarte do miocárdio. Vamos ao que interessa:

Frankie Edgar x José Aldo

Sem sustos, o manauara despachou o desafio mais duro de sua carreira. O “Chapolin” americano, valente como sempre, andou para frente durante 25 minutos e beliscou um roundzinho. Mas não foi páreo para a potencia e a precisão do peso-pena mais dominante de todos os tempos. Com seis defesas de cinturão, o monarca da Nova União acaba de limpar, oficialmente,  a categoria. Ricardo Lamas, Zumbi Coreano e os demais estão alguns (muitos) passos atrás. Então, vamos às superlutas:

Quero descer o Anthony Pettis para os penas e colocá-lo contra o José Aldo – revelou Dana White na coletiva de imprensa pós-luta.

Rashad Evans x Rogério Minotouro

Nenhum dos dois apertou o gatilho, mas o “Pequeno Nogueira” conectou mais golpes e quebrou a banca do maior favorito da noite. “Suga”, apático, continua achando que é pugilista e pouco investiu nas entradas de queda. Semana passada, o americano confessou que o desanimo pela derrota para Jon Jones o fez pensar em parar. Agora, sua motivação vai ao fundo do poço e superluta contra Anderson Silva vai junto. Minotouro, aos 36 anos, chega ao ápice da longa carreira.

Alistair Overeem x Antônio Pezão

Para um humilde site, Pezão disse que entraria na luta a partir do segundo round. Na sexta-feira, um blogueiro, ainda mais humilde, escreveu um textinho chamado “Overeem e a arrogância fatal contra Pezão” -sugerindo que a soberba do superestimado holandês poderia acabar voltando contra si próprio. Na pesagem, o paraibano disse que faria o ex-campeão do Strikeforce o respeitar. É só ligar os pontos. A zebra aguentou calada a bronca nos rounds iniciais e soltou, no final, a mão do tamanho de uma lancheira na cara do adversário. Emocionante!

Eu estou acostumado a ser a zebra. Contra o Fedor, ninguém acreditava em mim. Treinei muito trocação para essa luta e sabia do meu potencial – disse Antônio Silva.

Demian Maia x Jon Fitch

O feitiço voltou contra o feiticeiro. Demian “jonfitchou” Jon Fitch por três rounds e levou a luta em banho-maria até a decisão unânime. Chato para o público em geral, mas um domínio territorial inédito imposto ao moedor de carne da AKA. O grappler superior quedou e pegou as costas à vontade, cravando, de vez, a bandeira no topo da montanha dos meio-médios. Engraçado foi ver Fitch reclamando – para o juiz – da passividade do paulista no solo. Destino irônico, não?

Ian McCall x Joseph Benavidez

A luta de pesos-mosca mais descaracterizada que já vi. Os berimbolos alucinantes comuns entre os levinhos foram exceção por aqui. Joe-Jitsu e Uncle Creepy fizeram um duelo de kickboxing amador. Ambos acertaram golpes limpos, mas o primeiro levou vantagem. Agora, Benavidez tem a carta de alforria na mão para tentar se vingar do campeão Demetrious Johnson.

Menção honrosa: Tyron Woodley trucidou Jay Hieron em sua estreia. Ainda na fase de estudos, o ex-Strikeforce acertou uma paulada violenta na têmpora do veterano – que, além de ter beijado a lona, pode precisar recorrer, em breve, ao seguro-desemprego.

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