Flashback: os derrotados
que foram beber na fonte

Fernando Henriques | 07/01/2016 às 16:26

Depois de ver Conor McGregor abalar o mundo das artes marciais em 2015, primeiro com sua voz, depois com seu punho esquerdo, fiquei temerário quanto a inevitável tendência de proliferação deste perfil “vocal” entre os lutadores.

Afinal, se está funcionando para ele, pode funcionar para outros. Ou pelo menos é assim que muitos irão pensar.

Magny acompanha treino de Demian

Magny acompanha treino de Demian

Mas nem todos são como McGregor, capaz de unir o talento midiático fora do octógono com uma técnica apurada dentro dele. E incapaz de se abalar diante da enorme pressão que ele mesmo puxa para si.

Fato que agrava meu temor quanto à mimetização de seu jeito de ser.

Nesse contexto, entramos (eu, pelo menos) em 2016 esperando por posturas distintas, capazes de contrabalancear o legado do trash talking, da ostentação e do egocentrismo iniciado por Chael Sonnen (que vivia um personagem e focava-se mais no primeiro quesito) e exponencialmente elevado por McGregor.

Qual não foi minha satisfação, portanto, ao ver Demian Maia prontificar-se a receber o ex-rival Neil Magny em seu seminário de MMA, ministrado em Nevada no primeiro dia do ano?

Demian divulgou o seminário pelo Twitter, Magny perguntou se estava tranquilo ele assistir e o brasileiro, muito educado, disse que seria uma honra.

A postura de ambos merece ser louvada. Demian, pela cordialidade e presteza ao não se recusar a ajudar alguém que pode tornar a ser seu adversário, pois ambos estão no top 10 da categoria meio-médio e vencendo.

Até Forrest Griffin apareceu no seminário

Até Forrest Griffin apareceu no seminário

Magny pela humildade em reconhecer a superioridade de Demian e buscar diminuir o gap que ficou evidente quando lutaram, com o próprio algoz.

O americano é um grappler que tem usado suas eficientes habilidades na luta agarrada para parar prospectos como Erick Silva e Kelvin Gastelum, sem um camp completo.

Mas quando lutou com Demian, não viu a cor da bola e foi finalizado. Nada melhor do que ir “beber na fonte” de seu desgosto.

Palmas para ele. Mas esta não foi a primeira vez que vimos isto acontecer.

Antes mesmo de 1993, ano que podemos considerar o primeiro da era moderna do MMA, dois dos maiores nomes do Vale-Tudo nacional se uniram para reforçar suas habilidades.

Ivan Gomes: pioneiro

Ivan Gomes: pioneiro

Em 1963, Carlson Gracie e Ivan Gomes se enfrentaram. O Gracie estava com seus tradicionais setenta e poucos quilos e o paraibano Gomes com um pouco mais de 90 kg.

Foram 30 minutos de porrada e apesar do resultou oficial, empate, ficou nítido aos presentes que o Gracie havia levado vantagem. Gomes saiu bastante machucado da peleja.

Tanto que, ciente do atraso que havia levado, foi ao Rio de Janeiro três meses depois da luta e visitou a Academia Gracie em busca de treino.

Naquela época, Carlson ainda representava a família oficialmente e não tinha sua própria equipe. Ele chegou a convidar Gomes para que juntos abrissem uma academia. Tornaram-se amigos.

Ivan Gomes é lembrado até hoje, ao lado de Euclides Pereira, único que venceu Carlson, como um de seus mais duros adversários.

Avançando um pouco na história, temos a migração de Vitor Belfort para a Xtreme Couture, em 2008, equipe cujo dono, Randy Couture,  já o havia derrotado em duas oportunidades, em 1997 e 2004, abusando de sua superioridade no Wrestling.

Belfa e Couture: de rivais a amigos

Belfa e Couture: de rivais a amigos

Reconhecendo a qualidade dos treinos ali praticados, Belfort fez diversos camps na equipe entre 2008 e 2012, e treinou diretamente com o antigo algoz principalmente para a luta com Rich Franklin, que marcou o retorno do brasileiro ao UFC.

Pupilo de Carlson, Belfort foi pioneiro, na era moderna, na busca por treinos melhores, em outras academias.

Ironicamente, não recebeu adjetivos graciosos de seus contemporâneos como Gomes, na década de 60.

Do outro lado do mundo, temos outro exemplo de busca inesperada por conhecimento técnico, ou algo parecido.

Assim como Belfort, o lendário japonês Kazushi Sakuraba teve a humildade de buscar aprendizado no ninho de seu maior algoz.

Parado por Wanderlei Silva três vezes entre 2001 e 2003, Saku desistiu de tentar vencê-lo e resolveu, como diz o ditado, “juntar-se a ele”.

Em 2005, o japonês voou para o Brasil e passou uma temporada na Chute Boxe, tentando descobrir o que havia de especial ali.

Saku na Chute Boxe

Saku na Chute Boxe

Wanderlei foi o primeiro algoz de Sakuraba em seu peso (na época, lutava até 93kg). Quando perdeu para o brasileiro, Saku já havia vitimado 11 lutadores de altíssimo nível no Pride, em uma lista que inclui dois ex-campeões do UFC, quatro Gracies e o top Quinton “Rampage” Jackson.

Foi na academia curitibana que Sakuraba, oriundo do catch wrestling, deu seu primeiro treino de jiu-jitsu, sob a batuta de Cristiano Marcello. Chegou até a vestir quimono. E, claro, subiu no ringue para fazer sparring com boa parte da academia.

Outro caso similar e marcante, já na história recente do MMA, envolveu Yushin Okami e Chael Sonnen, que se enfrentaram em 2009, com Sonnen saindo vitorioso na decisão dos jurados.

O revés fez Okami repensar sua carreira e decidir buscar melhores condições de treino nos EUA.

Okami se juntou a Sonnen na Team Quest

Okami se juntou a Sonnen na Team Quest

Tendo visto de perto as habilidades do americano, e considerando a similitude do jogo entre eles (quedas e ground and pound), Okami literalmente foi bater na porta do antigo algoz.

A atitude arrojada funcionou e eles viraram amigos, apesar de rivais na categoria – na época os dois figuravam no topo do peso médio.

A história tornou-se marcante também por uma curiosidade.

A Team Quest, equipe onde Sonnen treina, fica no estado do Oregon, onde reside sua mãe, Claudia Sonnen.

Okami por muitas vezes dormiu na casa da Sra. Sonnen, quando treinava com o amigo em sua academia.

Certa vez, porém, o japonês apareceu de surpresa, sozinho, e quase foi baleado pela mãe de Sonnen, que ouviu o alarme tocar e pensou se tratar de um ladrão.

Temos também o exemplo de Alexander Gustafsson, um dos três melhores meio-pesados do mundo, que viveu os dois lados da moeda.

Quando foi finalizado por Phil Davis logo em sua segunda luta no UFC, em 2010, Gustafsson, a exemplo de Okami, decidiu levar seus treinos para os EUA e não foi coincidência ter escolhido logo a Alliance MMA, de Davis, como sua nova casa.

Quatro anos depois, o contrário aconteceu com o sueco.

Gustafsson e Manuwa: do octógono para a academia

Gustafsson: de aprendiz a tutor

O inglês Jimi Manuwa, depois de ser nocauteado por Gustafsson, também não teve vergonha de bater na porta do rival.

Naturalmente, foi muito bem recebido.

Como observador de toda essa movimentação, só tenho a enaltecer e a elogiar aqueles que buscam o conhecimento a todo custo, ainda que com rivais, e também aqueles dispostos a fornecer tal conhecimento.

Não é qualquer um que faz como Demian, que até se ofereceu para ajudar um adversário recente, que acabou de levar um passeio por três rounds – dois de 10-8.

Ao chamar Gunnar Nelson para treinar com ele no Brasil (o treinador do islandês deu sinal verde), caso assim desejasse, e aceitar Neil Magny em seu seminário, Maia abre um precedente que, na medida do possível, espero que seja seguido.

É uma antítese interessante ao estilo falastrão e espalhafatoso de ser, que temos visto se proliferar por aí.

  • Raphael Pinheiro

    Minha pergunta: até que ponto a batida de porta da Kings MMA na cara do McGregor foi “proteção do segredo industrial” ou falta de esportividade? O trash talking sozinho se encarregou de validar a postura da academia? Ou o exemplo resvalou na infantilidade?

    • Luis Coppola

      Na minha opinião não têm q abrir de jeito nenhum as portas pro Conor na Kings (pelo menos por enquanto). O cara na coletiva do UFC com tds os campeões intimou o RDA pra porrada, provocou, falou um monte.. e como ambos estão em rota de colisão, como poderiam treinar juntos, fazerem sparring e daqui um tempo se enfrentarem pelo cinturão do RDA, que treina à anos na Kings??
      Impossível..

      • Raphael Pinheiro

        Num pensamento mais de sangue quente, não há clima para ele treinar lá, ok. Mas a conduta do Demian não vai justamente de encontro a isso, e é o que estamos louvando (com justiça)? E a intenção dele ir pra lá veio antes dos desafios a sério ao RDA, a bola da vez ali ainda era o Aldo.

        • Luis Coppola

          Tudo bem que a intenção de treinar possa ter vindo antes, mas o Conor já tinha sido campeão simultaneamente do Cage Warriors, pena e leves, além do que sempre disse que queria fazer o mesmo no ultimate. Seria só questão de tempo pra ele subir e os dois terem a oportunidade de se enfrentarem!

          Se daqui um tempo, os dois já tiverem se enfrentado decidirem treinar juntos ou na mesma academia, aí já é bem diferente, acho que não haveria nenhum empecilho. No momento atual, ou até pouco tempo atrás, duvido mto que o mestre Cordeiro receberia o Conor!

        • No caso do Demian, são adversários que ele já deixou para trás, superou. Não faria sentido, por exemplo, ele pedir para treinar na ATT com o Lawler.

    • Thiago de Carvalho

      Acho que são situações diferentes. O texto cita lutadores, que perderam lutas e buscaram melhorar com ajuda do seu adversário. O McGregor ficou falando merda pro RDA e por isso nego fechou a porta para ele. Imagina eu começar a te ofender agora e depois pedir para me ajudar com alguma coisa?

      • Fora que eles podem se cruzar logo, com o McGregor querendo subir, então…

  • Welington Silva

    Demian é um grande nome do esporte para o Brasil. Ele já, inclusive, teve aparições em redes abertas de TV no Brasil defendendo o MMA enquanto esporte. Acho que aquela exibição na MW contra o AS ofuscou um pouco da sua trajetória frente ao público médio, que ainda é um pouco resistente à sua figura. Para mim, ele é um exemplo!

    • Welington Silva

      Um adendo, Vitor e o seu mentor Carlson, segundo o texto, tem um papel de vanguarda dentro deste intercâmbio. Talvez esse seja um dos motivos que sempre conturbaram suas presenças dentro das academias. Eu sou bem resistente à figura do Paquito, pendendo pra antipatia, mas reconheço, de certa forma, esta sua qualidade!!

      • Belfort, no caso, é o paquito? haha.

        Então, Vitor é pioneiro no assunto e Carlson foi, não só ao receber Ivan Gomes muito bem, mas ao treinar lutadores de fora de sua família para enfrentar e vencer gente família. Ele foi um Robin Hood do conhecimento, levando-o aos pobres literalmente, pois dava aula até de graça.

        Mas isto, porém, não o impediu de maldizer e rotular (“creonte”) aqueles que buscaram outros caminhos depois de passarem por suas mãos. O próprio Vitor, por exemplo, e por isso teci esse comentário de que ele, Belfort, não foi tão bem visto em sua busca por conhecimento quanto Ivan Gomes. Foi uma alfineta, na verdade, naqueles repetidores do termo “creonte”. Hoje em dia quase todo mundo é.

  • Paulo Melo

    Queria começar desejando Feliz Ano Novo pra todos vcs do 6º Round ( é atrasado eu sei rs mas é meu primeiro comentário de 2016 )
    Muito interessante a temática do texto , parabéns Fernando , mandando bem como sempre .
    Já me lembro de um exemplo recente mas que aconteceu ao contrário da idéia do texto , mas fato bem curioso
    No último TUF , a final seria entre Artem Lobov (companheiro de treino do McGregor) contra o Saul Rogers
    Saul é um cara com bom jogo de Grappling , e Artem tem esse ponto fraco , sendo assim o Artem foi treinar com o Ryan Hall que tb estava nesse TUF e tem um ótimo jogo de grappling
    Eis que Saul teve problemas com visto e quem o substitui na final ?! Isso , Ryan Hall , que passeou na luta contra o Artem usando o grappling e sendo campeão do TUF

    • É, foi um desenrolar bem curioso mesmo, mas foi bom saber que eles foram profissionais e lutaram tranquilamente.

  • guilherme champz

    Muito bacana! Ainda vale lembrar que o Demian Maia também convidou o Chael Sonnen para treinar jiu jitsu com ele depois de derrotá-lo naquela performance brilhante.

    • Caramba, dessa eu não sabia/lembrava.

    • Renato Rebelo
      • guilherme champz

        Eu nem tinha visto esse vídeo ainda. Tinha visto uma entrevista com o Sonnen quando perguntaram a ele sobre o convite, aí ele disse que se o Maia tivesse falando sério ele aceitaria kkkkkkkk Pelo jeito não foi o caso.

      • William Terres

        E depois do treino vai rolar um churrasco na casa do Spider hahaha

  • Hyuriel Constantino

    Por mais Demian Maias e menos Conor McGregors. Pena que isso talvez seja só um sonho e a atitude de Demian e outros citados no texto soem como mera resistência para o inevitável: uma mistura de Boxe com WWE (o pior de ambos, obviamente).

    • Torçamos pelo contrário. Torçamos por coisa nova e distinta no MMA, por isso apoio Rizin e quejandos.

      • Hyuriel Constantino

        kkkkkkk… Sério que vc apóia ao Rizin? xD

  • KRS Porlaneff

    Atitudes louváveis e exemplares assim são do que o MMA hoje em dia precisa, em contrapartida de alguns “ataques de ódio” que vemos por aí – sejam eles mais pelo show, como o caso de McGregor, ou aparentemente verídicos como os de Cristiane Cyborg.

    Demian Maia com isso abre precedentes para que cada vez mais se sepulte o termo “creonte”, que tanto foi dito quando Vitor Belfort saiu da Team Nogueira para enfrentar Anderson Silva pelo cinturão MW.

    As academias tem que entender que treinar junto é uma coisa, e lutar é outra. Sei lá, certo o Vitor Belfort, que caso não perdesse, iria ter que esperar mais alguns anos até que Chris Weidman destronasse o Spider.

  • Zeca Bezerra

    Muito bom! Teve também o sarafian indo treinar com o dollaway

    • Esse quase entrou, mas para agigantar mais o texto e atrasar sua entrego, foi preterido. Rs.

  • wanderson

    oi galera quem estiver afim de entrar em um grupo de what’s voltado pro mma é so falar comigo, o meu numero é 04186995456116

  • Bernardo Oliveira

    Essa história do Okami com D. Claudia é muito boa.

    “Yes, thank you, Yushin Okami, hello, thank you, Yushin Okami” kkkkkkk

    https://www.youtube.com/watch?v=Q-9hQ86RfX0

  • Silas K

    Novamente, muito legal a atutude deles e é esse tipo de ambiente que espero encontrar no mundo de MMA.

  • Rodrigo Tannuri

    Fairplay é algo lindo de se ver em qualquer esporte.

  • Wilker Fonseca

    Tem muito disso no Judo. Certo que não é uma arte marcial que se da e se leva soco na cara, mas ainda assim é facilmente encontrado rivais treinando juntos. Não sei se em outras artes marciais, como o BJJ, Taekwondo, Karate, isso exista tambem.

  • Shotokan Karate

    Gurizada show de bola a conduta do Demian mas vamos admitir que uma figura que atende pelo nome de Anderson Silva foi fundamental pra isso. Demian falou poucas e boas pro Spider antes da luta entre ambos e o negão deu a resposta dentro do octógono. Num grande gesto de grandeza, o Spider em rede nacional se desculpando por ter se excedido. Desde então Demian mudou tanto como lutador como pessoa. Parabéns pra ele e sorte pra ele em seu próximo pega.

    • Discordo, amigo. O Demian não falou nada demais para o Spider. Ele apenas tem promover a luta, e de forma bem leve. “Vou pegar uma das pernas do Aranha” é bem bobo, aliás, Palhaço foi o Anderson, que usou isso para justificar seu papelão no octógono.

      • Shotokan Karate

        Henriques se eu estivesse no lugar do Spider teria feito a mesma coisa… Já comentei várias vezes o que penso sobre essas “promoções de luta”…. De qq forma a intenção não foi polemizar até pq aos meus olhos Demian mudou como lutador (passou a tentar levar os caras pra sua especialidade que é o BJJ onde é um do power trio do MMA ao invés de simplesmente querer que os caras venham pro chão) e como pessoa já que passou a ser mais comedido nesse tipo de conduta e isso é elogíável tanto que passei a ser seu fã…

  • Tiago Nicolau de Melo

    Ontem levei uma bica na cara no Muay Thai… rolou uma finta e o que era pra ser um chuta na coxa subiu pra minha cara. Seguindo o exemplo dessa galera, após o treino peguei umas dicas com o agressor (rs), que é oriundo do Karatê.
    Mas, óbvio que na hora deu vontade esquecer que era treino e moer ele.

  • Luiz Henrique

    E o Floyd que ofereceu aulas à Ronda?!

  • Lero

    SakuGOAT. Como o cara fez o que fez sem treinar Jiu Jitsu antes e vendo do pro wrestling… É quase como se o CM Punk ganhase do Rockhold ou do Jacare esse ano.

    • O Saku não era como o CM Punk, era um lutador de verdade. Do Catch Wrestling e muito técnico por sinal. A luta de solo não se resume ao Jiu-Jitsu e no MMA sempre tivemos caras de ótimo nível de fora do JJ, como Marco Ruas, Alexandre Pequeno, Josh Barnett, Sakuraba, Masakazu Imanari, Karo Parysian…

      Ele fazia pro-wrestling, e do estilo japonês, que é bem menos teatral e mais a sério, por assim dizer (pesquise por “puroreso”), mas não veio de lá. Era só para ganhar mais um troco.

      https://www.youtube.com/watch?v=UnEFL0dt73

      • Lero

        É verdade. Simplifique muito o pedigree do Saku

  • Mauricio

    Ótimo texto, a arte marcial em si prega esse tipo de cooperação, palmas para Demian, Couture e etc por receberem possíveis adversários em suas academias e mostrarem que a luta é dentro do Octagon… fora dele são profissionais! E os caras que foram humildes como o Magny e buscaram melhorar treinando com quem utilizou de suas fraquezas!

    Demian é um artista marcial.. de verdade! Seria bom se essas atitudes tbm fossem divulgadas, pois com essa onda de Trash Talk muita gente acredita que o MMA é praticado só por pessoas desse tipo

    • É o que estamos fazendo aqui.

      • Mauricio

        Certo, mas falo de modo geral.. tem sites que falam de “combate” que atraem mais o publico novo, que se você olhar só fala dos TS e das presepadas..

        • É, são mais para a massa ou o chamado público médio, e refletem seus parcos interesses. Um problema maior, que infelizmente não será solucionado tão cedo.

  • Vinicius Maia

    Excelente texto. Pra mim é a melhor coluna do sextoround. Ver essas peculiaridades do esporte, rever grandes lutadores e pegar esses fatos históricos é muito massa. Foda saber que já tinha esses intercâmbios entre academias em 1963.
    Com relação a Demian, como não gostar do cara? Eu nunca treinei JJ, não sou muito fã de luta agarrada, mas o Demian consegue ser um dos meus lutadores favoritos da atualidade. Particularmente, não gosto de lutadores desrespeitosos. Sei que MMA não é arte marcial, mas pra mim é difícil separar a disciplina e respeito pregada nos meios treinos quando criança de Karatê e Kung Fu de lutas. Acho que desportivamente falando é muito mais bonito um cara humilde e trabalhador. Sei la, essa é minha visão.
    Torço para que as atitudes citadas no texto continuem acontecendo, pois esse é o esporte que gosto de acompanhar.

    • Grande Vinicius. Agradeço o honroso elogio e concordo contigo sobre a importância do respeito existente nas artes marciais orientais. Precisamos de algo parecido para contrabalancear, no MMA, esse clima feroz de competição peculiar, e tão importante, ao Ocidente.

      Nada contra o perfil McGregor de ser, só acharia chato se fossem todos assim.

  • Steven McCane

    Muito bom o texto Fernando! Só uma pequena retificação -> ao invés de inferioridade deveria estar superioridade <- segue o parágrafo abaixo..

    "Avançando um pouco na história, temos a migração de Vitor Belfort para a Xtreme Couture, em 2008, equipe cujo dono, Randy Couture, já o havia derrotado em duas oportunidades, em 1997 e 2004, abusando de sua inferioridade (o correto seria "superioridade") no Wrestling."

    Excelente análise. Abs!

    • Obrigado pela sinalização, você está certo. Houve uma pequena mudança nesse parágrafo, que invalidou o trecho final e não lembramos de consertar. Será feito agora.

  • Gus Hansen

    Muito interessante da parte dos lutadores e também do 6R por abordar o assunto. Mais uma!!!

  • Gus Hansen

    Agora, aproveitar esta atitude bacana do Maia para criticar o estilo dos falastrões como Chael e Mcgregor não tem nada a ver, estão misturando assuntos distintos.

    Ser falador para vender luta, imagem e elevar o nome entre o plantel, é a coisa mais normal do mundo. É uma imagem que o cara projeta para o público, e pode não ter nada a ver com o que ele é como pessoa. Aliás, Mcgregor já deu sinais de que não é só imagem, e não estou falando como lutador, mas do caráter.

    • Gus, você gostaria que todos fossem “vocais” como o McGregor?

      O ponto é esse. Posturas menos provocativas e cordiais, como as citadas, são um contraponto que vem para dar equilíbrio a tudo que vemos acontecer nesse mercado de lutas.

      • Gus Hansen

        Não é nem questão de querer porque cada seguirá sendo o que é, ou o que deseja projetar para o público.

        O meu ponto é que, assim que foi publicado o artigo, surgiram os comentários elogiando esta atitude e usando o fato para criticar caras como Chael e Mcgregor, sendo que um comportamento nada tem a ver com o outro.
        Lutadores se ajudarem é super interessante e louvável. E, isso diz algo positivo sobre o caráter do cara que ajuda.
        Lutadores “vocais”, como você citou, estão fazendo outra coisa, promoção da luta e deles mesmos. Mas isso não diz nada sobre eles enquanto pessoa, e pelos comentários que li parece que andaram misturando as estações. Parece que é legal ser como o Maia e ruim ser como o Mcgregor, sendo que usaram coisas totalmente diferentes para fazer esta comparação. Só isso.

  • Leivy Jeovany

    Texto fantástico!!!

  • Thorens Acchuphase

    Excelente matéria! Mostra o lado humano dos lutadores atrás dos holofotes e dos trash talks que fazem parte do show. Eu só sabia da recente do Demian e Magny, as outras histórias são novidade para mim. Isso é saudável e ajuda o esporte a perder o preconceito do grande público.

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