Overeem e a arrogância fatal contra Pezão

Renato Rebelo | 01/02/2013 às 18:54

A encarada tensa na coletiva de imprensa

Um dos meus livros favoritos de política/economia se chama “Arogância Fatal”, de Frederick August von Hayek.

Na obra, o austríaco, prêmio Nobel de economia, faz ataques a uma famosa ideologia (que não vem ao caso neste humilde blog de MMA).

Para ele, a pretensão de conhecimento e a soberba são dois dos maiores males da humanidade.

Trazendo esse conceito para o nosso esporte, primeiro, é fundamental diferenciarmos arrogância de confiança.

Há aqueles que inflam o próprio ego de tempos em tempos para cumprir determinada tarefa.

E não há nada de errado com isso.

É bem diferente de diminuir o próximo para se sentir maior…

Pois bem. Já enrolei demais.

Na minha varredura diária, encontrei, em tudo relacionado a Alistair Overeem, o mesmo tom.

O holandês, que não é muito chegado a um pezinho no chão, nunca esteve tão “grandão”.

Por exemplo:

Maior qualidade dele? Sei lá. Ele é um cara grande e forte, mas não vai ser um problema. Sei o que faço com meus parceiros de treino e sei do que sou capaz, ele não vai ser um problema… Sou simplesmente melhor lutador que ele. Melhor em pé, melhor no wrestling, melhor no jiu-jítsu. Sou muito mais rápido, mais experiente e mais inteligente – disse o holandês em vídeo postado pela repórter americana Karyn Bryant.

E mais:

Sou melhor que o Antônio Pezão. A luta deve acabar no primeiro ou no segundo round. Acredito que Pezão tente levar a luta para o chão, mas sei que tenho vantagem lá também. Para ser honesto, não estou preocupado – disse o grandalhão, dessa vez, ao site MMA Mania.

Não sou aquele pregador de humildade chato que reclama de qualquer vírgula fora do script. Pelo contrário, me considero um bom apreciador do “trash talk” maroto, bem elaborado.

Mas, não é o caso. O papo de Overeem, carregado de desprezo, soa pura e simplesmente arrogante.

Overeem nos tempos de vacas magras (literalmente). Foto: Susumo Nagao.

E desde quando ele virou esse “rei da cocada preta” (como diz minha mãe)?

Abrindo o baú, lembro muito bem de um rapaz franzino e modesto que foi nocauteado por Maurício Shogun, Rogério Minotouro, Sergei Kharitonov, Ricardo Arona, Chuck Liddell e até pelo desconhecido Bobby Hoffman.

É verdade que, como peso-pesado, a banda toca outra música.

O cara se reinventou. Mas será que seus resultados são tão magníficos assim?

Das 11 vitórias na nova categoria, pelo menos oito foram contra rivais abaixo da crítica (Gary Goodridge, Tae Hyun Lee, Tony Sylvester, James Thompson, Fujita, Brett Rogers, Paul Buentello e um Todd Duffee perdido após ter sido dispensado pelo UFC).

Nos três triunfos contra lutadores mais conhecidos, nada de cair o queixo.

Posso citar a exibição pavorosa com Fabrício Werdum, a marmelada contra o já aposentado Brock Lesnar e uma finalização “pega bobo” no desanimado Mark Hunt versão 2008.

Não me entendam errado.

O representante da Blackzilians é franco favorito? Sim. Ele leva vantagem contra o paraibano, principalmente, nos primeiros rounds? Com certeza.

Agora, não é nenhum exagero dizer que Pezão pode muito bem ser o adversário mais duro de Overeem desde que ele iniciou essa transformação física baseada em nove refeições por dia e bife de cavalo acebolado.

Sinceramente, não vejo Silva como essa zebra colossal no UFC 156.

E outra, oba-oba contra um camarada que tem a mão do tamanho de uma lancheira e porta uma faixa-preta de jiu-jítsu na cintura pode acabar se transformando na famosa arrogância fatal alertada pelo velhinho europeu em 1988.

Vou fazer você me respeitar – disse Pezão na encarada quente de ontem.

Acham que pode rolar uma surpresa?

Abraços.

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