Frankie Edgar: um animal diferente para José Aldo

Renato Rebelo | 29/01/2013 às 14:31

Frankie Edgar devolvendo a primeira derrota da carreira ao rival Gray Maynard

“He’s a different animal” é uma expressão popular em inglês para dizer que fulano é superior a cicrano.

“Um animal diferente”, em tradução literal, não faria muito sentido pelas bandas de cá na maioria dos contextos, no entanto, vocês já devem ter sacado onde estou querendo chegar.

Em novembro de 2012, André Pederneiras, líder da Nova União, disse, em entrevista a este humilde site, o seguinte:

O Frankie é um adversário que tem basicamente o mesmo estilo de luta que a maioria dos atletas que o Aldo pegou desde o começo. É um atleta que troca, mas que derruba bem… O objetivo principal é sempre trocar e derrubar, cair por cima… O Aldo tá treinando para essa luta desde que ele começou a lutar no WEC.

Evitando um suicídio público, não vou discordar inteiramente da declaração de um dos melhores treinadores de MMA do mundo.

Mas, vou fazer alguns pretensiosos adendos.

É claro que, a grosso modo, Chad Mendes, Urijah Faber, Cub Swanson, Mike Brown, entre outros, assim como Frankie Edgar, vêm daquela linhagem tradicional que mistura boxe e wrestling .

Agora, colocar o baixinho de Nova Jersey no mesmo balaio com outros ex-desafiantes é perigosíssimo.

O que o campeão dos penas terá do lado oposto da jaula, no próximo sábado, pelo UFC 156, é um animal novo, diferente.

Certamente, o cerebral Dedé foi sucinto sobre o jogo de Edgar apenas para a câmera. Nos treinos, o papo deve ter sido outro…

Frankie Edgar é o desafio mais difícil da carreira de José Aldo – concordaram Charles do Bronx e Felipe Sertanejo, também falando ao Sexto Round.

Edgar ao lado de Edson Barboza em foto recente. Há pouco tempo, eles eram da mesma categoria!

Agora, o que faixa-marrom de Ricardo Cachorrão traz de diferente para a mesa? Vamos por partes:

Trocação: Frankie não é o adversário de maior “pegada” que José Aldo já enfrentou, no entanto, tecnicamente, o campeão nunca tratou com alguém de boxe tão fluido, rápido e técnico. Trabalhando com o ex-pugilista profissional Mark Henry há três anos, o baixinho pode trazer problemas à postura mais estática do manauara – baseada na potência de seu muay thai. Ele esquiva como poucos e tem um jogo de pés sem paralelo na categoria. A velocidade o permite bater e sair e ter uma movimentação constante – que enlouqueceu Gray Maynard e BJ Penn. Cozinhar infringindo danos aos poucos é com ele mesmo.

Grappling: O fato de ter quedado e passado a guarda de BJ Penn já diz muito sobre o wrestling top de linha e a pressão que Frankie imprime no solo. É claro que o atleta da Nova União é superior no jiu-jítsu e não corre grandes riscos nesse setor, mas, em contrapartida, finalizar ou até mesmo raspar o americano será uma missão complicada.

Durabilidade: O queixo duro, o coração e o condicionamento físico no estado da arte não só permitem Edgar aguentar castigo, mas o dão a rara habilidade de aumentar o ritmo a partir do terceiro round. Enquanto o adversário diminui, ele acelera.

Tamanho: Pela primeira vez na carreira, Edgar não terá grande desvantagem em termos de tamanho. Quando o vi treinando em Nova Iorque, fiquei abismado. Ele é um peso-galo! Ben Henderson parecia duas categorias acima quando lutaram. A foto ao lado, com o peso-leve Edson Barboza não me deixa mentir.

Experiência: Frankie vem de 30 rounds consecutivos de disputas por cinturão (seis lutas contra Maynard, BJ e Bendo). Aldo já defendeu seu posto cinco vezes, mas seu “tempo de voo” é consideravelmente menor.

Como do outro lado temos o favorito monarca “colecionador de cabeças”, uma forte candidata à luta do ano já dá as caras em fevereiro.

Não sei por que mas já sinto um leve cheiro de revanche no ar…

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