Não faz sentido: o linchamento de Pedro Nobre

Renato Rebelo | 22/01/2013 às 12:33

O que pode ser pior do que estrear no UFC nocauteado ou finalizado?

Até o último sábado, nada, mas Pedro Nobre redefiniu esse conceito.

Após ter enxergado golpes na nuca do representante da BTT, o grandalhão Dan Miragliota declarou o duelo contra Iuri Marajó “sem resultado”.

E aí começou o maior linchamento público no MMA desde que Jon Jones se recusou a enfrentar Chael Sonnen e forçou o cancelamento do UFC 151.

As vaias e xingamentos de quase 10 mil torcedores no Ibirapuera foram apenas o ponto de partida:

– Pode colocar aí, esse cara (Pedro Nobre) é um frouxo, isso é uma vergonha para o Brasil. Não sei o que está acontecendo com o time dele, mas isso é uma vergonha. Um frouxo – disse Wallid Ismail, empresário de Marajó, ao portal UOL.

– Isso foi mentira. Pedro deveria concorrer ao prêmio de melhor ator. Péssima decisão do Dan Miragliotta – opinou Dana White.

Mas será que Pedro realmente merece toda essa animosidade?

Para começar, é difícil chamar de “arregão” um lutador de MMA profissional com mais de 15 lutas em seu cartel que aceitou enfrentar um adversário maior e mais experiente com apenas duas semanas de antecedência.

O momento da discórdia

Mas esse não é o “x” da questão.

A grande pergunta é: os golpes pegaram ou não na nuca?

Se sim, intencionais ou não, Pedro não pode ser crucificado.

Pancadas na nuca são proibidas por algum motivo, certo?

Estamos falando de um dos locais mais vulneráveis do corpo humano que, se atacado, danos irreversíveis podem ser causados.

Já assisti mais de 30 vezes o lance e não consigo brigar com a imagem. Vi uma cotovelada e um soco na região.

A partir daí, admitindo a violação, o resto vira achismo.

Só o carioca pode saber, ao certo, se doeu, se dava para voltar, se a utilização do colar ortopédico no dia seguinte era necessária…

Na hora que a torcida me chamou de ‘arregão’, eu nem entendi, porque para mim eu estava indo para o hospital depois de perder por nocaute técnico. Só no hospital que me falaram que a luta tinha sido no contest. Então eu iria simular o que, se para mim eu já havia perdido? – disse Pedrinho ontem ao PVT.

É verdade que Marajó tinha seu rival dominado e a luta estava ganha.

Exatamente por isso acho bizarro presentear o atleta subjugado – como nos casos de Carlo Prater e Matt Hamill, que “venceram” Erick Silva e Jon Jones, respectivamente, por desclassificação.

Sei que é frustrante, mas acidentes acontecem, meus amigos. Por essas e outras criaram o famoso “no contest”.

Sem nos esquecermos da raiz do problema (golpes ilegais), no UFC on FX 7, todos perderam: Marajó, o público e, principalmente, Pedro Nobre – mas não houve injusça.

Se tivesse perdido, o pupilo de Murilo Bustamante botaria a viola no saco e partiria, sem alarde, para sua real categoria (mosca).

Provavelmente, até seria parabenizado por ter aceitado o compromisso em cima do laço.

Agora, marcado até pelo presidente da organização, qualquer deslize pode causar a interrupção abrupta do sonho de lutar no UFC.

Enfim, vida que segue.

ATUALIZAÇÃO: segundo o site MMA Junkie, Pedro Nobre será cortado pelo UFC – sem receber uma segunda chance. 

Abraços.

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