Belfort x Bisping: lendo as entrelinhas do jogo

Renato Rebelo | 19/01/2013 às 16:46

“Sábado será o meu dia” gritava Belfort

Em 25 anos de existência, sempre fui um competidor medíocre.

Ao longo da infância e adolescência, minhas incursões esportivas raramente terminaram com uma medalhinha beliscada.

Apesar de ser esforçado, uma característica me atrapalhava na hora do confere: a falta de frieza.

O nervosismo pré-luta ou jogo acabava engolia-me e minava sinistramente a performance.

Com as mãos suadas e as pernas bambas, o “gameplan” ia para as “cucuias” e o branco tomava conta.

Após o decreto da derrota, entrava em cena um Renato hiper comunicativo que, adrenalizado, buscava milhões de teorias e incomodava a todos ao redor com falação non-stop.

Mas o que isso tudo tem a ver com Vitor Belfort x Michael Bisping, luta principal de hoje à noite pelo UFC on FX 7?

Expus uma teoria a alguns companheiros de imprensa e a maioria não concordou.

No entanto, tenho o compromisso de compartilhar minhas opiniões com vocês, fieis leitores deste humilde blog.

Pois bem. A encarada na coletiva de imprensa da última quinta-feira foi uma cena emblemática para mim.

Pesagem de sexta-feira

Após ter seu braço afastado pelo inglês, o “Fenômeno” deixou o palco atônito gritando frases de ordem como “I’m ready”, “Saturday is my day”, entre outras.

Não é que lembrei de mim mesmo no passado?

A impressão que tive foi que, naquele momento, a foto do carioca estaria ao lado da palavra “nervosismo” em um dicionário ilustrado.

Vale adicionar o fato de que o ex-campeão dos meio-pesados está entrincheirado em seu quarto desde que chegou a São Paulo.

Até seus treinadores têm pouco contato com ele.

As refeições são preparadas por Mike Dolce e levadas em seu aposento.

O “Conde”, por sua vez, passeia pelo shopping, aparece no lobby do hotel Hilton

12 em cada 10 lutadores apontam o mesmo diagnóstico para a peleja. Nos dois primeiros rounds, Vitor leva, passou do terceiro, azeda a sopa.

Mas e o fator mental, não interfere nas atuações?

– Para mim preparação psicológica é tão ou mais importante que a técnica e a física… Acho que sou um lutador que entra frio pra lutar, e isso é a parte boa – disse uma vez Fábio Maldonado.

Sei não… Posso estar fazendo a leitura errada, mas, na guerra psicológica, o inglês parece levar certa vantagem.

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