Strikeforce fecha as portas e feras migram para o UFC

Renato Rebelo | 13/01/2013 às 04:07

De olho em uma vaguinha no maior evento de MMA do mundo, os atletas do moribundo Strikeforce entraram em ação na madrugada de sábado para domingo.

Na semana passada, o brasileiro Jorge Gurgel já havia explanado a pressão por trás do último evento da franquia: “Quem vencer em Oklahama, vai passar para o UFC“.

Última chance, portanto, de impressionar Dana White, o novo patrão. Confira aqueles que mandaram bem e atravessaram a ponte:

Tarec Saffiedine

A luta contra Nate Marquardt, que valia o reinado dos meio-médios, começou extremamente monótona, mas, a partir do segundo round, ganhou contornos dramáticos. Primeiro, o belga derrubou o rival com um belo chute na costela, depois, as repetitivas tacadas na coxa direita do americano começaram a cobrar dividendos. Lá pro quarto, a perna do campeão parecia mais um tender de natal recém-saido do forno. Judiado, Nate até conseguiu sobreviver, mas teve que passar o cinturão adiante. Plano de jogo executado com perfeição pelo “Esponja”. Ótima adição à categoria dos wrestlers.

Daniel Cormier

Em umas das lutas mais mal casadas do ano, Cormier promoveu o espancamento público de Dion Staring. O holandês de 34 anos apanhou que nem “boi ladrão”, como diria minha velha mãezinha, e obrigou Big John a interromper a peleja no segundo round. Com o microfone na mão, o pesado da AKA mandou o recado: “Quero ir para o UFC, lutar com o Frank Mir e depois chutar a bunda do Jon Jones no outono”. Aí sim!

 

Josh Barnett

Outro que teve uma noite tranquila graças a uma luta mal casada. O desconhecido Nandor Guelmino foi quedado, montado e finalizado. Dois minutos de papo. Pela relação azedíssima proveniente de um passado espihoso com Dana White, a transição do “Assassino com Cara de Bebê” é improvável. Uma pena. Acho que Barnett seria uma adição interessante ao quadro de funcionários do careca. 

 

Gerard Mousassi

Outro que impressionou em Oklahoma. Contra o duro kickboxer Mike Kyle, o armeno derrubou e amassou o bife até achar uma brecha pra finalizar no pescoço. Imaginem agora a divisão dos meio-pesados do UFC com Mousassi, Feijão, Glover, Rashad, Gustafsson, Henderson, Lyoto, Minotouro, Jon Jones, Sonnen, Rampage, Phil Davis, Shogun… Tá ruim?

 

Ronaldo Jacaré

Será que Jacaré recebe o valor merecido? Perguntei ontem. Ed Herman é um lutador mediano, sim, mas vinha de quarto vitórias nas últimas cinco lutas e já bateu Glover Teixeira, por exemplo. Mesmo assim, um passeio no parque por aqui. O manauara acertou bons golpes em pé, aplicou duas quedas lindas e quase quebrou o braço do ruivo com uma kimura – ainda no primeiro round. Jaca finalmente segue em direção ao maior palco do mundo. Que tal Alan Belcher recebê-lo?

Roger Gracie

Rojão parecia um sonâmbulo no primeiro round – afim de tudo, menos contato físico. No segundo, conseguiu se enroscar com Anthony Smith e derrubá-lo. Aí, um abraço, meu amigo. Estar por baixo de um decacampeão mundial de jiu-jítsu é caixão e vela preta. Em sua passagem pelo Rio, ele me disse que eram grandes as chances passar para o UFC, mas, não sei por que, não senti muita firmeza. Acho que competir de pano ainda lhe cativa. Vamos aguardar.

 

Outros vencedores da noite que devem ganhar uma vaga: Ryan Couture, Tim Keneddy, Pat Healy e Adriano Martins.

Perdedores que podem ganhar chance: Nate Marquardt e K.J. Noons.

 

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