Será que Jacaré recebe o valor merecido?

Renato Rebelo | 12/01/2013 às 15:55

Joey Villasenor decolando

Semana passada estava lendo um artigo no site americano Bloodyelbow.com que me fez parar para pensar.

O texto se chamava God of War: Ronaldo Souza” e contava a belíssima história de um menino de Manaus que superou a pobreza extrema para se transformar em um “Deus da guerra”.

A partir daí minha reflexão foi simples: qual outro lutador brasileiro pode dizer que foi um dos maiores nomes da história de uma arte marcial específica, conquistou um importante cinturão no MMA e ainda conta com um futuro promissor à frente?

Nenhum outro nome me veio à cabeça. O aluno de Henrique Machado, bicampeão mundial absoluto de jiu-jítsu, é ex-campeão do Strikeforce e já renovou seu contrato com a Zuffa por mais cinco lutas.

Mesmo assim, o passaporte carimbado para o UFC e a luta de hoje à noite contra o duro Ed Herman – que vem de quatro vitórias em cinco lutas- não receberam tanto destaque midiático mundo afora.

Até mesmo sua base de fãs no Facebook e no Twiiter é menor do que a de alguns ex-lutadores do primeiro TUF Brasil, por exemplo…

Estive semana retrasada na X-Gym para fazer uma matéria com o jovem promissor Warlley Alves e pude acompanhar uma manhã de treinos do réptil nesta reta final de preparação para o último evento da franquia de Scott Coker.

Primeiro, na parte em pé, com Josuel Distak, a velocidade e a potencia dos golpes eram tamanhas que cheguei a temer pelos ombros do treinador – que absorviam os impactos.

Eu e meu amigo Rodrigo Calazans -faixa-preta de jiu-jítsu e produtor de vídeos- , que me acompanhava na pauta, ficamos impressionados.

Bicho, se o cara não aguentar a mão pesada dele faz o que? Tenta botar pra baixo? – perguntou “Calaza”

Antes do segundo treino, bati um papo com outro membro da equipe – especialista em trocação – que, para minha total surpresa, lançou:

Cara, vou te falar, acho que trocar com ele é até pior, sabia? Só Deus sabe o quanto eu apanho aqui (risos).

Em seguida, Adrian Jaoude passou algumas posições e transições técnicas de wrestling para depois promover o famoso “Rei da Mesa”.

O monarca de Manaus, campeão do ADCC e também faixa-preta judô, botou seus colegas, um a um, de costas no chão e terminou a atividade no centro do tatame.

Juntando os pontos, por que um cara que no jiu-jítsu já bateu Bráulio Estima, Roger Gracie, Robert Drysdale, Marcelinho Garcia, Demian Maia, Fabrício Werdum, André Galvão, Fernando Margarida, Fernando Tererê… E tem um cartel de 16 vitórias e apenas três derrotas no MMA não é um outdoor ambulante de grandes empresas nacionais?

Jaca lançando o fomoso “gator walk” no Japão

Uns podem citar o jeitão mais calado e introspectivo ex-representante da ASLE, outros podem culpar a menor visibilidade do Strikeforce…

O fato dele ter se apresentado apenas seis vezes nos últimos três anos também não ajuda.

Não escondo que sou fã do Jaca – desde os tempos de mundial no Tijuca Tênis Clube.

Agora, com o ingresso no UFC ele, finalmente, tem a plataforma ideal para colher os louros de um passado hollywoodiano.

ATUALIZAÇÃO: Jaca tirou Herman para nada! Conectou bons golpes em pé, aplicou duas quedas plásticas e quase quebrou o braço do ruivo com uma kimura ainda no primeiro round!

 

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