Para o “Velho Leão”, em São Paulo, é matar ou morrer

Renato Rebelo | 04/01/2013 às 05:21

Encarada promocional de Belfort e Bisping

Vitor Belfort tem, indubitavelmente, uma das carreiras mais expressivas entre lutadores brasileiros de MMA.

Logo aos 19 anos, o musculoso garoto do Leblon, Rio de Janeiro, começou a fazer barulho ao abocanhar o torneio dos pesos pesados do UFC 12.

Em mais de 16 anos de carreira, seu espólio de guerra conta com cinturões dos meio-pesados do UFC e do Cage Rage.

Ah, também vale citar uma boa passagem pelo Pride (5v e 2d) .

Fora do octógono, ganhou notoriedade do “main stream” pelo relacionamento com Joana Prado, a “Feiticeira” – um dos maiores símbolos sexuais do início da década de 2000– e pela participação no reality show “Casa dos Artistas”– sucesso nacional em 2002.

Graças a seu carisma, imagem e boa oratória, Vitor foi, de fato, um dos primeiros lutadores a se desvencilhar daquele estereótipo ilustrado pelo personagem do “Massaranduba”, do humorístico Casseta e Planeta (algo como um pitboy bronco que só pensava em dar “porrada”). 

Recentemente, ainda comandou pós-Fantástico a vitoriosa equipe verde na primeira edição do TUF Brasil… 

Com tudo isso dito, mesmo um fã “hardcore” do “Jovem Dinossauro”, em análise fria, só vai encontrar uma vitória contra adversários top 10 em seu cartel (Randy Couture, no UFC 46, quando uma emenda da luva cortou o olho do americano em 49 segundos).

Forçando bastante a barra, dá para passar a derrota por decisão dividida para Tito Ortiz para a coluna da vitória (tamanho o garfo).

Todos os outros rivais bem ranqueados (Jon Jones, Anderson Silva, Dan Henderson, Alistair Overeem, duas vezes, Chuck Liddell, Sakuraba e o próprio Couture, também duas vezes) superaram o “Fenômeno”.

Os mais críticos ainda apontam as chances contra Anderson Silva e Jon Jones como furadas de fila históricas.

Amor ou ódio à parte, a verdade é que o popular Belfort, aos 35 anos, se encontra em uma encruzilhada.

O já concorrido peso médio do UFC ganhará, em breve, os reforços de Ronaldo Jacaré, Lorenz Larkins, Luke Rockhold, Tim Kennedy e Roger Gracie.

Se perder para o nada extraordinário Michael Bisping, voltar para o final da maior fila da história da divisão seria, no mínimo, desanimador.

Mesmo se triunfar no dia 19 de janeiro, o caminho ao topo promete ser espinhoso:

Se o Vitor ganhar, não enfrenta o Anderson. Ele foi nocauteado no primeiro round – disse o presidente Dana White.

Olhando para cima, a situação dos meio-pesados com Glover Teixeira, Rashad Evans, Shogun, Gustafsson, Dan Henderson, Phil Davis, Lyoto Machida e, possivelmente, Daniel Cormier,  é, como diria seu ex-parceiro de academia Wallid Ismail, “tempo ruim o tempo todo”.

Para um cara competitivo e financeiramente realizado como ele, lutar por lutar nessa altura do campeonato, sem metas reais e objetivos palpáveis parece não fazer muito sentido.

Posso estar enganado, mas se as coisas não ocorrerem como Zé Mário Sperry e o staff da Blackzilians planejam no UFC on FX 7, podemos ver o início do fim de um condecorado veterano e o nascimento de um promissor empresário em tempo integral.

Em São Paulo, é matar ou morrer para o “Velho Leão”. 

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