De olho no vice: os pontos altos do Bellator 146

Lucas Rezende | 21/11/2015 às 05:11

O penúltimo evento do Bellator no ano já foi para a conta em Thackerville, Oklahoma.

E junto com ele, entrou para a história mais um nocaute para o cartel do explosivo Melvin Manhoef, além do atropelo de Brandon Girtz sobre Derek Campos.

Guilherme Viana e Bubba Jenkins também deixaram a jaula com boas vitórias, então me acompanhem que eu explico tudo.

Como não enfrentar Melvin Manhoef

Melvin Manhoef tem mais de 20 anos de carreira e a essa altura todo mundo já sabe que para vencê-lo, basta evitar sair na mão com ele – principalmente no primeiro round – e buscar capitalizar no seu queixo frágil nos assaltos posteriores.

Aparentemente Hisaki Kato não recebeu o relatório e decidiu cair dentro do tiroteio e desabou perante o holandês. E no primeiro assalto que ele já estava ganhando só com boa administração de golpes.

Graças ao descuido, o até então invicto Kato bagunça a tabela dos médios, pois se vencesse Melvin Manhoef após seu nocaute inesquecível sobre Joe Schilling, seria a escolha óbvia para uma disputa de cinturão contra Rafael Carvalho.

Manhoef vem de duas derrotas por nocaute, embora a última tenha sido transformada em No Contest e não tem argumento tão forte para agarrar um title shot. A não ser, é claro, o fato de se chamar Melvin Manhoef.

Fulminante

Já que o campeão também é um striker, pode ser que nos surpreendamos novamente. Embora eu duvide fortemente.

Pobre Derek Campos. Após ser rapidamente finalizado por Michael Chandler, o rapaz ganhou de recompensa um Brandon Girtz embalado por seu triunfo sobre Melvin Guillard.

Embalado, mesmo, pois deitou Campos em apenas 37 segundos e ainda encerrou com umas das marretadas mais violentas que testemunhei ultimamente.

Dada a pouca profundidade do plantel do Bellator, ele não pode estar longe de uma disputa de cinturão, a não ser que Josh Thomson vença sua próxima luta, porque aí não tem como combater, né
Girtz?

Evoluído

Talvez você lembre de Jordan Parsons como o homem que acabou com a sequência de 30 vitórias seguidas de Júlio César Morceguinho, mas contra Bubba Jenkins, não deu.

Pudera, Jenkins não só é campeão da primeira divisão da NCAA como demonstrou evolução nítida em seu jogo em pé, um fator claramente subestimado por Parsons, que quase lhe levou a nocaute quando Jenkins aterrissou um chute alto no meio do segundo round.

Apesar do triunfo claro, algum jurado ainda compreendeu que Parsons pudesse ter vencido, maculando como uma perfeita vitória por decisão unânime, para Bubba, como decisão dividida.

Alcançando seu décimo triunfo da carreira e nona aparição no Bellator, ainda pode ser cedo para arremessar Bubba para o campeão Daniel Straus, mas se o desenvolvimento continuar como pude ver hoje, logo mais poderá dar trabalho na categoria.

Aposentado em atividade

O que Houston “Damon Wayans” Alexander ainda faz lutando aos 43 anos de idade, realmente não sei. Mas que está mais do que claro que ele não deveria, isso está.

E olha que o Guilherme Viana nem soltou completamente seu jogo. O pupilo de Pedro Rizzo e ex-sparring de Glover Teixeira bambeou o veterano no primeiro round e novamente no segundo, abrindo-lhe uma coleção de talhos pelo rosto que pintaram o piso da arena de vermelho, mas não conseguiu puxar o gatilho para despachar Alexander de uma vez.

Sem problema, o médico da casa fez por ele e Houston fora impedido de retornar ao terceiro assalto tamanha profundidade de seus ferimentos. Melhor para ele, que só levaria mais danos desnecessários caso voltasse à luta.

Espero que tenha lhe servido de lição para nunca mais pisar em nenhum ringue na vida.

Infelizmente para Viana, aquele nocaute para entrar nos highlights não veio dessa vez e seria bom para apagar uma derrota por decisão para Francis Carmont em sua estreia na arena circular, mas será um bom reforço para a também devastada categorias dos meio-pesados do Bellator.

Outros Resultados:

Chidi Njokuani venceu Ricky Rainey por decisão dos jurados
Stephen Banaszak finalizou (guilhotina) George Pacurariu no R1
Francisco France finalizou (mata-leão) Ben Reiter no R2
Julia Budd venceu Roberta Paim Rovel por decisão dos jurados
Andre Chatuba venceu Josh Neer por decisão dos jurados
Arlene Blencowe venceu Gabrielle Holloway por decisão dos jurados
Alonzo Menifield nocauteou Zach Rosol no R1

  • Thiago de Carvalho

    Houston Alexander tomou cada pedrada na face e ficou em pé. Só o corpo estava ali pq a alma desse sujeito já estava do lado de jesus…

    • Renato Rebelo

      O Houston e o Melvin, aliás, são condidatíssimo a uma velhice complicada…

    • Lero

      Pelo contrario…

  • Gutierres Nascimento

    Ben Reiter bem que podia ser o primeiro desafiante no peso médio, lutou no mesmo evento, invicto e tem três vitórias seguidas. Halsey vs Manhoef em uma eliminatória me agrada bastante. Chandler vs Girtz em caso de vitória do Thomsom também seria uma ótima eliminatória pra ver quem é o próximo. O peso pena do Bellator continua sendo a melhor categoria da organização, e agora deu uma renovada, saíram alguns bons nomes mas chegaram outros, e uns prospectos começam a entrar no eixo.

  • Jonas

    Não conhecia esse brasileiro Guilherme Viana. Tem chance de ser campeão? Parece bom…

    • Renato Rebelo

      Pupilo do Pedro Rizzo de longa data, gaúcho que se destacou no cenário nacional. Se portou bem contra um veterano de mão pesada. Vale ficar de olho

      • Laerte Viana Venâncio Alves

        Ele perdeu para o Cara de Sapato na luta eliminatória do TUF 3. Se não tivesse tido “azar” de pegar o futuro campeão logo na primeira luta, poderia ter entrado pra casa e, quem sabe, ter recebido a chance no UFC, assim como outros que participaram do TUF.

        Só achei que ele era peso médio, não meio pesado. Pode vir a ser um bom nome pro Brasil nessa categoria, Renato? E mais, você acha que ele se viraria no UFC? Tipo beliscar um top 15, talvez. A categoria é tão rasa, que porque não, né..

        • Renato Rebelo

          Bela lembrando, Laerte. Ele tem 29 anos e parece ter se recuperado bem da derrota pro Carmont

  • Maxsupremo

    Gosto do Manhoef,não levem a mal, mas como Hisaki Kato conseguiu cair pra ele?! é maior com mais envergadura e mais técnico, e caiu na armadilha de trocar no pocket com o cara, mesmo sabendo que o Manhoef baixa de qualidade no 2º round e tem queixo de vidro.

    Sinceramente gostaria de ver uma superluta no Rizin, Wand vs Manhoef, seria uma porradaria das boas. Bellator tem feito alguns eventos bons, mas o plantel é pequeno, acho que eles deveria contratar mais brasileiros e russos, na polônia também anda aparecendo bons atletas.

    • Renato Rebelo

      Eles entraram nessa – se rechearam de russos-, o prob é que os caras são anônimos e sob a tutela do Coker o que vale é ter garrafas a vender

  • Guilherme Till

    Boa materia! O Melvin sempre entra pra da show ganhando ou perdendo sempre representa. Torço pra q seja campeao

  • KRS Porlaneff

    Hisaki Kato jogou fora a melhor chance que tinha de chegar na disputa de cinturão ainda esse ano – pra luta ser marcada pro ano que vem, no caso.

    A sorte dele é que a MW do Bellator está estagnada e faltando bons nomes, e com uma vitória impressionante na sua próxima luta igual foi contra o Joe Schilling, é capaz dele já conseguir TS.

    Principais nomes da MW do Bellator hoje: o campeão, Manhoef, Kato, Neiman Gracie que tá lutando “uma vez por ano”, Joey Beltran que já ganhou uma e perdeu uma, Dan Cramer, Neal Ewing com só uma luta no evento, Brian Rogers e Brandon Halsey que vão tentar a sorte na LHW, Doug Marshall e Shlemenko que além dos problemas com doping já não são a mesma coisa… e uma turma desconhecida.

    Ou seja, se na próxima luta o Kato não for “suicida” igual sexta, logo ele tem um TS.

    PS: achei a interrupção do Big John errada e prematura.

    • Renato Rebelo

      Pra vc ver como tá rasa a categoria. Nem o Neiman tem mais – migrou para os meio-médios. Sendo que o cara tem só três lutas profissionais.

    • Lero

      Cara, o japa caiu desacordado no chão. No começo eu achei o mesmo, mas depois de assistir o replay, acredito que ele acordou quando bateu a cabeça no chão.
      Foi nocaute mesmo. Foi mais do que uma apagadinha relâmpago tipo Anderson vs Weidman 2 ou Melendez no final da luta contra Diego Sánchez.

  • pablomaz

    Pessoal, novato na área. Como se assiste o Bellator estando no Brasil? Abs

  • Lero

    Até agora tive tempo de assistir. Meus dois iuanes:
    -Sato não estava invicto…. Ele se empolgou demais pelo nocaute contra o Schilling, e esqueceu que esse nocaute chegou porque ele já tinha ameaçado ele com quedas no começo da luta.

    – Eu marquei empate a luta do Buba: primeiro e terceiro round para o Parsons e 10-8 i segundo round para o Jenkins.
    -Eu não assisti a luta do Carmont vs o gaucho. Foi passada de carro?

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