UFC 155: procurando chifre em cabeça de cavalo

Renato Rebelo | 30/12/2012 às 17:23

Cigano no hospital pós-luta (foto: Marcelo Russio, SporTV.com)

Este humilde e inexpressivo jornalista que vos fala já havia alertado que botar uma grana em mais um soco na têmpora no primeiro round era quase utopia (confira aqui).

De modo algum quero me gabar de um prognóstico mais ou menos acertado, aliás, era até bem seguro – analisando friamente e transpondo a barreira nacionalista- apontar Cain Velásquez como a maior ameaça viva ao reinado de Júnior Cigano.

Absolutamente nada do que aconteceu ontem pode ser considerado chocante ou imprevisível – nem a bomba no queixo que mudou o rumo da prosa no primeiro round.

Ora, a maior preocupação de Cigano era o ground and poud, certo? Quando o desafiante entrou em seu raio de ação, o modo “defesa de quedas” foi acionado. 

Aí entra o dilema: manter a guarda alta ou abaixar as mãos para defender as pernas?

Nesse meio termo, entrou no queixo uma tijolada de um peso pesado que nocauteou 9 das 11 vítimas que fez na carreira.

Brock Lesnar, Minotauro, Pezão e cia podem nos falar sobre a leveza da mão do descendente de mexicanos…

A partir daí o barraco desabou. Grogue e com o gás minado, Cigano virou presa fácil do Jon Fitch de 110kg – que fez o que sabe fazer de melhor: moer carne humana.

O doloroso é ver uma enxurrada de dedos apontados para o catarinense, nascido em Caçador, pós-luta. Nós, brasileiros, temos uma deficiência boçal no quesito “saber perder”.

Por que não reverenciar a bela atuação do açougueiro da AKA?

Separei  oito pérolas com que me deparei nas redes sociais:

  1. O impressionante ground and pound do latino

    1-    A luta certamente foi comprada

  2. 2-    Quem o Cigano pensa que é para abaixar a guarda? Ele não é Anderson Silva.
  3. 3-    No aguardo para que Cigano revele ter lutado com alguma lesão que explique a derrota
  4. 4-    Enquanto treinar no Brasil, esse cara nunca vai ser o melhor
  5. 5-    O sucesso subiu à cabeça e o cara não treinou como deveria
  6. 6-    Tá provado que na primeira luta foi golpe de sorte
  7. 7-    Esses 4kgs extras de massa muscular acabaram com o gás do Cigano
  8. 8-    Certamente a perda do vôo na semana da luta atrapalhou o Cigano

Sabe aquele imediatismo cego? Fujam da Matrix, pessoal. Cigano estava confiante, na melhor forma física da carreira e com o jogo do rival estudado.

Foi superado por um monstro do pântano que se dedicou tão intensamente quanto.

Como o destino sorriu para o brasileiro no UFC on Fox 1, ontem deu tudo certo para o americano.

É iminente o reencontro dos dois melhores pesos pesados do mundo. A única dúvida é se o comedor de carne de cavalo Alistair Overeem atrasará ou não a realização da trilogia.

Resumindo: boa recuperação ao pupilo de Luis Dórea, que certamente voltará a deixar corpos estirados no octógono, e parabéns ao novo-velho detentor do cinto dourado.

Abraços. 

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