Atacando de Joe Silva:
lutas a casar pós-UFC 237

Thiago Sampaio | 13/05/2019 às 13:04

Não sou o Donald Cerrone que aceita desafios a qualquer momento e fatura alto por isso, mas aqui estou após ser convocado para novamente substituir o meu amigo Laerte Viana, titular desta coluna, para imaginar o futuro de alguns atletas que tiveram no UFC Rio 10.

O UFC 237 por pouco não terminou com clima de velório para os que foram para a Jeunesse Arena no último sábado (11), no Rio de Janeiro, para torcer para os brasileiros e vaiar os estrangeiros (até quando?!).

Nas 13 lutas, apenas seis atletas brazucas saíram vencedores. Acontece que três deles foram em duelos diretos com compatriotas. Ídolos perderam e os visitantes fizeram a festa, mesmo sem atuações de fazer cair o queixo.

Quem garantiu a festa no final foi Jéssica “Bate-Estaca” Andrade, que conseguiu uma vitória arrasadora, de virada, se sagrando campeã. Agora, ela se junta a Amanda Nunes como as detentoras de cinturões do Brasil.

E chega de enrolação e vamos lá!

Jéssica Bate-Estaca x Tatiana Suarez / Nina Ansaroff

Não poderia ter sido mais simbólica a forma como Jéssica Andrade viria a conquistar o título do peso palha feminino: nocauteando com um Bate-Estaca, o apelido que ela carrega.

Ficou bem clara a disparidade técnica entre as lutadoras, pois Rose Namajunas estava dominando a luta com contragolpes precisos e uma movimentação quase de bailarina. Parecia que seria um passeio. Mas Jéssica venceu da maneira que melhor sabe que é brutalizando.

Para a primeira defesa de título, está um tanto claro que o desafio entre Tatiana Suarez e Nina Ansaroff, que acontece no UFC 238, dia 8 de junho, é um title eliminator. Quem vencer, é a próxima da fila.

E que classe da Thug Rose mesmo após a derrota!

Pelo nível que ela tem, deve voltar a ter uma nova chance pelo título se vencer mais uma. Uma revanche dela com Jéssica não seria nada ruim! Passando talvez por uma eventual revanche com Carla Esparza ou Cláudia Gadelha (se vencer Randa Markos), ela merece.

Jared Canonnier x Ronaldo Jacaré

O tempo é cruel para esportistas. Após a excelente atuação contra Israel Adesanya, Anderson Silva, aos 44 anos, mais uma vez vinha bem contra o limitado Jared Cannonier. Provavelmente o Spider levaria o primeiro round se não tivesse ocorrido outra fatalidade. Mas ocorreu.

Bastou um chute no joelho para que o ex-campeão sentisse uma lesão recente (não aquela da segunda luta contra Chris Weidman), caísse em desistência e saísse do octógono mancando e gritando de dor. Cena triste de ver.

Debaixo de vaias após provocar a torcida com um nocaute esquisito, Canonnier nada tem com isso e crava a vitória mais importante da carreira. Na 10ª posição do ranking, deve subir alguns degraus para o próximo desafio.

Ronaldo Jacaré, que se encontra num limbo após a última derrota e deve buscar lutar e vencer o quanto conseguir se ainda quiser sonhar com um quase folclórico title-shot, é o nome ideal para ambos.

Quanto a Anderson, rever a decisão de encerrar a carreira é questão de lógica. Receber uma luta vencível na próxima, como Elias Theodorou ou até mesmo Tim Boetsch ou Sam Alvey, e talvez encerrar com o braço erguido, pode ser uma boa ideia.

Alexander Volkanovski x Max Holloway

Não foi nenhum show de atuação, mas Alexander Volkanovski fez o suficiente para vencer José Aldo. Com uma força física impressionante para a categoria até 66kg, aplicou golpes mais potentes, levou para a grade quando precisou e levou a melhor nas papeletas.

O triplo 30×27 pode ter soado como exagero para muitos, mas não é nenhum absurdo. Teve gente dando até 29×28 para Aldo, mas aí sim seria um típico garfo caseiro.

E vencer Aldo é um passaporte mais do que carimbado para a disputa de cinturão. Então, não tem outra saída. O australiano é o próximo desafiante de Max Holloway, que busca se recuperar do revés para Dustin Poirier na categoria de cima.

Falando no “Mais Forte Que o Mundo”, José não lutou mal, mas esteve bem menos agressivo do que nos dois duelos anteriores. Muito passivo, não parecia com tanta vontade de estar ali.

Resta apenas uma luta no contrato do ex-campeão. Após essa derrota, fica a interrogação se ele terá ânimo para renovar. Sem maiores pretensões, se jogarem um Cub Swanson ou Michael Johnson para ele brincar na despedida não seria tão ruim.

Laureano Staropoli x Nordine Taleb

Tivemos Brasil x Argentina no UFC Rio 10 e foi o hermano quem levou a melhor. Laureano Staropoli, com apenas nove lutas como profissional, conseguiu o melhor resultado da carreira ao bater Thiago Alves, que apesar de estar em nítida decadência, ainda é um nome relevante.

O argentino é um típico brigador, alto e com uma envergadura que o favorece. Deve ser aquele cara escolhido para proporcionar lutas animadas. Ainda não foi testado em alto nível na luta agarrada e isso deve demorar para acontecer.

O francês Nordine Taleb (vulgo “segurança do Neymar“), que se recuperou de duas derrotas com um triunfo por decisão sobre o estreante Kyle Prepolec, também gosta de trocar pancadas em pé, tem mais experiência e pode garantir uma boa diversão.

Quanto ao Pitbull, o rendimento não é mais o mesmo há muito tempo e o estilo de luta agressivo pode ter antecipado um fim. Ele já tem um cargo de treinador na American Top Team, não precisa esta levando golpes na cara, mas diz que ainda faz isso por diversão. Vai entender!

Mas sabemos que, independente do resultado, ele sempre garante emoção em suas lutas, com coração de sobra. Se o também veterano Matt Brown voltar algum dia, deixem eles se digladiarem!

Irene Aldana x Macy Chiasson

Bethe Correia falou muito que estaria voltando para balançar a divisão dos galos, mas não bateu o peso por mais de 2kg e ainda foi finalizada no terceiro round pela mexicana Irene Aldana, que por sua vez, engrena a terceira vitória consecutiva.

Aldana já teve muito altos e baixos, sempre escorregava quando recebia um desafio mais alto, mas parece ter se encontrado e vive boa fase. Macy Chiasson, campeã do TUF 28 (lutando como peso pena) e invicta em cinco lutas (só uma delas vencida por decisão), seria um bom desafio.

Agora, Bethe está com apenas uma vitória nas últimas seis lutas e está com o emprego na balança. Não deve ser demitida agora, mas o alarme já foi ligado.

Fato é que a brasileira tem um jogo bem previsível com seu boxe mediano. Aquele title-shot contra Ronda Rousey foi algo extremamente providencial na época. Uma luta contra a compatriota Talita Bernardo, agora 1-3 no UFC, pode ser oportuna para garantir o emprego para a vencedora.

Casamentos extras:

  • Numa noite cheia de clamores por aposentadoria, Rogério Minotouro, aos 42 anos, não justificou a razão de estar em atividade. Foi derrubado por Ryan Spann, escapou de ser finalizado, mas em pé, onde no auge ele seria superior, foi nocauteado em apenas dois minutos. Spann entra então no estágio de visibilidade por ter vencido um nome grande, apesar de ultrapassado. Já pode pegar na próxima Misha Cirkunov, número 14 do ranking, mas que está 1-3 nas últimas lutas.
  • De novo, Serginho Moraes pagou o preço por acreditar plenamente que é um ótimo striker! Apesar de também ser oriundo do jiu-jítsu, Warlley Alves mostrou que é mais polido em pé, apagou o compatriota com uma bela joelhada seguida de socos e ainda foi para casa com o bônus de Performance da Noite. Um duelo contra Sean Strickland, um trocador bem técnico e que não é leigo no solo, seria interessante.
  • Coloquem B.J. Penn num cubículo e proíbam ele de lutar, por favor! Está feio faz tempo! São sete derrotas em seguida! Até quando ele não perdeu de maneira rápida e teve uma apresentação bem melhor do que as anteriores, não conseguiu acompanhar o cardio infinito de Clay Guida, perdendo por decisão. O Capitão Caverna segue naquela categoria do veterano que aqui e acolá ainda mostra que tem lenha para queimar. Mesma situação de Jim Miller. Um duelo inédito entre esses mitos cai como uma luva!
  • Uma pena que a luta contra Said Nurmagomedov não aconteceu, mas Raoni Barcelos fez a sua parte e passeou em cima de Carlos Huachin, nocauteando no segundo round. Já são três vitórias no Ultimate, todas pela via rápida. Se mantendo nos pesos galos, onde lutou nas últimas duas vezes, não seria nada mal um confronto contra o bom wrestler Ricky Simon, que estava ranqueado até pouco tempo. Uma remarcação da luta contra Said também seria vista com bons olhos.
  • Que atuação impressionante de Viviane Araújo (que não é a ex-namorada do Belo)! Aceitou a luta com apenas quatro dias de antecedência para lutar como peso galo, duas categorias acima da dela, mas ainda assim dominou Talita Bernardo, arrancando o nocaute no fim do terceiro round. Fica a curiosidade sobre como ela vai se sair no peso palha. Um confronto contra a também brasileira Lívia Renata Souza pode ser esse termômetro.

Amigos, me ajudem com os destinos de Rogério Minotouro, Carlos Huachin, Luana Dread, Priscila Pedrita, B.J. Penn, Serginho Moraes, Thiago Moisés, Kurt Holobaugh e companhia? Simbora!

  • Luiz Antonio Felisberto

    Casamentos tops, quase não mudaria nenhum talvez o do Warley que poderia pegar o perdedor de Magny x Luque, ou até o Chiesa.
    Acho que a derrota do Aldo foi muito mais pelo excelente jogo do Volka ao misturar as ações de forma rápida com uma movimentação constante e cardio infinito. Achei top demais. Eu se fosse o Aldo agora, marcaria uma luta já para agosto, renovaria por 4 lutas e faria outra luta em novembro, sendo assim vencendo duas, ficaria novamente a uma ou duas lutas da cinta novamente, tipo como o Rafael dos Anjos fez depois que perdeu para o Ferguson, junta os cacos e joga pra cima pois acho que é o tipo de derrota que traz motivação, se for bem aproveitada.
    Que tal?

    • Thiago Sampaio

      Faz sentido. Mas tenho minhas dúvidas se o Aldo tem motivação para uma nova corrida pelo cinturão.

      • Luiz Antonio Felisberto

        Eu acho que tem sim. Acho até que pode rolar uma renovação por 4 lutas contando a próxima, afinal não foi uma derrota que abale como as anteriores, foi uma derrota que deve fazer um pequeno ajuste, pois nessa luta era para chutar.Sem contar que ele foi para o 3ºround confiando que estava vencendo pois o DÉDÉ disse que estava 2×0(????) , sendo que na minha contagem estava 1×1.

  • Francisco Borja

    Jéssica Andrade x vencedora de Tatiana Suarez x Nina Ansaroff
    Rose Namajunas (se não aposentar) x Weilli Zhang
    Jared Cannonier x Ronaldo Souza
    Anderson Silva (se não aposentar) x Uriah Hall
    Alexander Volkanovski x Max Holloway
    José Aldo x Conor McGregor II (Uma money fight na última luta da carreira não faz mal a ninguém… Grana White curte, inclusive)
    Laureano Staropoli x Tim Means
    Thiago Alves x Ben Saunders (RH eliminator e se dependesse de mim, os dois já tavam na rua)
    Irene Aldana x Marion Reneau
    Bethe Correia x RH
    Ryan Spann x Ivan Shtyrkov
    Antônio Rogério Nogueira x Magomed Ankalayev (Se o eu matchmaker fosse baseado em minhas próprias vontades e não por critérios do que eu acho que é mais provável/possível do UFC fazer, era RH por idade excessiva pro Minotouro)
    Thiago Moisés x Eric Koch
    Kurt Holoubaugh x RH
    Warlley Alves x Sean Strickland
    Sérgio Moraes x Dwight Grant
    Clay Guida x Eric Wisely
    B.J Penn x RH
    Luana Carolina x Nadia Kassem
    Priscila Cachoeira x RH
    Raoni Barcelos x Said Nurmagomedov
    Viviane Araujo x Paige VanZant
    Talita Bernardo x Melissa Gatto

    • Thiago Sampaio

      Boas lutas, mas acho que Aldo x McGregor II já perdeu totalmente o timing e o brasileiro seria o único interessando para que ela acontecesse.

      • Francisco Borja

        É, fazer essa luta agora não teria sentido nenhum em questões técnicas e de andamento da categoria dos leves, que inclusive, já passou bastante tempo parada… Porém, o Conor tá oficialmente sem par depois que casaram Nate Diaz x Anthony Pettis (que casamento non sense) e o Aldo toda hora diz (ou dizia) que quer se testar como peso leve. Já que ele quer parar, não tem hora melhor pra se testar de leve do que agora, não tem mais nenhum compromisso com disputar o cinturão mesmo…

        Eu acharia uma verdadeira merda Conor x Aldo II rolar, mas também, antes isso do que sei lá, Aldo x Al Iaquinta ou Aldo x Zabit ou até mesmo uma luta Aldo x Mirsad Bektic

  • Alyson D’Gramont

    – Jéssica Bate-Estaca x vencedora de Tatiana Suarez x Nina Ansaroff
    – Rose Namajunas x perdedora de Tatiana Suarez x Nina Ansaroff
    – Jared Cannonier x Jack Hermansson
    – Anderson Silva x Mauricio Shogun (luta nos meio-pesados)
    – Alexander Volkanovski x Max Holloway
    – José Aldo x Anthony Pettis (luta nos leves)
    – Irene Aldana x Sara McMann
    – Bethe Correia x perdedora de Tonya Evinger x Lina Länsberg
    – B.J. Penn x Renan Barão (luta nos penas)
    – Clay Guida x Jim Miller
    – Warlley Alves x Li Jingliang
    – Sérgio Moraes x Keita Nakamura
    – Laureano Staropoli x Bryan Babarena
    – Thiago Pitbull x Zak Ottow

    • Thiago Sampaio

      Gosto de Warlley x Li Jingliang! Aldo x Pettis seria ideal, mas o Showtime já está casado para enfrentar o Nate Diaz no UFC 241.

      • Alyson D’Gramont

        Eu acredito tanto que a luta do Anthony Pettis contra Nate Diaz vai acontecer quanto eu acredito na grávida de Taubaté.

        • Thiago Sampaio

          De fato, não dá para confiar em nenhum anúncio envolvendo o Nate Diaz. Aliás, nem ele e nem o Nick.

  • Renato Elyone
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