Pensando alto: a análise
informal do UFC Milwaukee

Lucas Rezende | 16/12/2018 às 02:25

Adeus, Fox. Foi bom enquanto durou. Mas nem tanto.

Sete anos após Júnior Cigano destronar Cain Velásquez em 64 segundos, no primeiríssimo card sediado na titã da televisão americana, o octógono se despediu do acordo com a emissora neste 15 de dezembro, em Milwaukee, nos Estados Unidos.

Terra da cerveja artesanal e dos irmãos Pettis, a capital do estado de Wisconsin ofereceu de tudo neste evento com clima de despedida, no frio dezembro do meio-oeste norte-americano. Desde combates enfadonhos, à duelos energéticos e até surras imperdoáveis.

Cortesia de alguns nomes como os de Edson Barboza, Al Iaquinta, Rob Font e Charles Oliveira, temos muito o que discutir sobre o UFC on Fox 31. Me acompanhem.

Dois a zero para o Furioso Al

Quase cinco anos após o primeiro encontro Al Iaquinta e Kevin Lee, o nova-iorquino não apenas comprovou que não venceu, em 2014, graças à imaturidade do oponente, como ainda aproveitou para se solidificar como um dos cinco melhores pesos-leve do planeta.

Lee acreditou nas mãos, talvez até demais, e lhe deixou escapar algumas oportunidades de sacramentar o duelo no início, quando é mais forte, permitindo o ítalo-americano prosperar e virar a contenda nos combates finais.

Equilibrados, ambos trocaram golpes e também investidas de queda ao longo dos vinte e cinco minutos, mas a durabilidade de Iaquinta, que chegou a sobreviver cinco assaltos contra Khabib Nurmagomedov, com apenas um dia de aviso prévio, se provou demais para os ataques de Kevin, que parece debilitado demais para permanecer entre os leves com sua figura massiva demais para o corte até os 70 kg.

De braço erguido e sua única derrota nas últimas sete lutas sofrida para ninguém menos que o atual campeão, Iaquinta, como quem não quer nada, garante seu lugar entre a elite da categoria, numa trajetória improvável, mas inegável.

Deu pena

Brian Ortega, a eternidade da surra que Max Holloway lhe deu durou somente uma semana. Abra alas, pois lhe apresento Dan Hooker, a esponja humana.

Rendido pelos chutes baixos de Edson Barboza desde o primeiro assalto, o neozelandês ofereceu pouco mais do que o sorriso de um menino com um sonho de ser campeão e muito, muito, até demais, poder de absorção.

Serviço completo, o carioca fez questão de surrar Hooker nas pernas, no torso e na cabeça equivalentemente, testando a resistência do adversário em todos os aspectos, que, por sua vez, foi aprovado em todos os exames com louvor, ainda que, após dado momento, eu já desejava que Hooker simplesmente despencasse ao chão e de lá não se levantasse mais.

Então, quando enfim meu desejo foi atendido, pareceu até tarde demais. Hooker implodiu, como se o cérebro desligasse a chave geral à força, e o combate se encerrou por falta de alternativas, na metade do terceiro assalto.

Exceto o açoite com requintes de crueldade, foi uma performance irretocável do brasileiro, que retorna ao caminho da vitória após duas derrotas avassaladoras. Exatamente como Edson precisava para recomeçar uma nova jornada ao título. Mas será que ainda tem chances?

Não há saída para Sergio Pettis

Travado entre uma divisão fadada à dissolução e outra simplesmente grande demais para que possa competir em pé de igualdade, o menos brilhante dos irmãos Pettis não tinha outra escolha senão morder o protetor bucal e encarar os galos com nada além de muita valentia.

Infelizmente, apenas essa bravura não lhe salvou da boçal disparidade de envergadura entre Sergio Pettis e o adversário, Rob Font.

Vítima de consecutivos jabs durante todo o decorrer do combate, Pettis não teve resposta para os ataques compridos do adversário, que lhe encostavam antes dos próprios golpes encontrarem o alvo do lado de lá.

Um retorno difícil à categoria dos galos, principalmente em frente ao público de casa. Após quinze minutos de frustração e angústia para o ex-mosca encurralado, não houve surpresa alguma quando Sergio teve de assistir o árbitro erguer a mão de Font, declarando a derrota por decisão unânime.

Sem ter para onde correr, é hora de repensar os próximos passos e urgentemente encontrar algum local ainda inexplorado dentro de seu arsenal antes que fique para trás terminantemente.

A luz no fim do túnel, entretanto, é que Sergio ainda tem apenas 25 anos e possui tempo de sobra para realizar esta auto-avaliação.

A balada de Charlinho

Que derrota para Jim Miller? Francamente, o primeiro embate entre Charles Oliveira e o veterano do peso-leve ocorreu há tanto tempo que desconfio que o paulista sequer se recorda da ocasião.

Brinco, é lógico, pois tenho certeza de que a chave-de-joelho que custou o combate para o brasileiro em dezembro de 2010, há exatos oito anos, ainda deve ser fresca na memória de Charlinho.

Afinal de contas, Miller foi o primeiro homem a superá-lo em sua carreira.

Em Milwaukee, no entanto, pudemos conferir a evolução do brasileiro em primeira mão. Não apenas técnica, mas também a física, além da rapidez de raciocínio que apenas a maturidade e a experiência de quem pisou no octógono mais 20 vezes desde então pode proporcionar.

Oliveira cravou Miller no chão ainda nos primeiros segundos e, astutamente, avançou posições até envolver o pescoço do americano, sem oferecer escapatória.

A face avermelhada e as veias saltadas de Jim entregaram logo, o fim viera ainda mais depressa do que no primeiro encontro.

O que Miller realizou em 119 segundos, Charlinho devolveu em 75. Com ponto de exclamação!

Menções honrosas

  • Joaquim Silva ensina a não julgar alguém pelo nome. Contra Jared Gordon, o querido Neto BJJ assegurou sua sexta vitória por nocaute, e talvez a mais emblemática até então. Se a intenção era ser memorável, o brasileiro voltará para casa com sensação de missão cumprida, pois a imagem do norte-americano desacordado, suspenso de pé apenas pelo suporte da grade do octógono, após repetidos murros desferidos pelo goiano, não abandonará as lembranças de ninguém tão cedo.
  • Apresentação primorosa de Jack Hermansson. Confiante e seguro de si, o sueco-norueguês arrastou Gerald Meerschaert até o solo e fez o que bem entendeu. Entre cotoveladas na orelha e inúmeras passagens de guarda e montadas, o europeu foi senhor do combate do gongo inicial até a guilhotina que forçou seu adversário a desistir do duelo ainda no primeiro assalto.
  • Lento apenas no apelido. Mike Rodriguez tapeou Adam Milstead ao ostentar um apelido tão enganoso e garantiu sua primeira vitória dentro do octógono de modo matreiro, subvertendo expectativas. Assim como em sua exibição no Contender Series, o norte-americano encontrou o queixo do oponente com uma joelhada aterradora ainda no primeiro assalto e, agora sim, devidamente ingressa a categoria dos meio-pesados.

 

  • Tatumineiro

    Aqui de casa eu sofri ao ver o açoite desferido por Edson. Ver o médico perguntar a opinião do Hooker e deixá-lo voltar à sessão de descarrego foi chocante. O árbitro central também cheirava enxofre, pois não acredito que un humano deixaria o massacre chegar a esse nível. Dana White foi imediatamente ao vestiário acompanhar sua ovelha, atitude exemplar, já nossos comentaristas do alto das suas habilidades disseram “Dana está indo entregar o bônus” me senti envergonhado.

    • Mauro

      Foi é ver se está tudo bem, ver se o cara precisa de alguma coisa, dar um auxílio moral e sim financeiro para necessidades. Enquanto nossos comentaristas pensam bobagem.

  • Mauro

    Hooker= ótima resistência. Punch baixo. Acertou bons socos limpos na face de Edson, mas sem potência alguma.
    Al Iaquinta= mão pesada. Uma luta com Poirier viria a ser interessante. Ainda temos Gaetjhe ou o próprio Edson.
    Bronx= para Bronx! Você venceu um velho! Um velho que está bem longe do auge. É como dizer que Ortiz devolveu as derrotas para Liddell. Quando os dois eram jovens, vimos quem venceu.

    Outra importante observação: Dana. Acompanhar seu funcionário até o bastidor foi muito bonito.

    • Yuri

      Cara, o Bronx tem 29 anos! Acho bem diferente de Ortiz x Liddell. Jim Miller mesmo velho ainda é um casca grossa, acredito eu.. Mesmo que bem menos do auge dele. Acho que o Bronx pode pegar uns caras mais tops da categoria, amadureceu bastante.

    • Douglas Karpinski

      com relação a essa luta do charlinho, eu discordo da sua opinião, vou dizer pq, primeiro que o Miller tava inteiro, com gás, não importa se o cara é velho, na primeira oportunidade, no primeiro encontro ele ja botou o cara pra baixo e com maestria, Miller não é nenhum bobo na arte suave, ok que o americano não esta no auge, mas não desmereça e não compare com ortiz que fica sem cabimento, de resto concordo com vc! abraço Brother!!!

  • Luciano Silas

    previsivel,lee superestimado e sua trocação bisonha

    Ps: 10x melhor apanhar como o ortega apanhou do que como o Hooker,ortega ja deve ta bom essas horas e o hooker vai ter dificuldade pra dormir durante uns 2 meses

  • Pedro Henrique P. Costa

    Fiquei surpreso quando o Edson na posição de guardeiro tentou uma omoplata, fiquei muito surpreso!!!! AHHUAHUAHUA

  • Pedro Henrique P. Costa

    Gostei da nova postura do Esdon depois do primeiro camp na ATT, ele me parecia diferente, mais agressivo, mais striker.

    Alex Davis é muito esperto, ele quase nunca traduz com as mesmas palavras que os lutadores dizem nas entrevistas no octógono, esse cara é macaco velho, deve saber tudinho o que fazer pra conquistar o patrão Grana White! HAHAHAHA

  • Yuri

    A impressão que o Barboza dá é que se ele melhorasse seu gás e defesa de quedas ele seria imparável.

    • Pedro Henrique P. Costa

      O cardio dele é ótimo, ele se cansou por causa dos golpes que recebeu e minam muito a resistência do lutador.

  • Douglas Karpinski

    Dan Hooker usou a pior estratégia, o cara é mais novo, maior envergadura, querer trocar com um dos melhores striker da categoria, mano, Barbosa é pressão, wrestler, jogar pra baixo e amassar, ele perdeu o primeiro round que ainda estava com gás por ficar nessa de trocar porrada, estratégia ridicula….

    Charlinho nessa categoria ta muito melhor, e mano, o cara é friu, levantou, retirou a perna de apoio do miller com calma ai botou pra baixo pra dificultar a defesa, melhor jiu jitsu hoje no ufc é dele… foi engraçado o Cormier quando viu o charlinho na costa ja gritando que havia acabado….

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