Pensando Alto: A Análise
Informal do UFC Denver

Rodrigo Tannuri | 11/11/2018 às 04:00

Há 25 anos, o UFC realizava sua primeira edição em Denver, no Colorado. Sendo assim, nada melhor do que comemorar o aniversário voltando ao local.

Como era um dia especial os fãs gostariam de ter visto um card mais pomposo. Não estou dizendo que o show foi ruim, mas as lendas mesmo, foram vistas nas arquibancadas. No octógono, veteranos brilharam e tiveram que dividir os holofotes com jovens estreantes, que não se intimidaram com a grandeza da data e fizeram bonito. Mas não foi só isso: não é que a cereja do bolo aconteceu faltando apenas um segundo pra ação terminar? Permitam-me começar?

Yair Rodriguez vs. Chan Sung Jung

Como era de se esperar, os penas Yair Rodríguez e Chan Sung Jung caíram pra dentro! Loucos, trocaram golpes por 25 minutos, sem qualquer amor à defesa.

Basicamente, os cinco rounds foram iguais. Dava a impressão de que The Korean Zombie levaria a melhor, pois era mais agressivo e acertava com maior contundência. Pantera, que é conhecido por seu estilo chamativo, fez pouco uso de seus golpes plásticos, mas ainda os lançava.

No apagar das luzes, os fatores criatividade e imprevisibilidade entraram em cena. O asiático não quis saber de administrar o resultado e pagou o preço por ser imprudente. No último segundo, Yair esquivou e acertou uma cotovelada mágica, de baixo pra cima que desligou o adversário na hora. Uma coisa linda, histórica, que aconteceu num dia mais que propício. O golpe é pra concorrer ao prêmio de melhor nocaute do ano e digno de entrar em todos os vídeos de apresentação do UFC.

Por mais que The Korean Zombie seja um queridinho do grande público, torço pra que a grandiosa vitória faça os fãs passarem a respeitar mais o Pantera. O mexicano sempre foi acusado de fugir de Zabit Magomedsharipov, chegou a ser cortado pelas recusas e lesões, ou seja, o próprio UFC o questionou como lutador. Mas nada como dar tempo ao tempo.

A jovem promessa ganhou uma nova chance, contra um adversário digno, perigoso e brilhou! Sem dúvida, merece um voto de confiança e muitos aplausos pela demonstração de garra e paciência.

Donald Cerrone vs. Mike Perry

Tem que respeitar o Cowboy! Seu estilo de luta, currículo e números provam isso. Por mais que digam que Donald Cerrone esteja acabado, o veterano não pode ser descartado.

Sim, é verdade que seu auge já passou, que sua resistência à golpes nunca foi isso tudo, que ele treme em grandes lutas, que não gosta de ser pressionado, mas o veterano jamais perderá a técnica e deixará de ser oportunista.

Contra um grosso como Mike Perry, que é nota zero no quesito habilidade, nem precisou se desgastar tanto. Sinceramente, não sei o que passou pela cabeça de Platinum ao querer levar Cerrone pro chão. Sem qualquer noção de jiu-jitsu, não era difícil prever que não daria certo. Foi finalizado ainda no primeiro round, com uma chave-de-braço justíssima.

Lutar em casa era tudo que Cerrone precisava e, obviamente, ele não perderia a chance de levar o público ao delírio. Se nas últimas cinco aparições tinha vencido apenas uma vez, após superar o rival, pode bater no peito e dizer que é o atleta que mais venceu no UFC (21 vezes, superando Georges St-Pierre e Michael Bisping).

Impulsionado pelo triunfo e pelo carinho da família e dos fãs, o Cowboy se inflamou e mirou em Khabib Nurmagomedov. Com 35 anos, é difícil essa luta acontecer, mas é ótimo ver um atleta tão importante pro MMA voltar a ter o brilho no olhar, a paixão pelo esporte. Não importa se lutará nos leves ou nos meio-médios, o que os fãs querem ver mesmo é um Cerrone motivado. Isso faz toda a diferença.

Beneil Dariush vs. Thiago Moisés

Parecia que Beneil Dariush viveria a mesma história da última luta, ou seja, seu adversário original foi substituído em cima da hora e ele acabou derrotado.

Nocauteado de forma brutal tanto por Edson Barboza, quanto por Alexander Hernandez, era de se esperar uma versão mais cautelosa em pé, mas o que se viu foi uma fuga. O iraniano não teve vergonha alguma de virar grappler! E a estratégia deu certo.

O estreante Thiago Moisés até fez uma graça ao dar dois botes no primeiro round, mas foi só. Após o susto, Dariush se adaptou e controlou ainda mais a ação, vencendo com grande margem (30×25, 30×25 e 30×26). Pra Benny, o importante era vencer, não importava como. Afinal, foi estranho ver um lutador com seu nível sofrer tanto nas recentes aparições (algo que só a qualidade dos leves pode explicar). Se recuperou com louvor e voltará a ter confiança

A derrota prova que o jovem Thiago mordeu mais do que podia. Com um camp completo, vencer Dariush já seria difícil, sem a preparação adequada, era praticamente impossível. O futuro é claro: lutar no Brasil contra um nome mais acessível. Não precisa ter pressa pra se desenvolver.

Menções Honrosas

  • Não sei pra vocês, mas o pena Chas Skelly me enganou. Achei que o americano poderia ter um bom papel no MMA, já que possui um grande nível no wrestling, mas costuma dar tanto mole, que qualquer expectativa se desmancha. Foi assim contra Jason Knight (que não vence mais desde então) e, mais recente, contra o estreante Bobby Moffett. A derrota foi ainda mais amarga, porque chegou a vencer o primeiro round tranquilamente, porém foi surpreendido no segundo, num desfecho polêmico, com direito a VAR e tudo (só faltou a corridinha, fazendo o sinal)! Muitos criticaram o árbitro por interromper o combate por acha que o wrestler havia apagado na finalização, mas, após rever o lance, a decisão foi mantida e concordo com ela. Skelly pode dizer que a situação estava sob controle, mas seu semblante e linguagem corporal indicaram o contrário. 
  • Peço licença ao querido Marinho pra dizer que Davi Ramos foi sublime! O brasileiro encarou John Gunther, um oponente confiante e invicto no MMA, e o tirou pra nada. Como especialista em jiu-jitsu que é, Davi quedou logo no início e, uma vez no chão, o resultado se tornou previsível: mais um estrangulamento, ainda no primeiro round. Com a terceira vitória seguida no UFC (todas por finalização), o brasileiro vai crescendo nos leves. Tanto é, que já até mirou em Khabib Nurmagomedov. Como é bom ver um jiujiteiro fazendo uso da sua arte, não negando suas origens. Se o brasileiro seguir com essa mentalidade de ir pro chão pra definir, pode fazer algum estrago na divisão, pois tem técnica e força. 
  • Após as duas primeiras lutas terem ido pra decisão dividida, Devonte Smith chutou o balde! O estreante não respeitou o fraco Julian Erosa e partiu pra cima. Em apenas 46 segundos, fez o adversário cair com uma bonita sequência e sacramentou a vitória, aplicando um ground and pound pesado. Aos 25 anos, King Kage já é um striker empolgante (venceu as nove lutas pela via rápida) e é mais um prodígio a ser observado nos leves (como se a categoria precisasse…). No final, mostrou carisma na entrevista e confiança ao desafiar o veterano Ross Pearson. Ousado e alegre!
  • Bernardo Oliveira

    John Gunther é o pior lutador masculino de todo o plantel do UFC (isso se o Alan Zuniga já tiver sido cortado).

    Cotovelada do escorpião = ko do ano. Yair mitou!!!

    • Jonas Greco

      O maluco foi surrado duas vezes no TUF. Não entendi ele no UFC.

  • Mauro

    Um dos nocautes mais bonitos do ano sem dúvidas. Parabéns Yair, muito bom pra tua carreira. Retomar confiança. Estava muito subestimado. E bom! Em pensar que o Edgar fez desse sujeito um amador.

    Muito bom. Quem sabe uma luta com Jeremy Stephens agora (aí vou de Jeremy)

  • Leo Corrêa

    Zumbi Coreano caiu na armadilha final de Rodriguez. Como bem disse o relator, pagou o preço por sua imprudência.

  • Tiago Nicolau de Melo

    E pensar que Frankie fez o Pantera parecer um simples competidor do TUF.

  • Cleo Lima

    Pantera inventou a cotovelada “de calcanhar”, hahahahaha

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