Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC Denver

Thiago Sampaio | 08/11/2018 às 14:39

O ano está chegando ao final e lá vem uma chuva de eventos do UFC, uns com maior impacto e, outros, nem tanto. Neste fim de semana, infelizmente o que está por vir se encaixa na segunda opção.

E justamente se trata do card comemorativo pelos 25 anos da organização! Mas sem clima de festa ou divulgação para lutas grandiosas.

O que conseguiram montar foi o básico UFC Fight Night 139: Korean Zombie vs. Rodríguez, que acontece a partir das 21h30 (horário de Brasília) deste sábado (10), na Pepsi Center, em Denver, Colorado.

Na luta principal, Chan Sung Jung, o Zumbi Coreano, enfrenta o mexicano Yair Rodríguez, que entrou para substituir o ex-campeão dos leves, Frankie Edgar, em duelo válido pela categoria peso pena.

No co-main event, expectativa de anarquia no embate entre Donald Cerrone e Mike Perry, luta válida pela categoria meio médio.

Além dessas, há um ou outro duelo que pode ser interessante, mas sem nomes fortes a ponto de gerar conversas entre o público geral na semana do evento.

Mas vamos lá aos destaques!

Dois sumidos que empolgam

O Ultimate havia preparado um embate entre dois caras do queixo de chumbo, casos de Frankie Edgar e Chan Sung Jung (14-4, 4-1 UFC). Mas o The Answer se lesionou, dando vez ao bonequeiro Yair Rodríguez (10-1, 6-1 UFC).

Mas se o Pantera por pouco não foi parar no olho da rua, frequência não é bem o forte do Zumbi Coreano. Desde que disputou o cinturão dos penas, perdendo para José Aldo em 2013, só lutou uma vez! Retornou em fevereiro de 2017 nocauteando Dennis Bermudez.

Enquanto o zumbi alternava entre cirurgias e passagem pelo exército, Rodríguez surgia ao mundo como uma promessa vencendo o TUF América Latina sobre Leonardo Morales. Depois, enfileirou Charles Rosa, Dan Hooker, Andre Fili, Alex Caceres e B.J. Penn.

O choque de realidade veio contra Frankie Edgar em sua última aparição, em maio de 2017, quando foi totalmente dominado e nem voltou para o terceiro round.

Eis que depois surgiu um tal de Zabit Magomedsharipov, oferecido a ele várias vezes. O mexicano foi “demitido” por supostamente recusar lutas. Aspas necessárias, pois, nada como uma conversa para ajustar as coisas.

Acertou a permanência, topou enfrentar Zabit no UFC 228, mas, adivinha? Ele alegou contusão e o embate não aconteceu. De quase chutado, viu cair no colo a chance de fazer o seu terceiro evento principal, na edição de 25 anos do UFC.

O tempo de inatividade pode pesar para ambos e o cenário é uma incógnita se os rounds avançarem. Mas anima o fato de os dois atletas terem estilos empolgantes e gostarem de andar sempre pra frente.

O apelido de Zumbi não é à toa. Ele pode apanhar o quanto for, mas continua a avançar buscando a vitória na raça. Faixa preta de taekwondo e com carreira no kickboxing, é muito habilidoso na trocação, mas tem a maioria das vitórias por finalização.

O twister em Leonard Garcia e a guerra contra Dustin Poirier em que venceu com um triângulo de mão, em 2011 e 2012, foram memoráveis.

Rodríguez também é especialista no taekwondo e ficou conhecido pelos golpes plásticos e nocautes brutais, como a canelada em Fili. Entra para dar show e extrapola em chutes com cambalhotas, giratórios, por aí vai.

Pela vontade de fazer bonito, muitas vezes abre espaço para ser contragolpeado ou bate demais no vento. Mas se algum golpe dele aplicado com técnica entra em cheio, há boas chances de liquidar.

Levando em conta que o coreano não apaga com tanta facilidade e nem os quatro anos afastado refletiram no seu retorno contra Bermudez, ele seria favorito nas condições ideais e assim está nas casas de aposta por pequena margem.

Mas é complicado opinar sobre dois caras que pouco apareceram recentemente.

Agora, já imaginaram se rolar uma pegadinha com o Pantera e, já dentro do octógono, Bruce Buffer anuncia que o Zumbi não veio e quem vai lutar é Zabit? Surpresa tipo “Arquivo Confidencial”?! O que será que vai acontecer?

O respeito está perto de acabar

Dois caras que estão se respeitando como bons parças que já treinaram juntos mas, quando entrarem no cage, vão procurar matar um ao outro. Por isso a luta entre Donald Cerrone (33-11-0-1, 20-8 UFC) e Mike Perry (12-3, 5-3 UFC) deve ser bem divertida.

Ex-desafiante da divisão dos leves, o Cowboy não vive boa fase. Nas últimas cinco lutas como meio médio, venceu só uma, contra Yancy Medeiros.

Perdeu para Jorge Masvidal, Robbie Lawler, Darren Till e Leon Edwards. Dessas, só não foi nocauteado na última. Antes, vinha de quatro triunfos pela via rápida na divisão até 77kg, sendo cotado até para uma disputa de título.

Já o Platinum ainda não teve o seu ápice da fama como o adversário, mas ganhou notoriedade por nocautear todo mundo que aparecia pela frente. Apagou Hyun Gyu Lim, Danny Roberts, Jake Ellenberger e Alex Reyes.

As derrotas para Alan Jouban, Santiago Ponzinibbio e Max Griffin frearam o hype e também mostraram as deficiências defensivas dele.

Se recuperou de dois reveses consecutivos com uma vitória por decisão dividida (a sua primeira por pontos) contra Paul Felder numa luta bem sangrenta.

A aposta é de trocação franca, pelo menos no início. Cerrone curte colocar o muay thai em prática. Tem ótimas combinações bate pesado, mas também sabe liquidar logo no chão quando tem oportunidade, principalmente se conseguir um knockdown.

Conta com 16 vitórias por finalização, incluindo contra Alex Cowboy e Edson Barboza.

Mas aos 36 anos, já mostrou para o mundo que desestabiliza quando pressionado. Assim foi nocauteado por Rafael dos Anjos, Masvidal e Till. Contra um nocauteador nato como Perry, que parte para cima como se não houvesse amanhã, pode ser fatal.

Perry é um cara que onde bate, não nasce cabelo de novo. Com passagem pelo kickboxing, tem mãos, joelhadas e cotoveladas que podem definir rapidamente. Como Cerrone não é um exímio receptor de pancadas, pode funcionar que é uma beleza!

Mas quando enfrentou adversários com estratégia bem definida, que sabem jogar na distância, batendo e saindo e intercalando com clinches, ele mostrou que se frustra facilmente.

Se fosse no auge do Donald, ele despontaria como favorito por ser um lutador mais completo. Mas o momento atual não ajuda e, como Mike curte encurralar, aparece em vantagem nas casas de apostas. Veremos quem vai ficar em pé!

Poderia valer título…e daí?

Ela está de volta! A primeira campeã da história do peso pena feminino do UFC! E ninguém dá a mínima. Essa é a “fujona” Germaine de Randamie (7-3, 4-2 UFC), que enfrenta a ex-desafiante dos galos Raquel Pennington (9-6, 6-3 UFC).

Já foi estranho o Ultimate ter feito uma disputa inaugural do cinturão peso pena sem Cris Cyborg. Piorou para a organização quando Randamie, que vinha de vitória sobre três atletas demitidas, venceu Holly Holm numa decisão bem apertada.

O cenário estava pronto para a Cyborg enfim disputar o título, mas a holandesa pediu revanche contra Holm, disse que iria fazer cirurgia, até que soltou que se recusaria a lutar com a brasileira por considerá-la uma “lutadora suja”.

Resultado: teve o título devidamente confiscado.

Desde tal atuação que lhe rendeu o nada valorizado título, em fevereiro de 2017, não deu mais as caras. Anunciou que retornaria aos pesos galos, chegou a ter luta anunciada contra Marion Reneau no seu país, mas também pulou fora.

Pennington vem de disputa de título da categoria até 61kg por pura falta de opções, no UFC Rio 9, em maio deste ano. Foi dominada por Amanda Nunes lutando com freio de mão puxado e foi nocauteada no quinto round.

Antes, vinha de quatro vitórias, incluindo sobre Jéssica Bate-Estaca, Bethe Correia e a ex-campeã Miesha Tate.

A The Iron Lady, de 34 anos, é uma veterana do kickboxing com um cartel invicto de 37-0. Controla bem a distância, utiliza os jabs com segurança e tem chutes potentes. Mas no MMA, já mostrou dificuldade na transição de áreas.

A Rocky tem o antijogo que pode funcionar. Conta com um boxe alinhado na base dos contragolpes. É paciente, burocrática, mas com muita precisão.

Na luta agarrada, pode oferecer maior perigo. Eficiente no wrestling, pode travar a holandesa na grade, frustrando o ímpeto explosivo, com condições de levar para o solo e pontuar no ground and pound.

Será que Cris Cyborg vai estar do lado de fora do octógono? Melhor não. Vai que Randamie sequer aparece…

Pressão para um, teste de fogo para outro

Thiago Moisés (10-2, 0-0 UFC) fez uma boa estreia no Dana White’s Contender Series Brasil nocauteando Gleidson Cutis. E vai estrear “oficialmente” logo contra o ex-ranqueado dos leves Beneil Dariush (14-4-1, 8-4-1 UFC).

O iraniano que treina com Rafael Cordeiro vem em má fase. Foi nocauteado por Edson Barboza com uma joelhada truculenta, empatou com Evan Dunham e apagou de maneira violenta pelo então estreante Alexander Hernández em apenas 42 segundos.

Porém, conta com vitórias sobre nomes como Jim Miller, Michael Johnson, Carlos Diego Ferreira, Rashid Magomedov e James Vick. Iria enfrentar Chris Gruetzamacher, vindo de vitória sobre Joe Lauzon, que acabou saindo e abriu vaga para o brasileiro.

Moisés impressionou com o nocautão com chute na cabeça no reality show, mas a especialidade dele mesmo é o jogo de solo. Tem quatro vitórias por finalização, três por nocaute e três por decisão.

Hoje com 23 anos, ganhou notoriedade ao se sagrar campeão do Resurrection Fighting Alliance (RFA) finalizando David Castillo com uma belíssima chave de braço, em 2016. Defendeu com sucesso contra Jamall Emmers e Zach Freeman.

Mas todo mundo sabe que o nível do UFC é outro. O brasileiro perdeu depois por decisão para Robert Watley, venceu por finalização Jeff Peterson, mas ainda não enfrentou um adversário do nível de Dariush.

Faixa preta de muay thay, Dariush é funcional o suficiente na trocação para controlar as ações, apesar de não ter tanto punch. Lembrando que estava dominando Barboza até golpear com a cara o joelho do brasileiro.

Quando precisa, leva para o solo e tem com domínio ali. Conta com seis vitórias por finalização. Considerando que a principal arma do brasileiro é o jiu-jítsu, ele não deve arrancar os três tapas com tanta facilidade do Benny.

O lado ruim desta luta? Ela foi promovida ao card principal nesta semana. Ou seja, o cidadão vai ter que esperar mais tempo acordado para vê-la.

Card completo

Chan Sung Jung x Yair Rodríguez
Donald Cerrone x Mike Perry
Raquel Pennington x Germaine de Randamie
Beneil Dariush x Thiago Moisés
Maycee Barber x Hannah Cifers
Mike Trizano x Luis Peña
Ashley Yoder x Amanda Cooper
Chas Skelly x Bobby Moffett
Davi Ramos x John Gunther
Devonte Smith x Julian Erosa
Joseph Morales x Eric Shelton
Mark de la Rosa x Joby Sanchez

Vale assistir?

Para comemorar os 25 anos de existência do UFC, colocar dois caras de queixo duro como Zumbi Coreano e Frankie era até legal, mas, pouco diante das conhecidas ambições da organização.

Lembrando que para comemorar os 20 anos, pelo menos lançaram um card numerado, o UFC 167, com a ótima luta entre Georges St-Pierre e Johny Hendricks pelo título dos meio médios encabeçando.

Será que deixar Khabib x McGregor para essa data comemorativa seria tão absurdo? Ou um card de peso no Madison Square Garden? No fim das contas, sobrou um Fight Night comum.

E ainda piorou com a saída de Edgar, por mais que Rodríguez ainda possa proporcionar uma batalha violenta. Agora as fichas depositadas no co-evento principal entre Cerrone e Perry.

Como se não bastasse, a luta entre Joseph Benavidez e Ray Borg, que prometia ser legalzinha por serem dois caras bem técnicos, foi retirada às vésperas por problemas médicos com o The Tazmexican Devil.

Ah, Randamie x Pennington, Dariush x Moisés prometem ser boas lutas? Sem dúvida! Mas ainda é pouco para mobilizar o interesse geral.

Quem é fã, não vai descascar os pequenos compromissos para conferir pequenas anarquias que acontecem com certa frequência. Para piorar, ainda tem o horário de verão. Ou seja: as lutas principais vão acontecer lá pras 4 da manhã!

Talvez valha economizar na cafeína para conseguir ficar acordado e conferir depois a reprise. Em geral, não há tantos atrativos para interromper a vida para mais um evento, quando terão ainda muitos outros.

Ah, gosta de violência? “Operação Overlord” está nos cinemas, misturando guerra e zumbis! Gosta de comédia atemporal? Maratona “The Office” ou “Arrested Development” pois merece demais! Sorria com a vergonha alheia.

E parabéns, UFC! Muitos anos de vida e muitos cards mais legais do que este. A festa ficou com cara daquele bolinho em casa, numa reunião informal em que os amigos inventam desculpa para não ir.

  • Leo Corrêa

    Se a arbitragem da luta da Germaine contra Holm fosse séria, ela jamais conquistaria aquele cinturão, já que deveriam descontar 1 ponto nas duas oportunidades em que ela aplicou golpes na Holm depois que a buzina soou (o certo mesmo era descontar na primeira e desclassificar na segunda). Em uma delas, Holm tomou um knockdown e levantou visivelmente cambaleando, diga-se de passagem, o que certamente influenciou no seu desempenho no restante da luta.

    No final das contas, suja é a Germaine.

    • Thiago Sampaio

      Desclassificar, não sei. Mas tirar um ponto era o mínimo a se fazer. E ainda assim, marquei a pontuação ali para a Holly.

  • Mauro

    Uma pena, muita pena não vê Edgar neste card. Mas, pegar o top 10, sendo top 3, poderia ser ruim e arriscado. Com essa lesão, pode voltar em janeiro, pegando um Moicano, um Bektic, um Chad/Alexander, ou um Zumbi melhor qualificado.

    Bom, em pé, sou mais Yair. Zumbi é conhecido por tomar muitos golpes, e Yair não tem queixo de vidro. Aguentar aquelas cotoveladas que o Edgar deu num GnP e não pedir arrego (sendo o médico quem interrompeu) é pra guerreiro. Mas, creio que Zumbi jogue pro chão e vença.

    Cerrone.. coitado! O fim do Cowboy se aproxima, mesmo sendo mais técnico.

    • Thiago Sampaio

      Eu queria bastante ver Edgar x Zumbi Coreano. Se o Zumbi vencer, faz total sentido remarcar a luta no início de 2019.

      • Mauro

        Sem dúvidas.
        Zumbi favorito, por mais completo. Mas, é aquilo, aqueles chutes do Yair são perigosos, e Zumbi é conhecido por tomar muitos golpes. Nem sempre é bom confiar só no queixo. Acho que Zumbi vence, mas não me surpreenderia se acontecesse uma “zebra”, que pra mim não seria tão zebra assim, já que acho que uma galera tá dando uma subestimada no Yair.

        • Thiago Sampaio

          Zumbi é mais lutador de uma maneira geral, mas não tem como dar um favoritismo tão grande a quem fez uma luta nos últimos cinco anos.

          • Sergio Araujo

            Neh isso… levo mais fé no Pantera

    • Igor Barbosa

      Zumbi não costuma dar muito espaço, acho que é aí que complica pro Pantera. Mas concordo, acho que o Zumbizão da massa liquida no chão.

  • Igor Barbosa

    Acho bizarro um Fight Night pra comemorar 25 anos da organização, apesar de achar bacana o fato do card ser em Denver, onde tudo começou. As duas lutas principais pelo menos são uma merecida homenagem á pancadaria que rolou solta naquele UFC 1. Do resto do card, a curiosidade é mais pela Maycee Barber, que é uma boa promessa.

    Achei estranho não terem posto Khabib x McGregor nesse dia, e estranho também foi marcar um card numerado 1 semana antes do aniversário de 25 anos. Poderiam ter planejado melhor.

    Vou indicar também a terceira temporada de Demolidor. Simplesmente espetacular.

    • Thiago Sampaio

      Boa! Terceira temporada de Daredevil está excelente, com destaque para o Mercenário e o “plano sequência” no episódio 4.

      E sim, um evento em Denver, 25 anos depois do UFC 1, merecia um card bem mais encorpado.

      • Igor Barbosa

        Po, Mercenário sensacional, sem mais!

      • Igor Barbosa

        Acho que UFC x Bellator é tipo F1 x Fórmula E: não parece, mas o “fraco” concorrente vai incomodar pra valer a curto prazo. E quando acordar, vai ser muito tarde.

  • Renato Elyone

    Essa estrela com fundo vermelho no poster do evento está a cara do PT.

    • Paulo Zanchet

      kkkkk, boa!

      • Thiago Sampaio

        No caso, o card não e bem nem de direita e nem de esquerda. Só pra baixo mesmo.

  • Rodrigo Pereira

    Fight night para comemorar 25 anos de UFC???? Que tivesse pelo menos o card principal top.

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