Pensando alto: a análise
informal do UFC Moncton

Rodrigo Tannuri | 28/10/2018 às 03:20

Que saudade estava dos meus amigos do Sexto Round e do “Pensando Alto”.

Como a maioria dos fãs está com o foco na política por motivos óbvios, acredito que poucos foram os que assistiram ao UFC Moncton.

Não os culpo, até porque o resultado final foi um show que não fede, nem cheira. Muitos embates foram longos e sem emoção, poucos foram os que se destacaram, mas quem conseguiu os holofotes o fez com louvor. Permitam-me começar?

Anthony Smith x Volkan Oezdemir

Com todo respeito, mas, antes de tudo, vou me parabenizar por ter acertado sozinho o resultado deste embate. A verdade é que todos esperavam por um embate violento e rápido, mas isso não aconteceu. O favorito Volkan Oezdemir, que tinha impressionado por seus nocautes relâmpagos, optou por ser estratégico e levou vantagem com certa facilidade. Tinha vencido os dois rounds, porém foi mais um que não resistiu a bravura de Anthony Smith. Mesmo tendo brutalizado lendas do MMA, o brutamonte americano chegou desacreditado, perseverou novamente e foi oportunista no terceiro round. Com os dois protagonistas cansados, “Lionheart”, mesmo sendo striker, conseguiu uma queda providencial e finalizou o suíço com um estrangulamento sem técnica alguma. Mas, apesar de feio, o que importa são os três pontos. Será interessante ver como Oezdemir lidará com o inesperado revés, porque o prejuízo foi grande. Se antes tinha o status de que perdeu apenas pra Daniel Cormier, agora, terá que aceitar o fato que foi superado por um atleta comum. Não é segredo que Smith é regular, mas sua raça e senso de urgência vão fazendo a diferença nos meio-pesados. A categoria é tão ruim, que basta isso pra um lutador esforçado ter notoriedade. Parabéns à Smith por aproveitar essa fase, porque muitos nem isso conseguem.

Michael Johnson x Artem Lobov

Em 30 lutas, Artem Lobov só foi derrotado 15 vezes. O melhor amigo de Conor McGregor é tão folclórico, que ninguém o leva a sério. Os fãs o apelidaram de Deus e brincaram na pesagem, dizendo que Michael Johnson não bateu o peso por medo e que o russo venceria o duelo via derrota (risos). Não deu outra! MJ, que é conhecido por sempre encarar os adversários com vontade e lutar com raiva, fez o trabalho de forma amigável. O americano, bom de mão, não está no auge, mas venceu em ritmo de treino, tamanha foi a tranquilidade. Aos poucos, vai ganhando confiança nos penas, enquanto Lobov segue firme na tentativa de ser o novo Bob Sapp. Está negativando o cartel como ninguém! Quem perde pra ele não é lutador. Simples assim.

Misha Cirkunov x Patrick Cummins

Misha Cirkunov só tinha uma coisa em mente na luta contra Patrick Cummins: vencer de qualquer jeito. Após perder pra Oezdemir e Glover Teixeira, lutar em casa contra um oponente acessível era tudo que o letão/canadense queria. Melhor tecnicamente, ele não teve trabalho algum. Finalizou o adversário com pouco mais de dois minutos de luta e vai ileso pra próxima fase. Por mais que tenha caído quando testado em alto nível, ainda acredito que Cirkunov possa se firmar. É sempre bom torcer pros mais jovens dos meio-pesados terem novas oportunidades, pois sabemos que a categoria precisa de vida.

Menções Honrosas

  • Nasrat Haqparast pede passagem! O afegão, que teve boa atuação na vitória sobre Marc Diakiese, fez o limitado Thibault Gouti de gato e sapato. Ele bateu de tudo quanto é jeito! Foram três rounds de pura perseguição, massacre e dor. Só não acabou antes, porque o árbitro curte um bom gore. Ainda é cedo pra dizer, mas, se acertar o sistema defensivo, o produto da Kings MMA dará o que falar. Mesmo com apenas 23 anos, o “Kelvin Gastelum mais leve” parece ter a cabeça no lugar e tem tudo pra seguir evoluindo no aspecto técnico. Confiante, garantiu que estará entre os destaques dos leves em 2019. Nesse ritmo, é possível, apesar da grande concorrência.
  • Parecia que Chris Fishgold teria uma estreia marcante, mas não acontece. O inglês, querendo fazer seu nome, partiu com tudo pra cima de Calvin Kattar e a blitz inicial até assustou. Recuperado, o mais experiente entrou de vez na luta ao acertar bons jabs e quando o direto levou o oponente à lona, aplicou um eficiente ground and pound pra sacramentar a vitória. Não é que precise, mas a recuperação do americano é mais uma boa notícia pros penas. Quanto mais competidores de elite o UFC tiver, melhor. Kattar usou a técnica e a resistência pra superar a potência e não deve ser descartado por ter perdido pra Renato “Moicano”.
  • Don Madge estreou no UFC como azarão e saiu como um dos grandes vencedores do evento. O sul-africano não sentiu o peso da responsabilidade e lutou solto. Após um primeiro round movimentado, o seguinte foi explosivo, durando apenas 14 segundos. O chute alto de esquerda aplicado por “Magic Man” deixou Te Edwards grogue e o de direita liquidou a fatura de forma violentíssima. A primeira impressão deixada por Madge foi boa. Além de ter personalidade, é o tipo de lutador que os fãs gostam (venceu suas oito lutas pela via rápida). Agora, nada como dar tempo ao tempo pra ver se será capaz de se criar nos leves.
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