Pensando Alto: A
Análise Informal do UFC São Paulo

Rodrigo Tannuri | 23/09/2018 às 03:17

Antes de tudo, tenho que me retratar aqui. Eu critiquei tanto a montagem do card do UFC São Paulo, que darei o braço a torcer e admitir que o evento foi surpreendentemente incrível! A organização deveria abrir o cofre na hora da premiação!

Sim, as muitas lesões cancelaram lutas importantes ou potencialmente divertidas e fizeram o show perder qualidade, mas, quem se apresentou, aproveitou a oportunidade, exceto dois atletas que não têm mais pra onde ir. Permitam-me começar?

Thiago Marreta vs. Eryk Anders

Thiago Marreta marretou!

E dá pra dizer que o experiente Jimi Manuwa se deu bem em sair do combate, porque o brasileiro estava com uma fome de luta absurda! Faltando poucos dias pro evento, Eryk Anders decidiu assumir a bronca num ato de coragem, que merece ser elogiado, mas errou e explicarei isso adiante.

Durante três rounds, Thiago bateu muito! E não eram golpes pra pontuar. Todos foram bem pesados, tanto é que cheguei a ficar com pena do americano. Ele bem que tentou melar a festa brasileira e adotou a estratégia certa de partir pro anti-jogo, ou seja, tentou quedar, mas, quando conseguia, não tinha como controlar o carioca. O castigo terminou quando o terceiro round se encerrou. Anders estava tão mal, que chegou a cair duas vezes no caminho pro corner. Que cena assustadora!

Fico muito feliz com a evolução de Marreta. Ele brilhou em seu primeiro main event, mesmo com a mudança de adversário em cima da hora e com um estilo totalmente diferente. É sempre bom frisar: trabalhando duro, Marreta deixou a imagem de freak do TUF Brasil pra trás e virou um monstro poderosíssimo no octógono e um gentleman fora dele.

Quando digo que Anders errou ao aceitar a luta, é porque ele tinha uma imagem a zelar. Estava invicto até perder pra Lyoto Machida e é visto como um bom nome na renovação dos médios. Sendo assim, não precisava ter tanta urgência de se firmar no ranking, quando poderia fazê-lo naturalmente. No nível que está, lutar sem a preparação adequada não dá certo. Mesmo assim, está de parabéns pelo fair play que demonstrou.

Alex Cowboy vs. Carlo Pedersoli

Mal começou e já acabou!

Originalmente, Alex Oliveira enfrentaria Neil Magny, numa luta bem importante pro ranking dos meio-médios, mas o americano foi promovido pra encarar Santiago Ponzinibbio e sobrou pra Carlo Pedersoli. O azar foi tanto, que o americano teve seu chute marcado logo no início e foi alvejado pelos golpes do brasileiro logo aos 39 segundos. Quem piscou, perdeu.

O mais legal é que o Cowboy BR estava tão confiante, tão preparado, que havia prometido dar show e cumpriu! Ao lado de Francisco Massaranduba, é um dos nomes mais carismáticos do MMA nacional. Por mais que esteja na 14ª posição, Alex é um lutador que não tem o devido reconhecimento da imprensa e dos demais lutadores de fora, mesmo já tendo vencido nomes importantes.

É bom que ele entre no radar, porque é mais um tubarão numa divisão repleta de qualidade e variedade. Dá gosto de ver um atleta como o Cowboy BR no octógono, pois ele vai feliz. Se lutar com a cabeça no lugar, sem querer jogar pra torcida, pode ser levado ainda mais a sério. É um atleta definidor, que merece ser abraçado pelos fãs não só do Brasil.

Rogério Minotouro vs. Sam Alvey

A vida dos lutadores não é nada fácil, mas é sabido que certos adversários alegram um profissional.

Sam Alvey é um desses nomes que todos querem enfrentar. Sim, Rogério Minotouro tem 42 anos, mais se lesiona do que luta, mas, mesmo com tudo isso contra, ainda é mais lutador que o americano, que é lento e um striker que pouco ataca.

Resumindo: ele não é Rashad Evans, nem Gian Villante, tampouco Marcin Prachnio. O resultado estava claro e só não viu quem não quis! O nocaute até demorou a ser concretizado, mas, com tanta incerteza sobre o retorno de Rogério, o importante é que ele veio e de forma impactante (fez Alvey cair desacordado e ficar de joelho).

O UFC São Paulo foi um evento tão zicado, que a luta que todos queriam que fosse cancelada seguiu, mas, pelo menos, o desfecho foi muito comemorado. E digo mais: se Minotouro fosse um pouco mais novo, frequente no octógono e saudável, poderia ser um nome interessante nos meio-pesados, que é uma divisão pobre, esquecida e indefensável.

Andre Ewell vs. Renan Barão

Renan Barão (vou parar de chamar assim) tanto fez, que conseguiu o que queria: chegar ao fundo do poço. Depois de perder pra Brian Kelleher, um nome inexpressivo, o UFC decidiu dar mais uma chance ao ex-campeão dos galos e o escalou pra lutar no Brasil, contra o estreante Andre Ewell, outro adversário vencível, mas sabem o que aconteceu? O brasileiro cometeu os mesmos erros de sempre.

É incrível como Renan não evoluiu nada em sua jornada. Ele batalhou pra chegar ao cinturão, o conquistou, defendeu, perdeu e nada em seu jogo mudou. Pelo contrário, parece que só piora! Ninguém, absolutamente ninguém o respeita mais! Atualmente, Renan é um lutador fragilizado desde a pesagem! Dá pra ver que ele mesmo duvida de sua capacidade.

O discurso de “ir pra paraibagem” antes sustentado por sua valentia, hoje, é tudo que o adversário quer. Na verdade, até duvido que estude os adversários. Já no primeiro round, o brasileiro correu que nem um desvairado pra cima de Ewell e tomou knockdown num golpe igual ao que Fabrício Werdum levou de Stipe Miocic. É inadmissível um lutador do UFC ter tal atitude.

O susto o fez virar grappler e, assim, virou o round. No entanto, a estratégia foi só um lampejo, porque inteligência que é bom, ele nunca teve. Na volta, Renan cansou, perdeu velocidade e foi presa fácil pro maior volume do adversário.

É triste dizer, mas Renan não merece estar no UFC. Perdeu a terceira luta seguida, a quinta nas últimas seis aparições e, sinceramente, atuando dessa forma, não se cria nem em organizações menores. De barão, o brasileiro não tem mais nada! Quem o vê no octógono, não acredita que um dia já foi campeão. Ah, se Urijah Faber tivesse o poder de mudar alguma coisa no tempo…

Menções Honrosas

  • Charles Oliveira simplesmente ultrapassou Royce Gracie e, agora, é o atleta que mais vezes finalizou na história do UFC (11 vezes). Não tem como ignorar essa marca! Christos Giagos bem que tentou endurecer as coisas no primeiro round, mas, aos poucos, foi deixando o menino sonhar e, quem acredita, sempre alcança.
    No segundo, o estrangulamento não pôde ser evitado. É incrível como Do Bronx lembra Royce. Não só nos números, mas também pelo fato de, mesmo franzino, seguir colocando brutamontes pra dormir. É muita técnica! Mas nem tudo merece ser incentivado. Após vencer a segunda seguida nos leves, Charlinho, novamente, mostrou desejo de voltar aos penas, categoria na qual sofre pra bater o peso. Aos 28 anos, o que custa dar continuidade ao grande momento, numa divisão em que se apresenta visivelmente mais saudável? Será que é pedir muito?
  • Que vitória espetacular a de Francisco Massaranduba! Parecia que o homem que nasceu pra bater em outro homem sofreria pra vencer o duro Evan Dunham, porque o primeiro round foi bem disputado e, como é mais velho, seu condicionamento poderia deixá-lo na mão. Mas, novamente, o brasileiro mostrou que seu cardio está em dia.
    No seguinte, Trinaldo tomou a iniciativa e acertou uma linda joelhada na linha de cintura do americano, que caiu pra nunca mais levantar. Um desfecho tão surpreendente quanto brutal. Com o microfone em mãos, Massaranduba deu o já conhecido show de humildade e não só pediu por Kevin Lee, como também prometeu bater em seu algoz.
    Por mais idade que tenha, vê-lo no octógono, especialmente no Brasil, é um show à parte. Tomara que esse mito siga rendendo! O nocaute sofrido colocou um ponto final na carreira de Dunham, mas ele sairá do esporte de cabeça erguida. Numa divisão tão concorrida como a dos leves, o americano sempre foi visto como um oponente competitivo e isso é um prêmio. Seu estilo não era o mais vistoso, mas era muito eficaz. Os fãs têm que dar mais valor aos atletas que são bons em todas as áreas, não só aos excelentes em uma isolada. Levarei de Dunham a seriedade que ele sempre teve para com o MMA.
  • Até que enfim, o carismático Serginho Moraes voltou a ser grappler e isso é o que mais importa nessa grande atuação. Após “vencer” Tim Means em modo striker, o brasileiro foi duramente criticado e, acertadamente, voltou às origens. Resultado: fez o veterano Ben Saunders de gato e sapato. E olha que o americano não é nenhum leigo no chão. Pelo contrário, teve que batucar pela primeira vez na carreira!
    Se no final do primeiro round, a finalização não rolou por pouco, no seguinte, o katagatame saiu. O brasileiro foi tão sublime, que, praticamente, nem levou golpes! Animado, Serginho pediu pra entrar no top-15 dos meio-médios, mas, por mais difícil que isso seja, já que ele não é tão frequente no octógono, é um porteiro interessante. Pois, como ele mesmo disse, seu jiu-jitsu é diferenciado. Sem dúvida, essa vitória foi bastante simbólica.
  • Aos 36 anos, a luta de despedida de Thales Leites não poderia ser outra coisa a não ser dramática. Vindo de duas derrotas seguidas, sendo muito criticado, o brasileiro estava sob pressão. Não vinda do UFC e sim dele próprio. No entanto, contou com uma ajuda especial da organização, que escalou o quarentão Hector Lombard como oponente final.
    Contudo, mesmo vindo de cinco derrotas consecutivas, o cubano foi melhor no primeiro round na base dos chutes baixos. Mas, como sempre, o cansaço bateu, Lombard parou e possibilitou que o niteroiense, também exaurido, virasse a luta num claro 29×28. O dever está cumprido, Thales! Pode comemorar, pois você foi raçudo e, ao longo de sua bonita carreira, um atleta extremamente ético. Postura exemplar de uma grande pessoa e um grande profissional.
    Já Lombard não tem vaga no UFC, nem no Bellator. Deveria aproveitar e se aposentar também, porque são poucos que conseguem um recorde negativo tão pesado. Já passou da hora e ninguém sentirá falta.
  • Foi lindo de ver, mas também foi difícil. Como Elizeu Capoeira era um dos grandes favoritos do evento, esperava-se uma vitória tranquila, mas não combinaram isso com o estreante Luigi Vendramini. No primeiro round, ambos tiveram chance de finalizar e a postura do italiano surpreendeu.
    No seguinte, Capoeira acertou uma linda joelhada voadora que bambeou o adversário e o puniu até a interrupção do árbitro. As seis vitórias seguidas do brasileiro empolgam, tanto é que desafiou Robbie Lawler, mas ele deve ficar atento, pois o mole que deu, contra um meio-médio mais experiente, pode custar caro.
    Apesar da derrota, vale ficar de olho em Vendramini. O italiano tem apenas 22 anos, estava invicto e assustou, quando não tinha obrigação alguma.
  • Dênnys Dias

    Vendramini é brasileiro

  • Fernando Ribeiro

    “Renan Barão tanto fez, que conseguiu o que queria: chegar ao fundo do poço.” Já tinha chegado ao fundo do poço quando cortou um dobrado pra vencer Phillipe Nover (!). Quem discorda é clubista.

  • Lucas Venagas

    o mais chocante foi ver os chimpas brasileiros quase lotando o ginasio para um card desses
    Certo o ufc em monta card desse nivel pra esse povinho

    • Gustavo Martinek

      Não sei se você é norte americano ou europeu, mas esse discurso racista é xenófobo é crime no mundo todo. Seu perfil e seu IP foram denunciados.

      • Gabriel Kalinowski

        Cara, concordo que o comentário do Lucas foi infeliz, mas o que tem a ver com racismo e xenofobia??? Só faltou chamar de fascista. kkkkkkk

        • Malk Suruhito

          Chimpas = Chipamzé; Povinho.
          Precisa desenhar Gabriel?

    • Douglas Karpinski

      wtf??? não sei qual foi seu objetivo, mas aqui normalmente não se acha graça nesse tipo de comentário e dificilmente vc vai ver comentários depreciativos, sem falar que o card do ponto de vista dos brasileiros estava ótimo….

    • Rod (:

      Iaeee luquinhas, fazia tempo q não vinha polemizar aqui, ein?
      Achou outro lugar onde ninguém se importa com sua opinião de merda ?
      Parece que depois do comentário infeliz sobre o estupro da Vanzant vc deu uma sumidinha… ou foi a facada no Bolsonaro que passou perto do saco dele raspou na sua cara?

  • Lucas Oliveira

    Virou Renan Tostao.

  • Doniel Porter

    Que lutador esse Massara, uma pena ter começado tão tarde no mundo da luta.

  • FabioH

    Quase 3kg acima na pesagem, único atleta a não bater o peso, multa, derrota para um estreante, 3ª consecutiva, em casa, que triste fim para Renan Barão.

    • Baixista Loko

      Renan Sucão

  • Dory Lannister

    A vitória do Marreta sobre O Anders é mais por demérito do adversário. O marreta é um lutador mediano, sem muita técnica é gás é quase inexistente.

    A luta estava pareá até o Andrers ficar na posição permitindo assim as cotoveladas que o deixaram naquele estado lastimável.

    O marreta será um típico lutador porteiro, não mais do que isso.

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