Pensando Alto: A Análise
Informal do UFC Moscou

Lucas Rezende | 15/09/2018 às 17:39

Que ano para os esportes, na Rússia, hein?

Após sediar um evento do porte da Copa do Mundo de futebol, a maior nação do planeta agora teve o privilégio de hospedar um card do maior espetáculo de MMA do mundo.

Tudo bem, o elenco do UFC Fight Nigth 136 não estava de se encher os olhos, e, sim, fossem outros tempos, os organizadores poderia sem recebidos com uma passagem só de ida até o gulag mais próximo, mas isso dificilmente vem ao caso.

Em Moscou, Alexey Oleynik, Alexey Kunchenko, Petr Yan e companhia garantiram a felicidade dos presentes já completamente ensandecidos pela vodca. Também tivemos Andrei Arlovski e Shamil Abdurakhimov, responsáveis pelo destaque negativo, mas, no fim das contas, um evento divertido e em horário para deixar qualquer jornalista de bom humor.

Por mais eventos à tarde, por favor! Vamos à resenha.

Alexey Oleynik vs. Mark Hunt

Apenas um homem com 47 finalizações em sua carreira e, que carrega a alcunha de “Serpente Constritora”, poderia encontrar o tão bem escondido pescoço de Mark Hunt. Assim pode-se resumir o histórico de uma figura tão folclórica quanto Alexey Oleynik.

Desta vez, ele nem precisou chamar seu grande amigo Ezekiel, mas capturou a garganta do samoano com um tradicional e manjado mata-leão. No entanto, não veio sem custo. Para chegar até o objetivo, Oleynik precisou sacrificar uma das pernas aos deuses do MMA, representados pelos chutes baixos de um campeão do K-1 que, por pouco, não machadaram o sustento do atleta da casa.

Clássico embate de striker e grappler, o contraste acabou definido por um golpe que tonteou Hunt e brecou sua estratégia inteligente. Somando o currículo de Oleynik a faixa negativa do neo-zelandês em jiu-jitsu, e o cenário se pintou por conta própria, numa derrota que mais uma vez iguala o cartel de Mark, que agora ostenta um belo 13-13.

No mais, cumpriu-se o esperado. Um evento principal para agradar os oligarcas presentes na arena em Moscou. Um desfecho cinematográfico, com o representante da nação vencendo o adversário após atravessar adversidades. Uma espécie de Rocky 4 do universo paralelo.

Jan Blachowicz vs. Nikita Krylov

Que retorno surpreendente do mafioso Nikita Krylov. Mas não no bom sentido. O ucraniano outrora conhecido como “Al Capone” voltou ao octógono como se nunca o houvesse adentrado antes, e pareceu ofuscado pelos holofotes brilhantes, perante Jan Blachowicz.

Conhecido como um striker monótono, o polaco deve ter concluído que daria um finalizador mais criativo. Embora Krylov tenha resistido à sua tentativa de mata-leão, Blachowicz não desistiu da finalização e acabou por asfixiar o gangster com um inesperado katagatame partindo das costas. Em tempo, vale rememorar que Krylov, já finalizado por um Von Flue choke, gosta de ser esganado de maneiras esdrúxulas.

Ex-campeão do Fight Nights Global, Krylov já havia superado Fábio Maldonado e o ex-campeão do Bellator Emmanuel Newton durante a estada sob a bandeira do evento russo, mas precisará de uma segunda chance para provar que amadureceu durante a temporada afastado do UFC. Ou será que era apenas um peixe grande em lago pequeno todo esse tempo?

Já Blachowicz, como quem não quer nada, angariou uma quadra de vitórias consecutivas, incluindo uma sobre Jimi Manuwa. Já é tempo de dar o braço a torcer e conceder um casamento mais desafiador. Por mais difícil que seja admitir.

Shamil Abdurakhimov vs. Andrei Arlovski

Eu temia que esta fosse uma daquelas lutas de pesos-pesados. Antigamente, podia-se ao menos contar com as mãos rápidas ou queixo traiçoeiro de Andrei Arlovski. Atualmente, o bielorrusso não se esforça em ambos os âmbitos.

Shamil Abdurakhimov, nenhum bastião da técnica e proeza do MMA, nem mesmo para os que se aventuram ao norte dos 100 quilogramas, também não se contenta onde está. Adepto da abordagem de proatividade zero,  o careca se satisfez com o cansaço do Pitbull murcho e arrastou o combate até uma decisão unânime deprimente.

Não há muito mais o que ser dito, honestamente. É preciso muita habilidade para ser vaiado na primeira vez em que um evento do UFC é sediado em seu próprio país. Parabéns ao vencedor, mas também a Andrei, o fiasco não seria possível sem você.

Alexey Kunchenko vs. Thiago Alves

Sem coleira, o primeiro Pitbull da noite aos poucos delimitou seu território no octógono. O muay thai aguçado se fez presente por todos os 15 minutos, mas se esvaiu com o passar do relógio. O adversário, também versado na arte dos oito membros, devolvia os golpes com a mesma intensidade, impulsionado pelo tempero caseiro da torcida.

Não foi Thiago Alves quem farejou sangue, mas Alexey Kunchenko, que, na esticada final do embate, sacudiu a tensão da estreia no octógono e o peso de se apresentar em solo natal e apresentou afiadas combinações de socos, cotoveladas e também pontapés. Arredio, o cearense aceitou o castigo com pouco resposta e amargou mais uma derrota por decisão unânime.

Num duelo transcorrido quase que em ritmo de treino, pouco podemos dizer de Thiago que já não tenha sido estabelecido antes. Veterano como poucos dentro do UFC, é evidente que seu teto já lhe ultrapassou há muito. Agora, por amor à camisa, o canino empurra a carreira atacada por lesões até onde conseguir. Sem impressionar, mas também sem decepcionar ao ponto de desacreditar completamente. O que fazer?

Menções Honrosas

  • A sina de Petr Yan é encarar asiáticos ensandecidos. Após nocautear o lascivo Teruto Ishihara, Yan, no que era para ser um combate relativamente seguro, se flagrou numa louca dança de três assaltos contra Jin Soo Son, um coreano de sorrisos aterrorizantes e um rosto que se ilumina ao receber cada nova sapatada. Num duelo com direito a tudo que o povo gosta, a expectativa sobre o russo diminuiu um pouco, mas ganhou a menção honrosa.
  • Desta vez, foi Mãe Rússia quem se apoderou da Polônia. Com bela imposição de combinações de golpes, Magomed Ankalaev, originário de nada menos que Daguestão, invadiu a guarda do carateca com as mãos Marcin Prachnio e demoliu sua defesa com uma patada de urso bem aplicada no coco do polaco. Após deixar sua última vitória escorrer por entre os dedos no último segundo, o meio-pesado se vingou sem permitir chances ao azar.
  • Na primeira Guerra Fria da noite, Jordan Johnson quase sufocou Adam Yandiev ainda no primeiro assalto, mas, frio como solo moscovita, o soviético custou a se entregar e sobreviveu para a etapa seguinte. Para azar do russo, no entanto, o katagatame veio justo ainda nos segundos iniciais do round e aí a rendição foi obrigatória. Johnson, que aceitou o embate há menos de 30 dias, segue invicto entre os médios.
  • Mauricio

    Depois da treta de ontem no Instagram com o Werduniverso. .. Torcida para o Hunt perder e ver o segundo round da peleja virtual

    • Rodrigo Tannuri

      Adorei o termo kkkkk

  • Alyson D’Gramont

    Agora eu acho que o Arlovski roda no UFC.

  • Rodrigo Tannuri

    Já posso dizer que Marcin Prachnio é o novo Jared Hamman? Esse gosta de ser nocauteado bonito!

    • RicardoVivas

      Herb Dean tem algo contra o CB, né possível… o cara já tava pedindo pra sair há muito tempo…

      Achei que o Khabilov foi ajudado pelos juízes…

  • Alyson D’Gramont

    Esse Kunchenko é um cara pra ficar de olho.

  • Sergio Araujo

    Pior evento do ano até agora. Dificilmente vai ser superado.

  • Lucas Oliveira

    Tem que chamar a carroçinha pra esses pitbulls aí.

  • João Vitor Andrade

    Legal a arena estar lotada um bom motivo para o evento voltar ao país quem sabe com um card numerado . Ao contrário de Belém por exemplo…

  • Baixista Loko

    Teve o puta vacilo do Herb Dean que ngm nem fala, se fosse o Yamasaki tava geral esculachando e o Dana 100% puto no twitter.

Tags: , ,