Pensando Alto: A Análise
Informal do UFC Lincoln

Lucas Rezende | 26/08/2018 às 02:48

Que noite feliz para os cultivadores de milho do pacato estado de Nebraska, nos Estados Unidos.

Na capital homônima ao presidente que aboliu a escravatura americana, Lincoln, os fazendeiros puderam ter uma breve dose de adrenalina em suas vidas rodeadas por bolas de feno e milharais infinitos.

Afinal, das treze lutas programas para o UFC Fight Night 135, apenas quatro terminaram em decisão, e ainda pudemos contar com atuações ilustres de Justin Gaethje, Deiveson Figueiredo, James Krause, Rani Yahya, entre outros.

Claro que também tivemos o lado mais infeliz da moeda, mas nada é perfeito. Sendo assim, acompanhem-me no destrinchar de mais um evento divertido.

Justin Gaethje vs. James Vick

O saco de pancadas mais perigoso do mundo revidou com força.

Após duas derrotas completamente desgastantes, cheguei a pensar que Justin Gaethje fosse incapaz de lutar sem levar, pelo menos, 93 cacetadas no rosto, mas parece que o rapaz também é capaz de vencer rapidamente.

Com um overhand destro certeiro, o ex-campeão do WSOF mandou James Vick com uma passagem só de ida para a baía dos mortos. Os olhos do texano abertos, encarando o além, enquanto Gaethje cravava seu famoso mortal de costas deram um belo tom de morbidez circense ao fim da noite.

Por outro lado, Vick demonstrou ter talento para o nocaute. Assim como em sua derrota para Beneil Dariush, o rapaz também proporcionou um belo highlight para o mais atual adversário.

No mais, a vitória realoca Gaethje exatamente para onde estava anteriormente. De volta ao tanque de tubarões que é o lado de lá do peso-leve. Será que o zumbi já retornará outra vez? Ele desafiou ninguém menos que Tony Ferguson, mas afirmou que aceita qualquer um. O importante é chacoalhar o cerebelo!

Michael Johnson vs. Andre Fili

Vai um sanduíche? Em combate entre dois penas evidentemente desnutridos, a fome ficou de coadjuvante.

Em busca incessante pelo cartel negativo, Michael Johnson tentou, mas fracassou. Um adversário consciente, Andre Fili não cederia os desejos do oponente tão facilmente assim, de mão beijada.

Embora a fraqueza de Johnson no solo seja mundialmente conhecida, o lutador inovou ao não ser finalizado em um mata-leão justo de Fili, preferindo ser golpeado em pé, seu ponto forte, e ceder apenas a quantidade certa de pontos para causar confusão aos juízes laterais e também ao adversário.

No entanto, a estratégia saiu pela culatra. Johnson acabou por abusar das mãos habilidosas e varreu as opiniões de dois dos três jurados, laçando sua primeira vitória no peso-pena e se afastando um pouco mais do sonhado cartel negativo. Quem sabe na próxima?

Deiveson Figueiredo vs. John Moraga

Por ter sido meu destaque do evento, no podcast, pensei que o início morno deste embate tinha sido nada menos que urucubaca da minha parte, mas os queridos John Moraga e Deiveson Figueiredo viraram a chave na segunda etapa do primeiro assalto e sacudiram as teias de aranha para o restante da dança.

Depois de investir demais no jiu-jitsu, o paraense se deu conta que pintou o cabelo em homenagem a Kratos e seu apelido é “Deus da Guerra”, daí para frente, Moraga pouco teve o que fazer a não ser receber algumas cotoveladas, de bom grado, e umas bordoadas no estômago. O brasileiro quis o nocaute nonchalant, à la Mark Hunt, mas o juizão não permitiu, então teve de castigar até ser interrompido.

A vitória expressiva salta Deiveson da rabeira do peso-mosca direto para, pelo menos, a sexta colocação, antigo número de Moraga. Em tempos de Demetrious Johnson destronado, o surgimento do brasileiro não poderia ter chegado em hora melhor.

James Krause vs. Warlley Alves

Quando você é uma cria do kickboxing, mas depende exclusivamente de golpes abertos e recebe todos os diretos do adversário no queixo, é hora de reavaliar suas rotinas. Somado a uma taxa de sucesso muito maior no chão, com suas guilhotinas, o histórico de Warlley Alves realmente não concorda com o seu cartel.

Diante de James Krause, o carioca encontrou pouco sucesso em tudo que tentou. E tentou de tudo. Até quando a oportunidade de levar a luta ao solo se apresentou, Warlley não a abraçou, preferiu desferir pontapés no adversário caído do que mergulhar em sua guarda.

Com o gás abandonado do adversário no primeiro assalto, Krause precisou de pouco mais do que já vinha dando certo: golpes precisos e com endereço absoluto. Nocauteado em pé, Warlley só descansou nos braços do piedoso árbitro, depois de impiedosamente esmurrar o vento.

Este encontro marca a nona aparição do campeão do TUF Brasil 3 no octógono, e aquela possibilidade da promessa virar realidade cada vez mais se transforma em dúvida. Warlley ainda tem 27 anos de idade, mas é de se imaginar que já estaria mais desenvolvido do que isto a esta altura, não?

Menções Honrosas

  • Figura carimbada e cromada entre dezenas de cards preliminares, Rani Yahya precisou de apenas um minuto e meio para guardar o joelho de Luke Sanders no bolso e levar para casa. Com três vitórias consecutivas e uma finalização vistosa, talvez já dê para sonhar com o longínquo card principal?
  • Jojo Calderwood desviou da demissão e empurrou Kalindra Faria pro penhasco das três derrotas consecutivas com uma chave braço aliada a um triângulo incansável, aos 4:57 do segundo assalto. A escocesa sequer é uma boa grappler, esta foi sua primeira vitória por submissão, mas o primeiro “M” de MMA jamais pode ser relevado.
  • Cory Sandhagen trocou a articulação do cotovelo esquerdo pela alma de Iuri Marajó. Após o paraense envergar o braço do adversário de um jeito que faz mamãe natureza torcer o nariz, o norte-americano sobreviveu e ainda utilizou o que lhe restou de braços para castigar o veterano, que deixou todo o gás e também estabilidade emocional, naquela tentativa de finalização. O nocaute técnico veio no segundo assalto de uma virada que me deixou verdadeiramente aterrorizado pela barbaridade do armlock e brabeza do gringo. Sangue de Jeová tem poder!
  • Felipe

    Eddie Alvarez e o Dustin Poirier têm queixo, hein?

    • Igor

      Realmente. E o Connor tem um punho dos infernos.

      • Rod (:

        Precisão né. O cara não desperdiça golpes.

      • Igor Barbosa

        Michael Johnson idem.

    • Malk Suruhito

      Se o ponto de corte for o Vick, que foi nocauteado pelo Dariush (que tem 3 ko’s em 14 vitórias), acho que é Vick que não tem muita resistência mesmo (e na maioria das vezes, consegue fazer uso da envergadura para se livrar de acordar com a lanterna nos olhos).

  • Audrey Bonney

    Muito Bom ler as analises do Lucas Rezende…

  • Paulo Lobo

    E o Rany ngm fala, comenta nada?

    • Lucas Rezende

      Está nas menções honrosas.

  • Marcelo

    Como eh que pode o cara nao bater tendo o braço envergado daquele jeito?
    Detalhe Rezende…Quem tem sangue eh Jesus e nao Jeova rs.

    • Lucas Rezende

      Pensei que fossem todas as pessoas!

  • Pedro Henrique P. Costa

    Warlley é mineiro, Lucas Rezende, não carioca.

    • Lucas Rezende

      Falha nossa!

  • Igor Barbosa

    O “árbitro” deixar o Marajó apanhar daquele jeito foi pra deixar até Mario Yamasaki horrorizado. Espero que esse cidadão passe bem longe de uma luta de MMA depois desse absurdo. E Gaethje é espetacular demais, é “Highlight” até nas comemorações. Se fosse menos inconsequente, poderia muito bem se tornar campeão.

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