Pensando Alto: A Análise
Informal do UFC Hamburgo

Lucas Rezende | 22/07/2018 às 19:01

Quem se cria menos? Brasileiros na Alemanha ou alemães na Rússia?

O UFC Fight Night 136,  sediado na agradável Hamburgo, foi um evento justo, mas impiedoso. Justo, pois foi cruel tanto com lutadores quanto espectadores, com uma esquecível sequência de nove combates decididos por decisões do lado de cá na escala da monotonia.

Impiedoso, principalmente com os veteranos brasileiros. Vitor Miranda, Glover Teixeira e Maurício Rua deixaram impressão de terem feito o mesmo combate e perdido da mesma maneira, embora contra adversários diferentes.

Quando mudamos de assunto, temos de debater o encontro entre as jamantas Stefan Struve e Marcin Tybura. Portanto, não há nada de muito animador a se discutir, infelizmente.

No mais, vamos aos detalhes.

Anthony Smith vs. Maurício Shogun

Shogun já não consegue mais fazer o que Shogun fazia.

Ser sumariamente brutalizado por Anthony Smith é um indicativo grave de que não há mais alternativas ou razões para Maurício Rua insistir no MMA. O americano tem poder de nocaute, mas envolve pouca técnica e já foi derrotado por gente da estirpe de Cezar Mutante e Thiago Marreta, uma dupla que jamais se criaria diante da entidade que um dia foi o curitibano.

No entanto, o tempo é inimigo de todos, e principalmente dos mais velhos. Smith estreia com moral alavancada nos meio-pesados, às custas de um Maurício que nem de longe se assemelha sua antiga forma, e de um Rashad Evans que já nem sabe o que está fazendo porque perdeu a memória recente.

Agora, é questão de descobrir se o rapaz tem algo a oferecer contra os outros que não estão fazendo fila no INSS. Desafiar Alexander Gustafsson já foi um bom começo.

Corey Anderson vs. Glover Teixeira

Não houve resposta para aquele que besta vinte cinco horas por dia, oito dias por semana.

Apesar da enorme resistência física, os 38 anos de idade de Glover Teixeira pesaram nas costas quando este se viu forçado a conter o ímpeto de Corey Anderson por 15 minutos.

O mineiro relutou bravamente, mas, no fim, não tinha respostas à altura para as investidas e, principalmente, o wrestling do norte-americano. Vitória sonora de Anderson, que aceitou o confronto com duas semanas de aviso prévio, embora não tenha sabor de troca de guarda.

Já superado por nomes como Gian Villante, Jimi Manuwa e Ovince Saint Preux, fica difícil acreditar que Corey chegará assim tão longe dentro do octógono. Aliás, me parece ter ido além do que se era esperado. Então, parabéns por isso, eu acho?

Abu Azaitar vs. Vitor Miranda

Abu Azaitar queria a cabeça de Lex Luthor.

Cheio de descaso para a bagagem de Vitor Miranda no muay thai, o marroquino adentrou o octógono pronto para trocar gentilezas até que um dos dois estivesse estirado no chão, o quê obrigou o brasileiro a buscar uma saída no combate agarrado, mas sem sucesso.

Aliás, o que fazer quando não se é um grappler refinado, mas o adversário tem mais gás e pressão em pé? Pois é. Vitor tentou katagatames e chaves-de-braço, mas Azaitara era simplesmente mais inteiro e arredondado. Não mais técnico, mas preparado o bastante para misturar as artes marciais.

Foi um duelo encardido, onde alguém tinha de vencer. As vaias cantaram na reta final, mas alguém tinha de vencer. Não foi a mais bela das estreias, mas Abu Azaitar chega ao UFC bem-sucedido.

Marcin Tybura vs. Stefan Struve

Errado estava quem esperava primor técnico e combate acalorado entre Stefan Struve e Marcin Tybura.

Ambos os europeus ostentavam duas derrotas em seus últimos combates e se apresentaram conforme o recente retrospecto. Struve, sempre vagaroso, desta vez nem teve chance de desperdiçar sua envergadura, pois foi sistematicamente amassado pelo polonês e ofereceu pouco a nenhum perigo, com as costas contra o solo.

Apesar de ter beijado a ponta do pé de um chute frontal de Struve, que o cambaleou no segundo assalto, Tybura reuniu frieza para se recuperar e retomar a estratégia enfadonha, mas indiscutivelmente eficiente.

A vitória por decisão unânime não levará o polaco a lugar algum no UFC, mas lhe protege da famigerada terceira derrota seguida. Para Struve, com 10 anos de casa e pouquíssima entrega, pode ser o fim da linha.

Menções Honrosas

  • Eu não preciso de muito mais além do que saber que se trata de um sérvio chamado “Darko” para levar Darko Stosic a sério. Mesmo assim, o estreante aproveitou para impressionar em sua debuta no octógono. Aproveitando-se do QI invejável de Jeremy Kimball, o europeu teve chance de exibir boa técnica de wrestling ao inverter o pior double leg da história, desde Thiago Pitbull vs. Martin Kampmann, e definir a peleja em poucos, mas assustadores golpes de ground and pound.
  • Não alertaram Davey Grant dos perigos de navegar pelo Triângulo das Bermudas. Com direito a knockdown e mais uma de suas finalizações com marca registrada, Manny Bermudez fez pouco caso do adversário e apresentou um show de transições no solo, até adormecer o britânico com a sua finalização favorita. Mais uma vitória para o orelhudo invicto. E com estilo.
  • Moscoso

    Com toda certeza das 3 derrotas brasileiras,a que menos se esperava era a do a Glover,decepcionante demais.Em relação ao Shogun,depois da declaração do DC,o que se esperava era um cara mais motivado pra luta,mais inteiro,com um shape melhor,mas foi totalmente oposto,muito triste.

  • Thiago Tanikawa

    Realmente o Brasil depende exclusivamente de renovação para se manter como uma nação de respeito no MMA, porque os heróis de outrora estão acusando as guerras do passado. Shogun e Glover superados por nomes medianos, Spider às vésperas da aposentadoria, Minotauro aposentado há tempos e Minotouro aos 42…uma pena que as categorias mais pesadas tenham prospectos escassos já que as leves parecem bem mais promissoras (Moraes nos galos, Moicano nos penas, Barcelos alternando entre as duas, Deivesson e Nicolau nos moscas). Nosso consolo é que o MMA feminino do Brasil está anos luz a frente da maioria dos outros países.

  • Sergio Araujo

    Agora sabemos pq DC queria defender o cinturão contra Shogun.

    • Marllon

      Que bom que ele perdeu, essa luta seria o primeiro homicidio da historia do UFC.

  • Lero

    Cormier vs gay Jesus

  • Felipe Cotto

    Shogun esta decrépito desde os 29 anos, bicho. Que papo é esse de falar de idade? Acaso estava velho qdo patinou no skate, foi finalizado pelo sonnen, etc? Falar de idade, no caso dele, não cola.

    • Malk Suruhito

      Idade de ringue, fio. Muita porrada acumulada.

      • bedotRJ

        O adversário tem mais lutas no cartel. O caso do Shogun não é só idade de ringue.

        • Douglas Karpinski

          mas convenhamos que lutar no pride arranca mais dias de vida que lutar no ufc, tiro de meta, juiz só parava quando o cara tava semi em coma, dependendo da época tinha os gp que era até 3 lutas numa noite e assim por diante….

        • Malk Suruhito

          Vc tá comparando número de lutas e não a qualidade dos adversários em si. Shogun já lutou até Overeem (x2), Coleman (x2) e Randleman que eram de meio-pesados a pesados. Smith transitou apenas entre meio-pesados e médios contra medianos.

  • Douglas Karpinski

    Gosto muito do Shogun, mas ja chega, foi um lutador histórico, tanto no pride quanto no ufc, mas esta lento demais, com 1 luta por ano não tem como ter ritmo, cara se quisesse mesmo lutar faria como o irmão do Fedor que tava preso saiu da cadeia e foi treinar pra valer, o Shogun tava parecendo meus tio em churrasco de domingo… .triste pq gosto demais desse lutador…..

    • Douglas Karpinski

      bom sem ser viuva do pride mas olha isso :
      https://www.youtube.com/watch?v=cyeEjXpPkYM

      • Pow Rodrix

        Difícil acreditar q é o mesmo lutador!

      • Felipe Cotto

        Considere tb que o nível do esporte subiu muito. É impossível vc pensar ele metendo essas sequências, mtas vezes com a guarda baixa, contra um Jones, um Rumble Johnson, um Gustaffson, um DC…

      • Lucas Oliveira

        Me espanta ninguém ter morrido na época do pride. Olha esses tiros de meta.

        • Douglas Karpinski

          Olha não sei como não aconteceu pq oportunidade não faltou, e o suplex do Randleman no Fedor, mano como esse maluco não se quebrou no meio?

      • Danilo Marafon

        Shogun do Pride era foda demais. Muito rápido, vigor físico. O do UFC nunca nem passou perto disso.

        • Rogério Brum Hermany

          No Pride não tinha anti-dopping. Todos usavam bomba lá. Talvez o Shogun tenha uma resposta melhor aos PED do que a maioria, por isso era tão dominante.
          Outros lutadores que não fizeram nada no UFC e eram dominantes no Pride foram Mirko Cro Cop, Wanderley Silva, Takanori Gomi (que dividiu o premio de melhor lutador do ano em 2005 com Shogun).
          Dopping muda muito a dinamica do esporte. Por isso, talvez, vemos agora meio-médios indo bem nos médios e leves indo bem nos meio-médios. Sem o dopping, fica dificil cortar tanto peso e ainda ter vigor físico e força pra aguentar uma luta.

    • Iago Batista

      Shogun morreu na 2a luta contra Lyoto. Dali em diante só apareceu a sombra dele.

    • Felipe Cotto

      Shogun não foi “histórico” no UFC não. Teve bons momentos, mas momentos de muita vergonha tb, como ser feito de boneco de pano pelo Jones (talvez a maior surra numa disputa de cinturão até hj), o nocaute relâmpago para o OSP, a estreia frustrante contra o Griffin, a finalização que o Sonnen nem suou, etc.

      Pra ser honesto, as 2 lutas contra o Lyoto é que foram totalmente fora da curva, sobretudo pela fase que o dragão atravessava.

  • Leo Corrêa

    Gosto de acompanhar o Vitor Miranda nas redes sociais, mas, nessa luta… ele deu muito vacilo. :/

  • Igor Barbosa

    Na horrorosa categoria dos pesados, até vejo uma sobrevida pro Glover. Agora quanto ao Shogun, chega. O declínio dele não é de hoje, acho que aquela primeira luta contra o Dan Henderson foi o limite. Já vinha em declínio acentuado, mas ali naquela luta, foi como se tivesse juntado todas as forças que ainda tinha e deixou tudo no octógono naquela noite. Foi um último ato. Que faça uma luta de despedida e encerre a carreira enquanto ainda tem saúde. Que aproveite o tempo com a família e seja merecidamente introduzido ao Hall da Fama.

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