Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC Cingapura

Thiago Sampaio | 21/06/2018 às 15:06

Ainda estamos nos recuperando daquele baita evento que foi o UFC 225! Mas depois de um sábado de intervalo, esta semana tem mais. Só que agora, com um daqueles cards com horário esquisito para fazer os fãs darem uma respirada e poupar o remédio para ansiedade.

A maior organização de MMA do luta chega pela terceira vez em Cingapura, ilha no sudoeste asiático.

O “UFC Fight Night 132: Cowboy vs. Edwards” acontece a partir das 5h30 da manhã (horário de Brasília) deste sábado (23), na Singapore Indoor Stadium, em Kallang.

Na luta principal, Donald “Cowboy” Cerrone segue a trajetória de lutar quando der na telha e pega o embalado Leon Edwards, em duelo válido pela categoria dos meio médios.

No co-main event, um duelo de gerações que pode trazer (ou não) alguma renovação para a categoria dos meio pesados, entre Ovince Saint Preux e Tyson Pedro.

Em clima de Copa do Mundo, fato é que todo mundo vai acordar cedo, vestir a camisa verde amarela que já está reservada, para torcer por Felipe Sertanejo e Viviane Sucuri, os representantes brazucas deste card.

Deixada a ironia rotineira, vamos lá aos destaques!

Cowboy mil e uma utilidades

Não é de hoje que Donald Cerrone (33-10-0-1, 20-7 UFC) serve como uma espécie de “curinga” do UFC. Como ele não gosta de ficar parado, jogam ele para impulsionar cards menores. E assim ele vai para o terceiro main-event consecutivo, agora contra Leon Edwards (15-3, 7-2 UFC).

Desde que subiu para os meio médios, chegou a engrenar quatro vitórias, mas amargou três derrotas consecutivas, para Jorge Masvidal, Robbie Lawler e Darren Till. Mas na última, voltou a ter a mão erguida ao nocautear Yancy Medeiros, em fevereiro.

Já Edwards faz sua primeira luta principal na organização. Nunca foi badalado, mas pelas beiradas chegou ali na parte de baixo do ranking da categoria. Desde a estreia numa derrota apertada para Cláudio Hannibal em 2014, só voltou a perder para o belzebu Kamaru Usman.

Vem de cinco vitórias, nenhuma sobre adversário ranqueado, porém, bons nomes: Dominic Waters (tá, esse nem tá bom assim!), Albert Tumenov, Vicente Luque, Bryan Barberena e Peter Sobotta.

Promessa de um bom começo de luta em pé, já que o Cowboy curte colocar o muay thai em prática. Bate pesado, mas também sabe liquidar logo no chão quando tem oportunidade. Conta com 16 vitórias por finalização.

Mas o americano, já aos 35 anos, mostrou que desestabiliza fácil quando pressionado. Assim foi nocauteado com certa facilidade por Masvidal e Till. Mas apesar de ter punch, partir para o volume de golpes não é bem o estilo do Rocky.

Jamaicano radicado na Inglaterra, ex-campeão do BAMMA, é justo e pragmático em todas as áreas. É muito atlético e com qualidade no kickboxing, sabendo dosar bem o gás para aumentar o ritmo no round final se assim for preciso.

A grande interrogação é qual Cerrone veremos: o empolgante que vem para matar ou o que entrega a paçoca.

Os #chateados pós-Latifi

O cara que pode bater no peito e dizer que perdeu uma disputa de cinturão por pontos contra Jon Jones e ninguém vai levar a sério, Ovince Saint Preux (22-11, 10-6 UFC), volta após derrota para Ilir Latifi. Contra quem? Tyson Pedro (7-1, 3-1 UFC), outro que perdeu para o The Sledgehammer.

O filho de haitianos, aos 35 anos, até vinha em boa sequência de três vitórias, mas contra adversários nem tão respeitáveis, como Marcos Pezão e um combalido, destreinado e lutando duas divisões acima, Yushin Okami.

Contra Corey Anderson, estava levando um atraso e tanto até acertar um chutaço na cabeça no terceiro round, garantindo o nocaute. Mas depois veio Latifi e fez ele dormir com uma guilhotina em pé, sem guarda, só mesmo com a força dos braços.

Já o australiano é sangue novo na envelhecida categoria dos meio pesados. Tem 26 anos e, na carreira, só perdeu para o mesmo Latifi. Mas foi menos feio, foi para a decisão, mesmo tendo sido anulado pelo wrestling do sueco.

Tem uma carreira curta no MMA com apenas oito lutas. No UFC, venceu Khalil Rountree Jr., Paul Craig e, na última aparição, finalizou o fraquíssimo Saparbek Safarov com uma kimura.

Saint Preux é um striker versátil, tem maior envergadura e mobilidade. Tem como marca registrada a rara finalização Von Flue Choke. Mas também já mostrou que se complica quando pega um adversário forte na luta agarrada

Tyson, que está muito, mas muito longe de ter a qualidade do seu xará do boxe, também é eficiente na trocação. Faixa preta de Karate Kempo, sabe jogar bem nos contragolpes e quase sempre busca levar para o solo. Faixa marrom de jiu-jítsu, tem cinco das sete vitórias por finalização.

A experiência de OSP é crucial para ditar o ritmo do combate. Mas como não é nada confiável, não seria surpresa se o australiano, mesmo sem background no wrestling, fintar, botar pra baixo e buscar os três tapas. Lembrando que sempre existe o risco de cair na Von Flue do macumbeiro…

Quem leva? Jessica ou Jessica?

Com a criação do peso mosca feminino, várias lutadoras migraram para lá buscando o seu lugar ao sol. Uma delas, quem diria, é Jessica Eye (12-6-0-1, 2-5-0-1 UFC). De quase demitida, ela busca uma nova escalada de ranking contra a xará Jessica-Rose Clark (9-4-0-1, 2-0 UFC).

Mais conhecida pelos atributos estéticos do que pela qualidade em si, Eye chegou a perder quatro em seguida, para Miesha Tate, Julianna Peña, Sara McMann e Bethe Correia no peso galo. Subindo para os moscas, venceu Kalindra Faria por decisão dividida.

A australiana Rose Clark chegou ao UFC para tapar buraco deixado por Joanne Calderwood no co-main event do card realizado no seu país contra a já demitida Bec Rawlings e venceu por decisão dividida. Em seguida, bateu também por decisão a queridinha Paige VanZant, frustrando de novo os planos da chefia.

Eye, livre de ser mandada para o “olho” da rua (eu sei, foi péssima!), busca mostrar a que veio. No UFC, até a vitória para Sarah Kauffman foi revertida para no-contest por uso de maconha. Havia muita expectativa sobre ela, já era apontada como uma das melhores strikers femininas (bizarro, né?!).

Apesar de rápida, com bom muay thay e defesa razoável, tem deixado muitas brechas até mesmo em pé. Mostrou muita dificuldade contra wrestlers, caminho que deve ser explorado por Rose Clark.

Jessy Jess também é oriunda da luta em pé e até deve aceitar a trocação. Mas se o jogo de abafa funcionou contra VanZant, deve se repetir aqui. Ainda que a faixa azul de jiu-jítsu não apresente tanto perigo, vive uma fase melhor do que a musa americana e pode surpreender no chão.

Bom, pelo menos enquanto a ainda campeã Nicco Montaño não resolve colocar o seu cinturão em jogo contra Valentina Shevchenko, não vamos falar de title-shot para essas aí. Sem forçar a barra, né?

Até agora o maior prêmio da Eye foi parte da orelha da Leslie Smith

Botaram o moleque pra brincar de esconde-esconde

Tido como um atleta de futuro promissor, o jovem Jake Matthews (13-3, 6-3 UFC) só lutou uma vez no Ultimate fora da Austrália. Se na terra dos cangurus recebia destaque, nesta segunda aventura fora ficou escondido no card preliminar contra o japonês Shinsho Anzai (10-2, 2-1 UFC).

Com apenas nas 23 anos, vive boa fase depois que perdeu duas em seguida na divisão dos leves e buscou um recomeço entre os meio médios. Venceu Bojan Veličković numa decisão um tanto duvidosa e, na última, bateu o bom chinês Li Jingliang, por decisão unânime, com atuação bem mais convincente.

O adversário, nove anos mais velho, tem apenas três lutas pela organização. Estreou sendo nocauteado por Alberto Mina, mas depois engrenou dois triunfos, por nocaute técnico sobre Roger Zapata (por lesão) e por decisão sobre Luke Jumeau.

O The Celtic Kid é bem versátil. Bastante agressivo na trocação, bom no clinch e tem um jiu-jítsu de respeito, faixa preta de Carlos Português. Foi campeão australiano de wrestling, tanto defende como aplica quedas com eficiência.

No papel, é aquela luta em que o prodígio australiano vence com certa facilidade, pois tem mais ferramentas que o japonês. Mas só na teoria. O japonês tem uma vasta experiência como wrestler e tem potência nos golpes. Das 10 vitórias, sete foram por nocaute técnico.

Ex-campeão do Pancrase, o Animal (será que ele toca bateria como o xará de apelido dos Muppets? Bá-dum-tss) tem uma excelente defesa de quedas e também derruba com certa facilidade. Mas quando parte pra trocação, muitas vezes esquece a técnica.

O que pode ser também um risco para Matthews, que já mostrou algumas brechas defensivas e a mão do japa não pode ser menosprezada. Ainda assim, é favorito e tem boas chances de vencer se lutar focado e mostrar o que sabe, principalmente em pé.

Card completo:

Donald Cerrone x Leon Edwards
Ovince Saint Preux x Tyson Pedro
Jessica-Rose Clark x Jessica Eye
Li Jingliang x Daichi Abe
Teruto Ishihara x Petr Yan
Felipe Sertanejo x Song Yadong
Rolando Dy x Shane Young
Song Kenan x Hector Aldana
Shinsho Anzai x Jake Matthews
Yan Xiaonan x Viviane Sucuri
Matt Schnell x Naoki Inoue
Jenel Lausa x Ulka Sasaki

Vale assistir?

Até tentaram casar José Aldo x Jeremy Stephens, uma baita luta, para liderar esse evento, mas ela vai acontecer no Canadá, no dia 28 de julho. Parece que chamar o Cerrone tem sido um medida “fácil” para encabeçar cards menores.

Na última passaegm por Cingapura, haviam nomes como Holly Holm, Andrei Arlovski, Rafael dos Anjos, Dong Hyun Kim e Colby Covington. Até valia botar o despertador para acordar mais cedo.

Mas vamos ser sinceros: é motivador madrugar para assistir Cowboy e Saint Preux nos dias de hoje?

Não que o card esteja horrível. Só ruim mesmo. Há lutas interessantes como a do chinês nocauteador Li Jingliang contra Daichi Abe.

Felipe Sertanejo até que proporciona lutas legais, apesar de sempre irregular. Em má fase, se perder para Song Yadong vai ser difícil escapar da degola.

Por outro lado, a cearense Viviane Sucuri pode até não fazer lutas empolgantes, mas é uma atleta de qualidade e tem em Yan Xiaonan uma adversária na medida para se recuperar da primeira derrota da carreira.

Fica a curiosidade pela estreia do bom russo Petr Yan, ex-campeão dos galos do ACB, que é franco favorito contra o japonês tarado Teruto Ishihara.

Mas se uma palavra se encaixa bem com esse evento é: preguiça. Os horários e os nomes do card não ajudam.

E como aqui não defendemos bandeira de que para o esporte crescer é preciso beber dois litros de café e ignorar qualquer outra disputa que esteja acontecendo.

O resto do sábado tem um futebolzim para divertir. O nome da competição é uma tal de Copa do Mundo. Tem até um jogo mais ou menos entre Alemanha e Suécia! 

Como somos legais, fica aí o “card completo” do sábadão:

9h – Bélgica x Tunísia
12h – Coreia do Sul x México
15h – Alemanha x Suécia

  • Baixista Loko

    Kkkkkkkkkkkkk mto boa essa, card da copa ta beeem melhor.

  • Sergio Araujo

    Não gosto de futebol. Vou dormir cedo na sexta.

  • Paulo Queiroz

    A Jessica Eye na verdade desceu de categoria, e não subiu, como foi colocado na matéria

    • Thiago Sampaio

      Verdade! Obg

  • flavio israel

    Realmente o card e o horário do evento não ajudam , a copa tá bem melhor hahaha !

  • Lorenzo Fertitta

    Cerrone e Alemanha by KO. México e Bélgica tropeçam.

    • Mauro

      Já errou no Cerrone e na Bélgica.

      • Lorenzo Fertitta

        Errei o México também. E a Alemanha infelizmente conseguiu um “KO tardio”, quando a vaca já estava quase totalmente no brejo… similar ao Spider contra o Sonnen na primeira luta.

        • Mauro

          Um baita jogo, diga-se de passagem.

          • Lorenzo Fertitta

            Sim, um dos melhores até agora. Juntamente com Argentina X Nigéria, Espanha X Portugal, México X Alemanha e Suiça X Sérvia, na minha opinião.

  • Mauro

    Domínio do negão.

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