Cabeça longe e corpo frágil:
é hora do adeus para Condit

João Vitor Xavier | 18/04/2018 às 15:51

Após assistir à derrota do ex-campeão interino Carlos Condit para o brasileiro Alex Cowboy no UFC Glendale do último sábado, fiquei com a impressão de que, talvez…quem sabe…por ventura…era hora de o norte-americano pendurar as luvas.

Porém, o que me deu a certeza de que chegou a hora do “Assassino por Natureza” foi sua postura pós-luta.

Através do seu perfil no Instagram, Condit mostrou, mais uma vez, que o ideal era que ele tivesse mesmo se aposentado depois do duelo com Demian Maia em agosto de 2016.

…Não sei o que virá pela frente, pessoal. Eu ainda amo esse jogo e, na maioria dos dias, ainda sinto esse fogo arder. Eu absolutamente amo o que faço, mas talvez meu tempo já passou. Não sei a resposta para isso, mas isso é o que eu sei: essa é a minha paixão. Eu nunca irei parar de treinar, e se esse caminho me levar de volta para o octógono, podem ter certeza que eu tentarei fazer com que seja sangrento para vocês…”, comentou Condit após o revés para Cowboy.

Quem me segue por aqui, sabe que eu sou defensor da liberdade do atleta em escolher a hora de parar. Bati nessa tecla diversas vezes nos três anos que faço parte desta grande equipe do Sexto Round.

Último ato?

Hoje, abro uma exceção para discordar de mim mesmo e dizer que o ex-campeão interino meio-médio não deveria voltar a lutar, nem se quisesse.

Vamos aos fatos. Desde que perdeu para Georges St. Pierre e Johny Hendricks em sequência, Condit já não luta com a mesma fome de vitória, nem instinto assassino. Provavelmente, sua última atuação decisiva tenha sido diante de Thiago Pitbull, no UFC Goiânia.

Contra Robbie Lawler, alguns meses depois, no UFC 195, Condit foi muito bem – para mim, ele venceu aquela luta. Acho que a decepção da derrota tenha encaminhado de vez sua mente para longe do octógono. Contra Demian, praticamente não teve luta.

Após aquele duelo, lembro bem do norte-americano mostrando confusão com o tamanho do abismo em habilidade entre ele e o brasileiro no chão. Ali, mais um sinal amarelo se acendeu em sua cabeça.

A partir daí, Condit começou a preparar sua vida para o pós-luta. Abriu um negócio, se dedicou ao seu crescimento, deixando o MMA em segundo plano pela primeira vez desde que se profissionalizou.

Ao retornar para enfrentar Neil Magny no UFC 219, ele admitiu que precisava do dinheiro para reinvesti-lo em seus negócios. Há poucas maneiras piores de voltar ao tanque de tubarões que é o octógono do Ultimate do que por necessidade financeira.

Os tempos de caçador ficaram pra trás…

A atuação muito abaixo da crítica refletiu a falta de motivação de Condit.

Diante de Cowboy, que pegou a luta com poucos dias de antecedência, ficou a certeza de que a cabeça – e o corpo – do ex-campeão já não estão mais no nível esperado para competir em alto nível no UFC.

Ao se manter no mix simplesmente por dinheiro, Condit pode estragar algo ainda mais valioso – seu legado.

Já vimos acontecer com alguns atletas, que perderam a aura que tinham ao seu redor com a teimosia e a insistência de tentar se manter na ativa, mesmo quando o corpo e a mente caminham na direção oposta.

No caso do americano, nem o elemento da surpresa pode ser utilizado. Ao admitir publicamente que já não está com a cabeça 100% focada no MMA, Condit se coloca como alvo fácil de atletas mais jovens e com menos a perder e pode virar ração para “tubarões em crescimento”. Receita para o desastre.

  • Emanuel

    Não é falta de motivação, é excesso de quilometragem. A cabeça quer, o corpo não responde, só isso.

  • Diogo Barbosa

    Porra… como essas duas fotos dizem muito sobre Condit.

  • Hericly Andrade Monteiro

    Chega uma hora que parar é melhor. Mas deve ser difícil você parar de fazer aquilo pelo qual lutou, literalmente, nos últimos 15 anos. Decisão muito complexa.

  • diego rizzo

    Ainda acho que pode fazer lutas boas, contra adversarios nos quais nao sejam da nata da sua divisao. Assim como os ultimos tempos de Wand no UFC, a melhor escolha é sem duvida pegar adversarios mais velhos e menos intensos. A divisao de 77kg, sem duvida nenhuma, é uma das que mais participam da passagem de bastão de uma geração a outra: USMAN, TILL, PONZINIBBIO, COWBOY, RDA, COLVINGTON E ETC… Chegou a hora de descer o degrau e fazer seus ultimos combates contra adversarios que o façam ao menos estar em uma média… Seja ela qual for

  • Igor Bittencourt

    essa luta com o cowboy foi tudo que se espera do condit: sangue, entretenimento, falta de defesa de queda, bom jiu jitsu defensivo.

    na minha opiniao ele foi muito melhor do que eu imaginava, quase acabou a luta no 1o round saindo de baixo pra um mata leao. deu azar que tomou aquela finalização na ignorancia.

    condit ainda tem muito a oferecer ao esporte, ao meu ver. ele eh um justin gaethje da vida, nunca vai chegar ao topo (de novo, no caso do condit) mas sempre vai entregar lutas divertidas…só não pegar lutadores do estilo do magnyfico e do demião

  • KRS Porlaneff

    João Vitor Xavier – com um texto sério desses nem cabe te chamar de JVX igual fiz tantas vezes – mas com dor no coração eu sou obrigado a concordar com cada vírgula do que foi escrito pela sua pessoa.

    Acredito que eu seja o único remanescente de uma época – não sei se tem mais algum forista aqui no Sexto Round que acompanhava com afinco o falecido WEC que nem eu – e foi lá que vi alguns dos meus lutadores favoritos crescerem, e na maioria das vezes, em algum momento perder: Cruz, Cerrone, Stann, Bendo, Paulão, Miguel Torres, Parisyan… e o meu lutador favorito naquela liga sangue-no-zóio com atividades encerradas em 2010, Carlos Condit.

    Lembro até hoje das lutas dele no WEC e no começo do UFC, aquele muay thai quase impecável, rapidez, queixo de titânio e mãos pesadíssimas… acho que todo mundo que assistiu Condit VS Hardy no UFC 120 vibrou com os dois fazendo aquele teste de resistência de queixo que culminou com o inglês nocauteado.

    Não acho que a derrota para Demian Maia foi decisiva, apesar de ter ajudado. Mas toda a mídia especializada, com raras exceções, apontando vitória dele em cima de Robbie Lawler e “só ele saindo sem cinturão”, acho que foi o ponto decisivo. Queria vê-lo lutando mais, mas fico de certo modo aliviado que parece que ele não quer mais lutar.

    Uma pena que ele não digeriu a “vitória moral” tão bem igual o Dan Henderson quando enfrentou o Bisping pelo cinturão.

    • Manu

      Eu também sou um dos remanescentes do finado WEC. Deus, como aquele evento era bom. Meu lutador favorito era o Miguel Torres, um dos poucos detentores de cinturão que eu conheci que não era nenhum pouco estratégico, caia pro pau toda luta como se não tivesse amanhã. E Condit também, desde a época, era o que eu mais gostava depois do Torres.

      • KRS Porlaneff

        Peraí, “um dos”? Todos esses dias que eu via comentário seu, achava que tu era mulher rsssssssssssssss

        Miguel Torres também era ótimo de assistir, acho que vi o WEC da edição 21 ou 22 em diante, era um evento que tinha o Doug Marshall e foi justamente essa luta que me prendeu a atenção.

        Ainda acho o PRIDE a melhor liga de MMA que já teve e depois de tanto crescer não tem como deixar o UFC fora do segundo lugar. Mas o WEC tem lugar especial no top 3.

    • Paulo Magalhaes

      Cara a chamada dele pra essa luta, entrando com cara de gangster e o telão mostrando o rosto dele se confundindo com uma caveira e uma coisa de arrepiar. https://www.youtube.com/watch?v=RpcfK3si-z8&t=139s so passar esse vídeo ai até o 1 minuto.

  • bedotRJ

    Ele é novo e não aparenta estar desgastado. Não é como aqueles lutadores já beirando os 40 que perdem os reflexos e são nocauteados com facilidade. Ele só tem perdido por finalização ou decisão. É questão de cabeça mesmo. Falta de motivação para procurar treinamentos que possam dar o algo a mais que ele precisa para a parte final da carreira. Acho que o caso dele não é de aposentadoria. É de pegar uma ou duas lutas fáceis, contra adversários com perfil específico (nada de tops no momento), para fazê-lo recuperar a confiança. Botem-no pra lutar com o Okami e depois com o vencedor de Ellenberger vs Saunders. Passando por essa reciclagem, ele volta aos tops.

    • Baixista Loko

      Okami ia ser o antijogo dele…

  • Manu

    Como meu xará disse, é excesso de quilometragem. Porém também acho que é mais do que isso. Poucos lutadores acima de 32/30 anos conseguem manter-se em alto nível com tantas lutas, e se conseguem fazer isso, muitas vezes é porque não tiveram uma carreira violenta, como Masvidal por exemplo( e carreira violenta, eu quero dizer lutadores conhecidos por “defender jab com a cara”)

    Condit sempre foi conhecido pelo queixo de aço além de seu striking ofensivo, e as bordoadas que ele tanto tomou, uma hora iam cobrar o preço. E com 42 lutas nas costas e prestes a completar 34 anos, a hora dele já chegou há muito tempo. Porém o instinto de lutador ainda é afiado, então esse que é meu medo.

  • Ton lima

    Quando o cara tá no auga da carreira, todos curtem, mas quando chega ao fim bate um desanimo…
    Ainda mais por ver que no MMA atual temos pouquísimos lutadores com essas caracteristicas de cair pra dentro como o Condit, mas já é hora de curtir a vida e preservar a saúde que ainda tem, foram muitos “shows de drama” pela carreira. Com pesares, sigo o relator!

  • Igor Barbosa

    Eu comecei a acompanhar MMA de 2010 pra 2011. Em 2010 assisti, a convite de um amigo, Anderson x Demian, e claro, fiquei decepcionado e demorei um pouco pra começar a acompanhar de fato. De bobeira em casa, assisti BJ Penn x Matt Hughes 3 e Machida x Rampage (UFC 123) e viciei, passando a acompanhar todo dia qualquer reprise de evento que passava, e tive a sorte de ver um pouco do Condit no WEC e principalmente, quando ele aplicou uma das joelhadas voadoras mais lindas que já vi, destruindo o Don Hyun Kim. Foi a primeira luta ao vivo que assisti do Condit, e virei muito fã. E sou muito grato, pois esse cara é um dos responsáveis por eu gostar tanto de MMA tanto quanto futebol, às vezes até mais.

    Por isso essa reta final do Condit tem realmente me deixado bem triste. É péssimo ver um dos seus maiores ídolos dessa forma, saber que nunca mais vai ser o mesmo. Foi a mesma sensação ruim que tive com o fim do Minotauro. Acho que o Condit deixou absolutamente tudo que ainda lhe restava contra o Lawler, como se soubesse que ali era a sua última chance. Nunca vou esquecer aquela imagem dos dois debruçados na grade ao fim da luta, exaustos, lado a lado, por terem dado tudo de si. Esse era o Condit, e é como vou lembrar dele. Porque infelizmente, esse lutador já não existe mais. =/

  • Sergio Araujo

    Discordo enfaticamente. Condit ainda é muito melhor do que muito lutador meia boca da organização. Sem falar que ainda nem está tão velho. Dá duas lutas vencíveis pra ele recuperar a confiança e vamos ver no que dá.

    #KeepFightingCondit

  • Mauro

    Lawler, Condit, Hendricks.,… talvez tenhamos perdido alguns dos meio médios mais empolgantes de todos os tempos.

  • Nathan Dreak

    A vontade que temos que um lutador pare de lutar é muito correlacionada com o quanto gostamos dele. A quilometragem cobra a conta de qualquer lutador e no final da carreira, invariavelmente, são superados por novos lutadores e assim segue a vida. Mas quando gostamos de um lutador não queremos vê-lo perdendo (e apanhando) apesar da vontade dele.

    Um exemplo, para mim, é o Minotauro. Acompanhei a carreira dele, para mim ainda é o segunda maior pesado atrás do Fedor (deve ser ultrapassado pelo Miocic), e vê-lo sendo espancado pelo gordinho Nelson foi muito triste. Mas é a escolha do cara. Se manter na ativa perdendo e sendo espancado por lutadores medianos afeta o legado do lutador. Não retira o que fez, mas entra no cartel e na comparação. É difícil para o lutador mas saber a hora de parar é importante.

  • Paulo Magalhaes

    A merecida aura que se criou em cima do Condit me fez fã incondicional, não consigo nem torcer pros brasileiros que lutam contra ele, mesmo contra a minha vontade, aquela pedalada que o Cowboy deu e o Condit arrastou a cabeça no chão deixando um rastro de sangue me agoniou. Acredito que a bolsa do Condit na casa dos 120 a 150 mil dólares que pode dobrar em caso de vitória ainda é o fator chave pra subir no Octogono, já imaginou ficar sem uma renda dessas? Mas quero que ele se aposente, uma luta contra Matt Brown, com vitória pegando um último cheque é o meu desejo pro Condit, vá cuidar do café e da familia, meus sinceros agradecimentos “the natural born killer”. Acho que não tem alcunha melhor em todo UFC.

    • Anderson Tomaz

      até onde eu sei ele já vem de família ”rica” (o pai é empresário ou político, não me recordo)…
      creio que lute mesmo por amor

      • Paulo Magalhaes

        uhum os pais dele são protores de justiça Anderson se não me falha a memória, quase certeza, mas qualquer dinheiro é bem vindo.

  • Volney Damacena

    Acho que seria uma boa, antes de parar de vez, ele fazer umas lutas no Glory! Será que não seria uma boa?

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