Wanderlei toma decisão perigosa à la BJ Penn

Renato Rebelo | 18/12/2012 às 04:59

Não é segredo nenhum que BJ Penn, ao longo de sua carreira, não era dos mais chegados a dietas, treinos intensos e desidratação.

O próprio havaiano já confessou que a falta de empenho muitas vezes minou seu talento natural.

Pois bem. Depois da surra que levou de Nick Diaz, ele decidiu se aposentar.

Em seguida, levantou do sofá para encarar Rory MacDonald – e mais uma vez se sabotou.

Ao invés de voltar ao peso leve, onde reinou, BJ fugiu do corte de peso e botou seus 1,75m de altura e 1,78m de envergadura em rota de colisão contra o canadense de 1,85m e 1,94m.

Na peleja, dava a impressão que lutadores de categorias diferentes se enfrentavam.

O resultado não poderia ser outro: monólogo do atleta maior, mais jovem, mais rápido e menos técnico.

E que fique claro. Não estou dizendo que Rory não é habilidoso, apenas não o coloco no mesmo patamar do “Prodígio”– campeão mundial de jiu-jítsu na faixa-preta com apenas quatro anos de treino.

Moral da história: quando estamos falando de um nível competitivo tão alto, fazer vista grossa para tamanha diferença física beira a negligência.

Wanderlei Silva, ao contrário do havaiano, sempre foi “rato de academia”.

A agressividade e o vigor físico do “Cachorro Louco” eram respaldadas pelo coração e por um preparo físico invejável.

Esperto, quando sentiu que havia ficado pequeno entre os cada vez maiores meio-pesados, tratou logo de procurar abrigo no peso médio – local mais adequado ao estilo de jogo.

Com esta sabia decisão, Wand ganhou sobrevida e manteve fora da boca de Dana White aqueles papos sobre aposentadoria.

Bom, semana passada, acesso o SporTV.com e leio uma matéria em que o curitibano confirmava o retorno à categoria até 93kg:

Dieta é um saco, né!? – disse.

Sinal amarelo ligado. Isso quer dizer que seu adversário, Brian Stann, mais alto e mais pesado, terá que se sacrificar menos para bater o peso.

Ou seja, a luta que já era perigosa até 84 kg acaba ficando ainda mais.

Vale lembrar que Wand adentrará uma divisão “crowdeada” onde é o menor da turma (empatado com os 1,80m de Stanislav Nedkov e Roger Hollett).

E tem mais. Aos 36 anos, será que ele se sairia bem contra Glover Teixeira, Lyoto Machida, Rashad Evans, Dan Henderson, Gustafsson, Phil Davis, Ryan Bader, Thiago Silva, Chael Sonnen e companhia?

Ou será que ele se contentaria em atuar no segundo time com Igor Prokrajack, Vladimir MaTyushenko, Joey Beltran, Kyle Kingsbury e outros?

Acho que valia esperar Belfort x Bisping e desafiar o perdedor. Qualquer um dos dois casaria lindamente com Wand…

Enfim, como sou positivista, vou me apegar às palavras de Fabrício Werdum ditas há alguns meses a este humilde site:

O Wanderlei tem punch de peso pesado. Só a gente que treina com ele sabe como é. Se pegar, qualquer um cai – disse o simpático “Vai, Cavalo”. 

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