Michael Bisping e a nova tendência do jogo

Renato Rebelo | 06/12/2012 às 13:34

Belfort, Sarafian e Bisping no Monumento às Bandeiras

Com cinco milhões de seguidores, Rafinha Bastos foi eleito a pessoa mais influente do mundo no Twitter.

Seria ele uma unanimidade da comédia nacional ou do senso comum? Nem de longe.

Parece que a globalização redefiniu o significado da palavra “popular”.

O que antes era definido como “agradável ao povo” pode ser visto hoje como “consumido pelo povo”.

Sabe aquele narrador que todo mundo xinga nos estádios mas é campeão absoluto de audiência? Então…

Atravessando a ponte para o MMA, temos o caso do Gangster de West Linn. Chael Sonnen é dono de um índice de rejeição incomparável – que, consigo, traz furadas de filas históricas e cheques polpudos.

A verdade é que poucas práticas ensinam tanto sobre respeito e disciplina quanto as artes marciais.

Os “amassos” diários e a necessidade de obedecer aos mais graduados criam um perfil relativamente comum a quem opta por seguir esse caminho.

Portanto, fazer o papel do vilão no MMA traz evidência, tira da boiada.

Se apenas uma pequena minoria chega próximo ao pote de ouro, por que não otimizar as chances? Vaias não tiram pedaço.

Sonnen no TUF 17 expos essa nova realidade do jogo – já captada faz tempo pelo carismático, porém não amado Michael Bisping.

Ontem, na coletiva de imprensa em São Paulo, vi Vitor Belfort, que vem de luta contra Jon Jones e já conquistou cinturão do UFC, ser absolutamente engolido pelo poder de oratória inglês que, em toda carreira, venceu apenas um adversário top 10 (Brian Stann).

Vitor ficou em segundo plano ao adotar a linha “respeito meu adversário e falo com meus punhos”, enquanto Bisping estampou a capa de todos os portais brasileiros mostrando irreverência e a tradicional língua afiada:

Vou falar algo que me faz ser visto como o vilão: aquilo foi uma típica luta do Vitor Belfort. Teve uma bom primeiro round. E foi só isso. É assim que vejo as lutas dele. Ele começa a luta rápido, mas desacelera depois… É um cara com muito músculo, e por isso é mais rápido. Mas olho esses músculos e tudo no que consigo pensar são aquelas pernas finas (risos).

É seguro dizer que qualquer vitória (até uma decisão dividida duvidosa) contra o “Fenômeno” garante um “title shot” ao inglês.

Pobre Weidman

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