O que agradou e o que pode melhorar no MC

Renato Rebelo | 23/11/2012 às 02:50

Rickson Gracie e Big John (foto: Marcelo Russio/ SporTV.com)

Rickson Gracie disse que o primeiro evento do Mestre do Combate seria um piloto para testar o formato e as inovações propostas.

E a impressão deixada, pelo menos para mim, é que a produção chega com força para se firmar no calendário do MMA nacional.

Ótima notícia, afinal, quanto mais opções, mais trabalho para os atletas, maiores as bolsas, o interesse pelo esporte cresce… Aquele tradicional efeito dominó que faz a roda do capitalismo girar.

No entanto, alguns ajustes podem ser feitos. Ontem, no Vivo Rio, procurei ficar atento aos detalhes e anotei alguns prós e contras. Vamos a eles:

Prós

– Clima intimista e espaço bem planejado. Rickson disse que o objetivo principal do evento não era financeiro. Os poucos assentos próximo ao cage provaram que o plano não era vender ingressos em detrimento do conforto e da organização. Lembrava até um campeonato de sumô japonês. Golaço. Desde o posicionamento dos câmeras aos camarotes amplos, tudo parecia bem pensado para proporcionar uma boa experiência ao público presente. Méritos também na escolha do local, o Vivo Rio.

– Ótima integração com a TV Esporte Interativo. Luiz Prota e Dudu Ferreira formam uma ótima dupla de transmissão e as entrevistas com famosos e organizadores feitas pela Lucilene Caetano entre as lutas deram um tom legal.

–  Os rounds de 10 minutos realmente valorizam a parte técnica e evitam aquelas manobras que conhecemos bem para vencer o round amarrando. Assim, a explosão e a força precisam ser dosadas para não faltar gás. O bom e velho Pride já nos ensinou essa lição no passado.

– Muito bom gosto. Sabe aqueles detalhes que poucas pessoas reparam? Iluminação, decoração, trabalho audiovisual, musicas… Tudo na medida.

– O evento foi do tamanho ideal: curto. Até pela grande quantidade de finalizações, foram cerca de três horas de papo – o que está de ótimo tamanho. Passar seis horas assistindo um show é maçante se você não é um fã muito hardcore.

Contras

– A produção do MC se mostrou competente. No entanto, a escolha do Vivo Rio, uma das melhores casas de shows do Rio de Janeiro, foi primordial para todos os elogios que fiz acima. Fiquei com a impressão de que a organização sofrerá um duro golpe quando o evento viajar pelo Brasil. Será um grande desafio manter o alto padrão.

– A decisão de quem vota pela internet ter um terço do peso no resultado final, certamente, mais cedo ou mais tarde, vai dar merda. Como se trata de uma disputa entre equipes que representam estados, a situação piora. Na única decisão da noite, Gersinho Conceição venceu Alexandre Sagat tranquilamente e os internautas apontaram o paulista como vencedor. O dia que Big John (ou qualquer outro árbitro) e Rickson votarem diferente, a carreira de um atleta pode ser seriamente prejudicada e isso não é brincadeira. Não estou dizendo que o voto popular deva ser excluído, só acho que deveria ter menos peso ou virar algo simbólico.

– É fundamental que, nos próximos eventos, haja um equilíbrio maior entre o que é gasto com estrutura e produção e o que é gasto com aqueles que dão o show: os lutadores. Toda a propaganda do evento girou em torno das regras, Rickson e da disputa por equipes. Para atrair aquele olhar curioso pela inauguração, valeu. Agora, a longo prazo, vai ser difícil sem bons valores. O card inexpressivo teve Vitor Miranda (um bom nome) confirmado em cima do laço.

Rickson se saiu, no fim das contas, um bom relações públicas. Articulado, paciente com a imprensa… A função é nova para ele, mas algumas bolas foras poderiam ser evitadas. Dizer após o show que torcia para a equipe do Rio de Janeiro por ser carioca é, no mínimo, inadequado para quem tem o poder de decidir uma luta e representa uma marca exibida ao vivo para todo o Brasil. A frase “não me interessa o que o público pense” falando sobre a votação também não ajuda a alavancar a própria idéia.


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