Quarta suspensão por maconha reacende discussão

Renato Rebelo | 22/11/2012 às 17:45

Matt Riddle, Nick Diaz e Dave Herman também foram pegos

Ontem veio à tona a notícia de que Thiago Silva foi pego no exame antidoping realizado após sua vitória por finalização no UFC on Fuel 6, em Macau, China.

A substância ilícita encontrada na urina do lutador foi maconha e a suspensão aplicada será de seis meses.

Como não havia comissão atlética regulando o evento asiático, as formas de punir o brasileiro são estipuladas pelo UFC.

Especula-se que não será aplicada nenhuma multa em dinheiro, mas, além do tempo fora de ação, o resultado mudará para o melancólico “No Contest”.

Julgar o paulista aqui da cadeira de casa seria um tanto quanto covarde da minha parte. Então, não farei isso.

Creio que ninguém deva estar mais incomodado do que o próprio com causo que pode gerar sua demissão por reincidência (lembrando que ele vem de um ano de geladeira por ter adulterado um teste pós-UFC 125).

O que chama atenção é o crescente número de casos de doping por maconha. Em 2012, além de Thiago, mais três atletas do UFC foram pegos: Nick Diaz, Dave Herman e Matt Riddle.

Com isso, uma “onda verde” vem inundando fóruns de MMA mundo afora.

O principal argumento de quem defende a retirada da erva da lista de substâncias proibidas é o fato da maconha não ser um “PED” (performance enhancing drug).

De fato não estamos falando de uma droga que melhora a performance do atleta, como esteroides anabolizantes, por exemplo.

O grande problema é que as normas da comissão atlética não podem se sobrepor às leis de um estado de direito.

Se um local tiver em sua legislação que consumir maconha é ilegal, o órgão regulador -que é estatal- não pode simplesmente fazer vista grossa.

E aí entramos em uma discussão muito maior. Eu, Renato, sou absolutamente a favor da legalização da maconha por uma série de motivos – que não vêm ao caso aqui no nosso humilde blog do Sexto Round.

Acho que, simplesmente, os ônus de torná-la lícita não chegam nem perto dos problemas causados pela criminalização.

E, tenho certeza, que, na próxima década, muitos outros estados e países seguirão o exemplo de Washington e Colorado, que acabam de aprovar, por decisão popular, o uso recreativo.

Mas, nada disso importa. Nem o cenário futuro, nem a minha opinião, nem muito menos a de Dana White:

– Não interessa o que eu acho. É ilegal! – disse o careca.

O mais importante, no momento, é falarmos de profissionalismo.

Quando um atleta assina um contrato declarando que não fará uso de nenhuma substância presente em uma lista negra, ele deve manter sua palavra.

Se assinou e não cumpriu, como acontece de praxe no mundo adulto, existem consequências e, nesse caso, todas elas são justas. Não concorda? Não assine ou vote de forma inteligente.

OBS: não sou usuário.

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