Flashback: o último retorno de Pedro Rizzo?!

Fernando Henriques | 12/09/2015 às 16:32
pesagem

Rizzo x Smith hoje às 20h. Foto: Combate.com

Acontece neste sábado, em Vitória (ES), o Face to Face 12, evento que tem como principal cartaz a despedida do pioneiro peso pesado brasileiro Pedro Rizzo.

Rizzo lutaria a princípio com Travis Fulton, americano que trazia como credencial suas mais de 300 lutas de MMA, mas este, porém, foi acometido por problemas de saúde e deu lugar ao desconhecido havaiano Andrew Flores (14-8 no cartel).

Só que, talvez, não tenha sido apenas o adversário de Rizzo que mudou. Seu objetivo também.

Foi o que deixou escapar Antoine Jaoude, parceiro de treinos e amigo de longa data de Pedro, quando comentava nesta quinta-feira (10/09/2015), no SporTV 3, ao lado de André Azevedo, o Mundial de Luta Olímpica – realizado em Las Vegas.

Azevedo convidava o telespectador para assistir a despedida de Rizzo e, quando perguntou a Antoine sobre a luta, ouviu do também lutador da RVT que o parceiro está muito bem e que está provavelmente não será sua última luta.

Última luta de Rizzo: Satoshi Ishi, em maio de 2013

Última luta de Rizzo: Satoshi Ishi, em maio de 2013

Segundo Jaoude, Rizzo cogita continuar lutando, mesmo aos 41 anos, e ainda teria muita lenha pra queimar.

Tal desejo de continuar lutando foi confirmado pelo próprio Rizzo, em entrevista à Adriano Albuquerque publicada hoje no Combate.com.

Mais curiosa do que a conversão da despedida em retorno, porém, é fato de que, se consumado, esta será pelo menos a quarta luta com esta característica do brasileiro.

Desde que deixou o UFC, em 2003, Rizzo jamais se estabeleceu entre a elite do esporte e viveu constantes momentos de incerteza sobre a sua carreira, que o fizeram se afastar e retornar ao esporte rotineiramente.

O primeiro retorno pode ser apontado na luta contra o russo Sergei Kharitonov, em sua estréia pelo Pride, após quase dois anos afastado depois que saiu do UFC.

Rizzo x 49. Foto: Susumu Nagao

Rizzo x 49. Foto: Susumu Nagao

Sua passagem pelo evento japonês foi trágica. O brasileiro fez apenas duas lutas e foi nocauteado em ambas – na segunda, caiu com uma patada de esquerda de Roman Zentsov.

Com o score negativo no Pride, Rizzo ficou desacredito por muitos, que anunciavam o fim de sua carreira (em alto nível), isto já em 2006.

Mas o brasileiro não concordava, e seguiu lutando. Em eventos menores, venceu duas e perdeu duas (destaque para o nocaute imposto por Gilbert Yvel), até que uma oportunidade de lutar novamente no Brasil apareceu.

O mais fiel aluno de Marco Ruas não estava parado, mas a luta no estrelado Bitetti Combat 4 foi encarada como um retorno… Ao seu país, a uma boa fase.

Na ocasião, Rizzo controlou bem a distância e abusou dos chutes para conquistar uma boa vitória sobre Jeff Monson (que à época dedicava-se ao MMA e era um dos grandes nomes do peso fora do UFC), feito que deu novo gás em sua carreira.

Rizzo x Monson no RJ. Foto: Marcelo Alonso

Rizzo x Monson no RJ. Foto: Marcelo Alonso

Na sequência, fez outras duas lutas contra lutadores veteranos como ele (Ken Shamrock e Gary Goodridge), vencendo ambas, e retirou-se do circuito, em 2010.

O afastamento não durou mais que dois anos. Foi em 2012 que vimos seu terceiro retorno, como co-protagonista na despedida do melhor peso-pesado da história, Fedor Emilianenko.

A luta foi no M-1 Global – em São Petesburgo– Rizzo saiu novamente derrotado.

Em 2013, lutou novamente, contra o japonês Satoshi Ishii e perdeu. Parecia o fim da linha novamente. E ele estava parado desde então, até receber esta oferta do Face to Face, para uma nova despedida no Brasil.

Derrota (contestadíssima) para Couture em luta pelo cinturão do UFC

Derrota (contestadíssima) para Couture em luta pelo cinturão do UFC

Rizzo, que é conhecido como o detentor de um dos melhores low kicks do MMA em todos os tempos – rivalizando com José Aldo, que é seu pupilo no muay thai -, fez história no UFC, na era pós Royce Gracie e Marco Ruas, seu mentor, quando disputou o cinturão do evento em três oportunidades.

Marcou seu nome como treinador também, sendo o já citado José Aldo sua maior case de sucesso (hoje auxilia Ronaldo Jacaré e também já foi braço direito de Glover Teixeira e Anderson Silva), além de ter se tornado um dos caras mais legais do meio, querido por todos e com trânsito livre em todas as grandes academias do Rio.

Despedindo-se ou não nesta noite, Rizzo merece esta vitória para coroar uma carreira honrosa.

  • Rizzo, pra quem acompanha o MMA e o UFC desde o começo, foi um dos grandes pilares do esporte. A grande carreira dele deu uma degringolada depois daquela fatídica decisão contra o Couture. A partir dali ele lutava meio “engasgado”, parecia que não ligava o start, ficava se segurando… uma pena… vide que ele tinha poder pra demolir quase todos com quem dividia o cage.

    Sempre torço para que os atletas finalizem suas carreiras com lutas legais e marcantes. Essa poderia ser o caso mas com a mudança de desafiante, pode não ser mais. Veremos o desenrolar dessa história rs.

    • Hyuriel Constantino

      Vc tem razão. O Rizzo falou numa entrevista recente que desde aquela derrota pra Couture ficou com a cabeça meio quebrada e nunca mais foi o mesmo. Mas isso foi numa época tb onde não se dava muita atenção ao aspecto psicológico dos atletas. Era tudo ainda muito cru.

    • Vinicius Maia

      Rapaz, essa luta com o Couture me lembro da luta Rampage vs Lyoto. O próprio Lutador ficou surpreso com a decisão. Couture parecia não acreditar, mesma coisa com o Rampage.
      https://youtu.be/yVXrbCbTQGE?t=2042

      • O expressão do Couture, quando ele anunciado vencedor, ali era para terem parado tudo e entregado a cinta pro Rizzo hahhaha. Lembro que vi uma entrevista com ele, onde ele disse que ficou dias sem andar depois daquela luta.

  • Matheus

    Torcida td pro The Rock hj e sempre https://www.youtube.com/watch?v=VQOGUffxAv8

    • Renato Rebelo

      E o Pedro é um dos poucos que teve música feita pelo Pregador e sempre entrou com ela. Minotouro contra o Shogun tb.

  • Jonas

    Excelente texto, mas uma dúvida: pq “49”?

    • Wanderson Henrique

      Pelo sobrenome dele ser Kharitonov, creio eu

      • Renato Rebelo

        Exatamente. É só falar Kharitonov e 49 alto q vc mata a questão hehe

    • Denilson Bezerra

      Sim, por isso mesmo… Um trocadilho!

  • William Terres

    Seria bom fazer uma ressalva ao card do FTF. Bons nomes do cenário nacional, aparentemente com uma boa estrutura. Muito melhor que alguns card do Bellator e alguns Fight Nights do UFC

    • Renato Rebelo

      Verdade. E parece que a próxima edição já está engatilhada. Falta msm um evento nacional com nomes de um pouco mais de apelo. Além do Rizzo, o co-main foi com dois ex-TUFS

      • William Terres

        Pois é, o card ficou na medida. Tinha um nome de peso no main event, dois ex-TUF’S disputando cinturão, Gabriel Silva, Junior PQD, Joilton Peregrino.. essa mescla de novos talentos e nomes conhecidos chamou atenção do público. Giovanni Decker e Minotauro na platéia tbm deram um gás. Renato, você acha que os futuros campeões do FTF serão mais bem vistos em relação ao Jungle em termos de contratação pelo UFC, pelo acordo com a Band e tal ou estou viajando?

        • Renato Rebelo

          Tomara, William. Na real, essa força do Jungle se dá muito pela entrada do Wallid com o Joe Silva – principalmente. Acho que além do evento de alto nível, contatos são muito importantes no meio

    • Maxsupremo

      O que estraga o evento é aquele narrador, muito ruim!

      • William Terres

        O narrador ou o announcer? Se for o announcer concordo com você, era horrível.

  • Marcos Henrique Lira

    Valeu Pedrao boa aposentadoria pra vc
    Continue contribuindo com o esporte treinando e revelando novos talentos para o mma. Vc já deu sua parcela de contribuição. Pensa na sua saúde e na sua filinha de 8 anos que quer ter um pai saudável para ve-la crescer.

  • Vinicius Maia

    Eu fui no FTF 12 e o evento tava muito bom. Boa estrutura, organização excelente, o Cage tava bem montado.
    Gostei do nível técnico das lutas, e curti bastante o Joilson Peregrino. Bem seguro na luta, aplicando quedas no final de cada round pra não ter duvidas da pontuação pros jurados.
    Infelizmente teve como em todo evento no Brasil vaias a lutadores. Pedro Rizzo merecia ser ovacionado quando entrou no Cage e poucas pessoas se manifestaram.

    • Renato Rebelo

      Po, que pena. Tava cheio? Não rolou uma aplauso geral quando ele venceu?

      • Vinicius Maia

        Rapaz, tava razoavelmente cheio. Poucas pessoas aplaudiram ele. O que mais se viu foi gente indo embora quando acabou a luta antes mesmo do resultado oficial. Triste fim pra um guerreiro que nem ele. Merecia muito mais.

        • Renato Rebelo

          Que pena!

    • William Terres

      Achei boa a vitória do Peregrino, mas o adversario não era tudo aquilo. O Alex Cowboy não teve problemas pra ganhar dele na última edição do FTF

      • Vinicius Maia

        Concordo que o adversário tinha deficiências. Mas gostei da luta. Achei ele com um bom nível técnico. Mas curti o evento. Oque mais me impressionou no evento foi a organização. As lutas começaram as 8:00 em ponto. Os banheiros químicos limpos e organizados, fila para comprar as fichas organizadas. Foi show de bola.

        • Eu gosto do Peregrino desde antes do TUF. É um cara novo, ainda vai evoluir muito.

  • Glauco Lopes

    Fã médio é modista, nem deve conhecer o Rizzo e muitos ditos fãs antigos tem memória curta.

Tags: , , ,
Instagram