Estaria Anderson Silva sabotando o próprio talento?

Renato Rebelo | 14/11/2012 às 01:47

Em uma das milhões de coletivas de imprensa pré-UFC 154, Georges St-Pierre tratou logo que jogar a pressão do resultado pra cima do rival, Carlos Condit, e revelou uma informação até então desconhecida por mim:

No meu contrato diz que preciso defender meu cinturão todo ano. Como não fiz isso, para mim, vejo Carlos Condit como campeão e eu estou recebendo o “title shot”.

Ciente de tal termo, Anderson Silva deixa o UFC  à vontade para coroar um campeão interino ao anunciar, anteontem, que não pretende atuar antes do final de 2013:

Meu foco está nos meus projetos pessoais… Eu estou em uma zona de conforto, então não estou preocupado com isso (criação de cinturão interino).

Quem acompanha o blog do Sexto Round pode ficar com a ligeira impressão, pelos meus posicionamentos, que sou um crítico assumido do “Spider”.

Mas, garanto a vocês, que não é o caso. Pelo contrário, até certo ponto, me considero fã do paulista.

Agora, não há como negar que certas escolhas acerca de uma carreira tão representativa me frustram.

Por mais que o campeão seja geneticamente premiado, evite uma vida de excessos e goste de treinar, o tempo, infelizmente, chega para todos.

Novo filme de Seagal pode tirar Anderson de ação

Deixar o MMA em segundo plano a essa altura do campeonato pode acabar nos privando de alguns preciosos minutos daquele inigualável ‘ballet violento’ .

Imaginem se Michael Jordan, depois de 1996 – discutivelmente melhor ano de sua carreira-, deixasse as quadras para se dedicar à industria cinematográfica?

Os amantes do basquete poderiam ter ficado sem a espetacular temporada de 98, quando aquele timaço do Chicago Bulls com Scottie Pippen e Dennis Rodman sobrou na NBA.

E se Muhammad Ali, após bater George Foreman em 74, tivesse parado para gozar a zona de conforto? O lendário “Thrilla in Manila” – revanche com Joe Frazier em 75- poderia ter ficado na imaginação.

Não há dúvidas que atuar em Hollywood, virar modelo e viajar o mundo em campanhas publicitárias pode ser muito mais gostoso do que a rotina de punição física e assédio da imprensa.

Mas, como não estamos falando do cara mais artístico e carismático do mundo, deixar de lado tamanha habilidade lapidada com tanto sangue e suor para atacar de ator/modelo/ DJ (sei lá mais o que) enquanto ainda lhe resta vigor físico beira a negligência.

Poucas pessoas neste planeta possuem algum dom capaz de influenciar milhões de outras. Anderson é uma delas – mas com as luvas calçadas, não como coadjuvante no novo filme do Steven Seagal.

Tags: