Flashback: De Macaco a Charles “do Bronx”

Fernando Henriques | 22/08/2015 às 21:16
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Macaco, Charles e Ericson

Charles de Oliveira, mais conhecido como Charles “do Bronx”, é paulista do Guarujá, aluno desde a faixa-branca de jiu-jitsu do mestre Ericson Cardozo, que, por sua vez, é cria do mitológico Jorge Patino, o “Macaco”.

Macaco dispensa apresentações. Competidor de pano por muitos anos e um dos precursores do MMA em São Paulo, tendo muito destaque no fim da década de 90, o hoje quarentão destaca-se sempre por seu ímpeto e vontade em cima do ringue – muitas vezes em detrimento da técnica.

Não são raras as vezes em que vimos Macaco abandonar tática, estratégia ou técnica e partir para cima do oponente sem a menor vergonha, convertendo o combate numa verdadeira briga.

A luta com Luiz Brito, no Meca, celebrizou-se por isso, bem como por sido pontuada em favor de Macaco após este tomar atraso no começo. Venceu de virada na decisão dividida.

Charles recebendo a faixa-preta e dupla Ericson e Macaco

Charles recebendo a faixa-preta da dupla

E assim como o mestre de seu mestre – que por tabela é seu mestre também, além de córner no UFC -, Charles é corajoso e gosta de uma boa briga. Suas 25 lutas profissionais de MMA não nos deixam mentir.

Ele não refuga jamais, é um atacante nato, inclusive, muitas vezes até descuidado. Assim como o fundador da Macaco Gold Team (o apelido “do Bronx” faz referência à sua academia de origem, a Bronx Gold Team, filial da Macaco no Guarujá).

Mas as comparações vão parando por aí. Charles aplica o jiu-jitsu no MMA com eficiência ainda maior. Mais uma vez, seu cartel não me deixa mentir. São 12 finalizações em 20 vitórias.

Por isso mesmo, possui cartel mais limpo – para azar de Macaco, na maioria das oportunidades ir para a briga não é uma opção que case com a vitória – e uma regularidade que o veterano só veio a conhecer mais pro final de sua carreira.

(Golpeando, Charles é também mais efetivo – o garoto é cheio de quinas -, apesar das muitas brechas que ainda possui em pé.)

E se suas características ofensivas e por vezes descuidadas, talvez herdadas da família Gold Team, podem levar crédito por pelo menos duas de suas quatro derrotas, sua trajetória de sucesso tem a mesma causa.

Charles dominou o cenário nacional (12-0) antes de migrar para o UFC

Charles dominou o cenário nacional (12-0) antes de migrar para o UFC

Charles estreou jovem no MMA profissional, com 18 anos. Dois anos depois, em 2010, estava no UFC. E seu começo foi arrasador, vocês lembram, finalizou Darren Elkins e Efrain Escudero (quando este ainda era relevante como campeão do TUF 8) num espaço de 45 dias!

Ora, foi exatamente o “faro de sangue”, o tino para a porrada, a gana por uma finalização que fizeram o brasileiro ascender rapidamente. De sua estréia no circuito nacional, com 18 anos, até o UFC, foi um pulo.

Pudera, o estrago que ele causou quando lutou por aqui, tão novo, não passaria despercebido lá fora.

Quando foi para o UFC, Charles já havia vencido dois torneiros: um com três lutas na mesma noite (do Predador FC) e outro com duas lutas na mesma noite (do menos expressivo Korea Fight); além de ter somado nomes importantes ao cartel, como Eduardo Pachu, Eliene “Pit”, Viscardi Andrade e Diego Braga.

Todos já com algum destaque quando encontraram “do Bronx”.

Com esses resultados, e além dos resultados, a forma agressiva e técnica com que os conseguiu, foi eleito pelo Sherdog no começo de 2010 como um dos três brasileiros que o mundo deveria ficar de olho naquele ano. Atento, o UFC o contratou para lutar já em agosto.

Não esqueço até hoje o dia que descobri sua existência.

Vidrado no Canal Combate, como de costume num sábado a noite em que não encontrei nada melhor a fazer, acompanhava a nona edição do Predador FC, evento paulista que à época reunia alguns dos melhores brasileiros que ainda não haviam despontado no exterior (Charles fala sobre a experiência no vídeo abaixo – a partir de 40 segundos).

E a novidade desta edição era o GP que trazia 8 lutadores da categoria meio-médio (77kg), ao melhor estilo Pride.

Como gosto da fórmula de disputa consagrada pelos Gracies e depois pelos japoneses, interessei-me ainda mais e nas lutas da primeira fase busquei alguém para quem torcer. Magricelo, com o aspecto de um desnutrido, Charles foi o escolhido.

Vejam, ele hoje luta no peso-pena, até 66kg, e quando entrou no UFC fez cinco lutas na categoria leve (até 70kg). Na ocasião, porém, sua estreia, estava entre monstros de 77kg!

Viscardi Andrade, por exemplo, que foi nocauteado por Charles no segundo round de uma das semifinais, luta hoje no UFC na mesma categoria. Na final, também por nocaute, ele superou o veterano Diego Braga e, na primeira luta, contra Jackson Pontes, a vitória veio com um mata-leão.

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Charles e Macaco

Foi um feito e tanto de “do Bronx” naquela noite, superando todos os fatores contrários: mais leve e menos experiente que todos os demais. Merece ser lembrado.

Guardei seu nome e o acompanhei até entrar no UFC, quando também não decepcionou. Confesso que é um dos lutadores que mais gosto de ver lutar, principalmente contra wrestlers.

Amanhã Charles protagonizará seu primeiro main event no UFC, contra o duro havaiano Max Holloway, no UFC Fight Night 74.

É uma luta que promete fortes emoções. Holloway não é wrestler, é trocador de elite como eram os dois caras que já nocautearam o brasileiro – Cub Swanson e Donald Cerrone.

Ainda assim, aposto em Charles “do Bronx”, o Macaco do Século XXI, versão 3.0!

  • Diego Cavera

    Rapaz, ótimas lembranças do Predador, conheci o Charles por ali, lembro que passou na Redetv e o Batarelli tava de comentarista e tinha prometido que iria botar ele no UFC, demorou um pouco , tinha até esquecido, quando fui ver ele tava lá, finalizando, lembro que eu fiquei impressionado e add ele no orkut , o cara gente boa demais, merece tudo de melhor, apesar que eu acho que o Holloway leva, a defesa dele em pé ainda é um pouco esburacada, o americano é especialista em golpes retos e não costuma desperdiçar golpe, mas vai ser um lutasso.

  • Junior Testa

    Charles e o lutador com maior potencial da categoria, mais com o pior camp. Imagina ele na Kings.

    • Luiz Henrique

      Concordo. O que mata o Do Bronx é o camp.

    • Wesley Amorim

      Se o camp dele é ruim ou não eu não sei, mas as orientações passadas pelo Macaco sempre são muito boas e eficazes para a luta. Já vi muito corner de grandes academias falando merda no intervalo das lutas.

    • Renato Rebelo

      Ele passou um tempo indo duas vezes por semana pra Chute Boxe do Diego Lima. Não sei se ainda tem essa prática. Já passou um tempo tb com o Macaco em Houston (Texas). O Charles é enraizado msm..

  • D. Henrique

    Mt legal a materia. O Charles é sinistro de jiu na marrom ganhava td (queria ve ele em mundial d preta)

  • Tiago Nicolau de Melo

    Tbm acho que ele devia fazer uns intercâmbios. Mas não creio que ele mude DE VEZ pra outra academia. Ele é muito ligado às raízes dele. Baita lutador, bom de ver lutar e, aparentemente, gente finíssima.
    A luta dele com o Edgar mostrou o quão duro ele pode ser.

  • Vitor Torre De Avila

    Não foi esse GP do Predator que o Charles se pesou de calça jeans e jaqueta??

    Conhaci o Charles num evento de BJJ em SP em 2009 acho…faixa roxa na epoca…

    Humildaço, super gente boa, um dos meus lutadores favoritos

    • Não lembro dessa pesagem, mas é bem possível que tenha pesado fortemente vestido mesmo, e ainda assim ter ficado abaixo do limite de 77kg.

  • Maxsupremo

    Sou muito fã do Charles, mudei meu jogo de passador amassador, pra guardeiro (guarda aberta) ao ver lutas dele,do Aoki e do Nino Schembri. Na luta contra o Frankie Edgar ele mandou muito bem, mostrou que tem um potencial enorme e o Macaco ainda fez um trabalho excepcional como Corner. Acho que o Charles deveria ficar mais um tempo na Chute Boxe ou se revezar entra as duas academias.

  • D. Henrique

    Alguem entendeu o q acontece com o Charles? Ele ta bemmm?

    • Provavelmente ele sentiu uma lesão pregressa no pescoço, na hora que entrou em queda.

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