Minotauro x Werdum pela ótica de um fã

Renato Rebelo | 31/10/2012 às 16:44

Minotauro lançando um cruzado em Werdum no Pride

As lutas não entraram na minha vida – e muito menos permaneceram – por questão de oportunidade.

Pelo contrário, para poder me manter profissionalmente próximo ao assunto sempre tive que “me virar nos 30” de uma forma ou de outra.

Ter lançado o Sexto Round só deixa mais óbvio que sou um fã ávido do esporte.

Ontem, tentei me analisar como esse tipo de indivíduo. E cheguei a essas conclusões:

1- Não me considero um cara nacionalista, daqueles que vaiam o gringo em qualquer situação. Pelo contrário, tenho até simpatia por muitos atletas estrangeiros… Tento analisar caso a caso.

2- Não consigo desassociar o lutador da pessoa. Se o fulano não me agrada como ser humano, consequentemente, não torcerei para ele.

3- Não tenho opinião formada sobre a maioria dos temas polêmicos. Exemplos: acho que amigos devem se enfrentar, mas entendo perfeitamente quem discorda. Me identifico mais com lutadores respeitosos mas sou atraído pelo “trash talk”.

4- Com toda a sinceridade do mundo, não sou imparcial.

Preciso me explicar sobre o quarto item. Em hipótese nenhuma, vocês me verão sendo um torcedor descarado aqui.

Mas é impossível – por mais que eu tente equilibrar tudo que exponho- não me deixar levar, mesmo que de forma sutil, por uma opinião formada.

Na verdade, acho que nenhum ser humano é imparcial. Somos todos dotados de emoções e direcionamos, sim, mesmo que de forma involuntária, nossas opiniões.

Por que estou falando tudo isso? O que tem a ver essa embromação com Werdum x Minotauro?

Eu explico: não gostei do casamento.

Na coletiva de imprensa pós-UFC 153, Dana White nos disse que tentava convencer a Rede Globo de fazer o próximo Ultimate Fighter com um treinador brasileiro e outro estrangeiro.

Cheguei à conclusão que os brasileiros gostam de ver seus atletas chutando a bunda de atletas estrangeiros e não lutando entre si – disse o presidente do UFC.

Realmente, boa parte dos fãs tupiniquins têm essa ótica. Como perdeu a queda de braço com a emissora carioca, o careca teve que convocar o “Robocop Baiano” e o “Vai, Cavalo”.

Mas, pera aí… Se não tenho esse problema patriótico e estamos falando de dois pesos pesados veteranos, bem ranqueados atualmente, bem-sucedidos em suas carreiras, carismáticos, que dão bons exemplos… Por que estou reclamando?

Bem, reassistindo o duelo do Pride, verifico que Minota bateu o gaúcho, ainda bem cru no MMA, utilizando seu boxe superior.

Como deu certo no passado e o baiano também lapidou consideravelmente suas mãos, nada mais justo do que manter a estratégia. Ele, inclusive, já deu essa pista:

… Eu também evoluí, estou mais forte, com a mão muito mais pesada, habilidosa, e extremamente saudável – disse o ex-campeão do Pride ao Globoesporte.com.

Werdum no set do primeiro TUF Brasil

E Werdum, agora faixa-preta de muay thai de Rafael Cordeiro e novo nocauteador da praça, anda mais confiante do que nunca em pé.

Como, no quesito grappling, há empate técnico, é muito, mas muito provável que esse confronto termine em nocaute.

E aí, verei Werdum, um dos caras mais “boa praça”, solicito e humano que já tive o prazer de conhecer no mundo da luta tendo seu sonho de lutar novamente pelo cinturão despedaçado ou o homem-legado, dono de uma carreira esportiva magnífica e um verdadeiro filantropo do MMA, voltar a ser achacado com questionamentos sobre aposentadoria ou até ser forçado a um afastamento que não seja em seus próprios termos.

Ah, as gravações começam em janeiro, o programa vai ao ar depois do Fantástico em março e a grande luta é dia 8 de junho.

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