Virou moda no MMA: provocar por provocar

Renato Rebelo | 24/10/2012 às 04:44

Assisti ontem, no SporTV.com, um vídeo maneiríssimo em que o repórter Adriano Caldas registra um intercâmbio cultural do peso pesado Dave Herman com uma turma de inglês no Rio de Janeiro.

Em algum ponto da aula, uma aluna pergunta se ele passou a acreditar no jiu-jítsu depois de ter sido finalizado no braço por Minotauro. A resposta vem a seguir:

Eu, na verdade, gosto de fazer jiu-jítsu. Fiz um comentário sobre jiu-jítsu na minha primeira luta do UFC, porque ia enfrentar um campeão de Abu Dhabi, faixa-preta em jiu-jítsu, e eu não sabia nada sobre ele. Eles meio que fazem você falar m… Querem que fale algo sobre seu adversário. “Eu não sei nada sobre ele! Ele parece legal, o que querem que eu diga?” E eu disse a única coisa que eu sei… Disse que ele é um faixa-preta em jiu-jítsu, e que isso não ia funcionar mesmo… Eu esqueci que disse!

A história é novidade, agora, ele reconhecer que inventou essa besteira e a manteve por tanto tempo não só é previsível como o faz parecer bobo.

Além do fato de que é impossível almejar algum sucesso no MMA atual ignorando o jiu-jítsu – nem que seja apenas para se defender dele-, um cara que tem vitórias por omoplata, mata-leão (duas) e triângulo poderia usar um pouco mais a massa cinzenta para criar algum tipo de promoção mais condizente com a realidade ou não se deixar levar pela produção do evento.

Manter o discurso e vir para o Brasil enfrentar Minotauro, então, soa mais bobo ainda. É como se algum brasileiro fosse a Las Vegas enfrentar um wrestler “all-american” dizendo que luta olímpica não funciona.

A “lei de Murphy” certamente o presentearia com três rounds de muito desconforto prensado na grade.

O fato de Herman ter carisma semelhante ao do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também não o ajuda muito.

Como o fator entretenimento estará cada vez mais encrostado no MMA, acho o seguinte: quer lançar aquele “trash talk” maroto? Porque não “googlar” seu adversário? Que tal procurar algum ponto interessante para explorar? Porque não praticar no espelho antes? Não tem nada a dizer? Que tal não forçar a barra?

Pessoalmente, me identifico com atletas que seguem a linha do respeito ao próximo, mas não vou negar que uma provocação bem feita dá um tempero ao desafio.

Por isso, lanço a campanha: provocadores, assistam vídeos do Muhammad Ali e inspirem-se!

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