A opinião de Rampage e a pressão pela performance

Renato Rebelo | 23/10/2012 às 04:20

Na primeira aula do curso de administração aprende-se o significado da expressão “trade off”.  As palavras em inglês remetem-se a simples escolhas que fazemos todos os dias.

Por exemplo, se você está em uma sala de aula estudando, consequentemente, não está na praia tomando sol.

Por qualquer motivo que seja, optaste pela atividade acadêmica em detrimento do lazer. Ganhou-se por um lado, perdeu-se por outro.

No UFC, atualmente, é possível verificar que 95% dos atletas precisam enfrentar um “trade off” entre tentar ser empolgante para agradar aos fãs e garantir a vitória pelas vias mais seguras.

Ontem, assisti, via Youtube, uma entrevista do ex-lutador Bas Rutten com Quinton Jackson para um programa da TV a cabo americana.

Nela, “El Guapo” perguntava sobre a despedida de “Rampage” do UFC e a resposta foi a seguinte:

 Meu foco agora é destruir o Glover Teixeira. Ele é um cara do jiu-jítsu, mas não tem medo de trocar. Eu respeito caras como ele. Acho que o UFC precisa de mais gente como o Glover (que assumam um risco), porque caras como o Chael Sonnen vão arruinar o esporte. Esses que vêm com planos elaborados para ganhar na decisão e te segurar no chão por três rounds sem fazer dano nenhum.

Outro que chegou à conclusão semelhante foi Jon Fitch. Após 10 anos como um profissional extremamente vitorioso (24v e 4d), ele disse, em entrevista a este que vos fala, que terá que melhorar seu jogo caso queira engordar sua conta bancária:

Para fazer mais dinheiro, ganhar lutas maiores e ter mais reconhecimento, você tem que ser alguém capaz de vender ingressos.

Na contramão, também temos casos daqueles que tentaram a popularidade e deram mal.

Demarques Johnson resolveu aceitar uma luta com 12 dias de antecedência contra Gunnar Nelson no UFC on Fuel 5. Foi derrotado e demitido.

Atletas como Drew McFedries, Robbie Lawler, Houston Alexander e James Irvin, cujas lutas, ganhando ou perdendo, terminavam de forma excitante ainda no primeiro round, foram todos dispensados.

Pat Barry, Alessio Sakara e Melvin Guillard, que seguem a mesma linha, já estão pela bola sete.

A dura realidade é que, a maioria esmagadora dos empregados da Zuffa -que tecnicamente não é extraordinária e nem dotada de fatores extra-octógono como a oratória do Sonnen ou a carreira militar do Stann- vai, em algum ponto na carreira, se pegar pensando se é melhor manter-se no evento ganhando a bolsa média ou se vale abrir o jogo e tentar uma ascensão (com grandes possibilidades de queda) meteórica.

E aí, o que vale mais?

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