Pensando alto: a análise do card principal do UFC 153

Renato Rebelo | 14/10/2012 às 01:52

Anderson Silva x Stephan Bonnar

Anderson Silva fez de bobo um cara que nunca havia sido parado (a não ser por cortes) em mais de 10 anos de carreira. Exibição fantástica. Agora, verdade seja dita. O abismo técnico entre Anderson e Bonnar sempre foi grotesco. Entendo e respeito quem gostou desse casamento com a finalidade de salvar o evento, mas espero que a sequência do “Spider” rumo a aposentadoria não inclua Bisping e GSP nas próximas apresentações. Continuo a campanha para que o melhor de todos os tempos tenha desafios à altura. A luta de hoje não foi tão plástica quanto a contra Griffin, mas teve nível de facilidade parelho.

Minotauro x Herman

O estresse emocional pelo qual o “Robocop Baiano” nos faz passar é severo. Hoje, no entanto, não foi uma das piores noites. Herman me disse, em entrevista na quinta, que é ruim de boxe. E é mesmo. As mãos do grandalhão são como um apêndice em seu jogo. As quedas à la judoca também não ofereceram perigo. Para botar a cereja no topo do bolo, Minotauro ensinou Herman, da forma mais doce possível, que o jiu-jítsu funciona. Como já diria Bezerra da Silva: “Falador passa mal”. Ah, sem papo de aposentadoria por hoje. Alguém com a representatividade do Minotauro (que ainda é capaz de vencer a maioria dos pesos pesados) deve ter autonomia para trilhar seu próprio caminho.

Glover Teixeira x Maldonado

Até agora não sei se estou mais impressionado com a atuação devastadora do Glover ou com o coração do tamanho do mundo do Maldonado.  O castigo que ele suportou foi, como Glover disse a Joe Rogan, desumano. O mineiro começa, oficialmente, a caçar Jon Jones. Daqui pra frente, quem não quiser lutar com ele, é melhor pensar em mudar de categoria. Quanto ao sorocabano, fico feliz que sua doação integral ao UFC lhe renderá mais uma oportunidade.

Se eu cortar Maldonado depois do que vi hoje, deveria apanhar com um pedaço de pau – disse Dana White, respondendo pergunta desse repórter que vos fala na coletiva de imprensa.

Jon Fitch x Erick Silva

Podem falar o que quiser do Jon Fitch, mas não tem como não dar o braço a torcer hoje. Trata-se de um dos maiores casca-grossas em atividade no MMA atual. É verdade que ele “jonfitou” parte da luta, mas deu aula de coração e preparo físico. Performance admirável do americano sobre, talvez, um futuro campeão da categoria. Nenhuma vergonha aqui, Erick, você ainda tem muita lenha para queimar. E para o Fitch, tiro o chapéu.

Phil Davis x Caldeirão

Infelizmente, o mais provável aconteceu. Por mais solto que Caldeirão parecesse, Davis foi esperto, usou a envergadura superior, misturou bem o jogo e finalizou o gente boa “Together”. Davis segue agora em direção ao topo da divisão e o jovem brasileiro de 24 anos tem tempo para evoluir. Mas, por hora, Davis mostrou que está um passo à frente.

Demian Maia x Rick Story

Em duas lutas como meio-médio, Demian Maia ainda não completou um round sequer. Infelizmente, o mata-leão no duríssimo Rick Story com dois minutos de luta ainda não responde se ele achou a mina de ouro na nova categoria. Talvez um wrestler mais cascudo sane essa dúvida – apesar da sólida vitória. Top 5 para ele, Joe Silva!

 

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