Bonnar adota atitude ideal para luta no Rio

Renato Rebelo | 04/10/2012 às 05:25

Vai uma lagostinha?

Se você fosse um lutador mediano aposentado e, subitamente, recebesse um telefonema capaz de lhe tirar do sofá e o colocar, em menos de um mês, dentro do octógono com o maior lutador de todos os tempos, o que você faria?

Da maneira como vejo as coisas, só existem duas opções. A primeira é entrar em pânico e ficar obcecado.

Treinar o dia inteiro, ver e rever todas as lutas do rival, bolar planos mis e focar 100% do tempo na tarefa quase impossível que tem em mãos.

A segunda é tentar entender que você não vai aprender nada em um mês que não tenha aprendido em mais de 10 anos de carreira.

Adotar o bom humor, tentar aproveita o momento em que todos os olhares estão voltados para você e fazer apenas o suficiente para aguentar fisicamente os três rounds.

É exatamente a segunda opção que Stephan Bonnar escolheu. Se matar durante poucas semanas correndo grande risco de se lesionar – uma vez que estava parado- e preencher os pensamentos com responsabilidade excessiva não me parecem escolhas sabias.

Bonnar sabe que suas chances de sair vitorioso do UFC Rio III são parelhas com as do Palmeiras ser campeão brasileiro, então, por que não aproveitar o passeio?

Enquanto Anderson Silva tem a obrigação de treinar para trucidá-lo, o americano passou um fim de semana em alto-mar pescando lagostas, tirou fotos andando de moto e tem dado entrevistas a perder de vista.

Sua conversa com Forrest Griffin  no programa “Ultimate Insider” do canal americano Fuel TV ilustra bem este estado de espírito:

– Não sei se você sabe, mas fui chamado para lutar com Anderson Silva e preciso de toda ajuda que posso conseguir – disse Bonnar

– Tenho um grande conselho. Viu minha luta com ele? Não faça nada daquilo, faça ao contrário – respondeu Griffin

– Eu assisti seu documentário. E lá tinha uma coisa que eu não precisava ouvir. Quando você tentou acertar alguns golpes ele te olhou com uma cara de “você é tão lento assim?” – brincou Bonnar

– É verdade. Ele olhou para mim tipo “é sério que quer me acertar com isso” – respondeu Griffin

– O pouco de confiança que eu tinha acabou de levar uma mijada em cima. Vou tentar esquecer isso. Espero, por Deus, que Steven Seagal não esteja no córner dele – terminou Bonnar.

Ah, ainda tem aquele famoso “e vai que”…

 

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