Dana explanou: vem mais furada de fila por aí

Renato Rebelo | 29/09/2012 às 00:01

Wand x Bisping: vitória do brasileiro no UFC 110

Ao ser sabatinado pela imprensa britânica ontem, Dana White deu mais sinal que semáforo (piadinha do Chaves) de que o destino de Anderson Silva já está traçado até, pelo menos, o meio de 2013. A loteada agenda do “Spider” aponta as seguintes marcações:

13 de outubro: Stephan Bonnar   /   Início de 2013: GSP ou Bisping.

A conversa com os repórteres foi mais ou menos assim:

– É verdade que você está esperando o resultado de GSP x Condit para definir o futuro do Anderson Silva? – perguntou o jornalista 1.

– Sim – respondeu o seco D.W.

– Caso Condit vença, você considera que Bisping está na frente de Chris Weidman na fila dos médios – jornalista 2.

– Sim – repete o presidente.

– Você já pensou que Bisping x Anderson poderia ser em um estádio de futebol na Inglaterra? – indagou o mesmo camarada da primeira pergunta.

–  Claro que passou pela minha cabeça, com certeza – finalizou o manda chuva.

Quando falei sobre o TUF 16, no longínquo 10 de agosto, elogiei o UFC pelo sistema de meritocracia que a empresa segue. Dana, que certamente lê o blog do Sexto Round, resolveu, então, me provocar.

Vamos analisar friamente. Bisping tem 12 lutas como peso médio no UFC. São nove vitórias e três derrotas. Boa marca, certo? Certo, com um porém.

O inglês não venceu nenhum atleta top 10 até 84 kg! Se forçarmos bastante a barra, colocamos Brian Stann neste ranking na última posição.

Os adversários de maior destaque que ele enfrentou (Wanderlei Silva, Dan Henderson e Chael Sonnen) o venceram.

Nas duas últimas apresentações, uma vitória e uma derrota e, tirando Stann, seus três triunfos anteriores foram contra Jason Miller, Jorge Rivera (um demitido e outro aposentado) e Akiyama – que já desceu de peso e perdeu para Jake Shields.

Acho o Bisping um frango? Claro que não. Para mim, é um lutador nota 7,5.

Bem completo, mistura o jogo de forma eficiente, mas não é contundente em nenhuma área. Resumindo: bate na maioria mas perde para as estrelas.

Agora, carrega a bandeira de um dos maiores mercados do MMA mundial: o Reino Unido. Tem apelo, é um cara que mexe com os fãs (amado ou odiado), gosta de uma promoção via “trash talk”…

Alguns amigos meus defendem Bisping dizendo que ele merece a chance pelo “conjunto da obra”. Afinal, são mais de seis anos e 17 lutas pelo UFC.

Pensando dessa forma, Ed Herman também pode reivindicar um “title shot” – uma vez que também tem contrato com a Zuffa desde 2006.

E tecnicamente? Alguém vê Bisping, sem punch e com grappling apenas mediano, com alguma chance contra Anderson Silva em cinco rounds? Não, né?

Vou bater pé novamente e dizer que não quero moleza para o nosso ídolo maior.

Quero lutas em que o adversário tenha capacidade e expressão para tornar o show relevante e acrescentar em seu legado.

Pobre Weidman… Invicto em nove lutas, vem de vitórias sobre dois top 10 (sim, Demian era ranqueado no peso), wrestling top de linha, jiu-jítsu que fez frente por oito minutos com o atual campeão absoluto do ADCC, André Galvão, e pouco apelo…

Furada de fila, a gente se vê por aqui!