Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC Londres

Thiago Sampaio | 15/03/2018 às 14:50

Nossa! Um final de semana sem UFC pareceu uma eternidade para quem curte MMA. Ainda bem que rolou o ACB 82, em São Paulo, cheio de lutas legais para aliviar essa ansiedade.

Voltando para a “Série A”, este sábado (17) acontece o “UFC Fight Night 127: Werdum vs. Volkov”, na The O2 Arena, em Londres, Inglaterra.

Como se trata de um evento na Europa, é bom ficar atento, pois no Brasil a transmissão começa pela tarde, a partir das 14h45 (horário de Brasília). O card principal está previsto para iniciar às 18h.

Na luta principal, o brasileiro Fabrício Werdum enfrenta o russo Alexander Volkov pelos pesos pesados. No co-main event, Jimi Manuwa faz a revanche com Jan Błachowicz.

Mas vamos lá aos destaques!

Vai Cavalo…mas atenção!

Já que Fabrício Werdum (23-7-1, 11-4 UFC) perdeu a vez pelo cinturão com o casamento de Stipe Miocic x Daniel Cormier, ele segue com a filosofia de, aos 40 anos, aceitar desafios até conseguir um novo title-shot.

Após a derrota na luta apertada contra Alistair Overeem, despachou rapidamente Walt Harris após ver o adversário mudar no dia da luta (ele enfrentaria Derrick Lewis). Depois, bateu Marcin Tybura pouco mais de um mês depois, por decisão unânime.

Acontece que Alexander Volkov (29-6, 3-0 UFC) é um desafio bem maior do que Harris e Tybura. Mesmo sem ter convencido muito no UFC, o ex-campeão peso pesado do Bellator oferece riscos reais.

A estreia foi horrenda, numa vitória garfada por decisão dividida sobre o bigodudo Timothy Johnson. Depois, seguiu o protocolo, usou a envergadura que o favorece e venceu um combalido Roy Nelson também por decisão.

A melhor vitória foi contra o também gigante, mas com sérios problemas cognitivos quando se trata de luta, Stefan Struve, em que arrancou o nocaute técnico no terceiro round, na sua primeira luta principal na organização.

Com 2m de altura e 203cm de envergadura, pode controlar o brasileiro na trocação. Tem uma certa contundência, contando com 19 das 29 vitórias da carreira por nocaute, sabendo jogar no erro do adversário.

Mas Werdum tem se mostrado cada vez mais à vontade em pé, se não cometer o erro de partir afoito como fez contra Miocic. Tem totais condições de trocar golpes, encurtar a distância e, no momento certo, buscar a queda.

Todos sabem que o gaúcho tem um jiu-jítsu desigual para todos os outros pesos pesados. Tem boas chances de conseguir uma finalização, mas não vai ser tarefa fácil, já que o russo conta com bom wrestling defensivo e não é leigo no solo.

A tendência é que o Vai Cavalo faça uma luta estratégica, como fez no duelo de cinco rounds contra Tybura, partindo para o clinch, encurralando na grade e desgastando o adversário.

Resta saber se o foco do ex-campeão, que é o favorito, está em dia. Afinal, shows de stand-up comedy e propagandas para sites de apostas não vão derrubar o paredão russo.

A revanche que ninguém pediu

Jimi Manuwa (17-3, 6-3 UFC) e Jan Błachowicz (21-7, 4-4 UFC) fizeram uma lutam bem monótona em 2015, na estreia da organização na Cracóvia. Ninguém pediu uma revanche, mas todo mundo vai ter que engolir!

Segundo o Poster Boy, Glover Teixeira e Maurício Shogun recusaram luta com ele. Apenas Błachowicz aceitou, então, foi o que os matchmakers conseguiram para o co-evento principal desse belíssimo card.

Mas a real é que o inglês não está com essa moral toda!

Até parecia que estava perto de um title-shot após nocautear Ovince Saint-Preux e Corey Anderson, mas, a imagem dele caindo desligado para Volkan Oezdemir em apenas 42 segundos foi brutal! Tirem as criancinhas da sala caso reprisem!

O polonês Błachowicz, apesar de ter estreado nocauteando Ilir Latifi em 2014, não convenceu. Parecia estar com a corda no pescoço até ganhar sobrevida ao finalizar o baranga Devin Clark e vencer por decisão o mediano Jared Cannonier.

Há de reconhecer que na primeira luta entre eles, Manuwa estava há mais de um ano parado e lutou com freio de mão puxado. Parecia bem mais receoso do que o normal e apelou muito para os clinches.

Se não tiver se abalado pela derrota para Oezdemir, tem tudo para sobrar em pé, pois conta com um boxe e muay thai de alto nível, além de um poder de nocaute que precisa ser respeitado. Das 17 vitórias, 15 foram assim!

Contando com uma trocação apenas razoável, Błachowicz não deve ser suicida e partir para a pancadaria o tempo todo. Deve tentar a todo custo derrubar, usar o wrestling e talvez até buscar uma finalização.

Apesar de evitar o jogo de solo, Manuwa nunca foi finalizado no MMA. E nem todo mundo cede pescoço como Devin Clark fez, batucando para o polonês com um mata-leão torto, em pé, sem nem passar os ganchos!

A esperança é que algum deles liquide a fature, seja de que maneira for, ainda no primeiro round. Oremos!

Olha o evento dando moral pro moleque

Você presta atenção quando comentaristas ensinam a pronunciar o nome de um lutador corretamente? Pois venham comigo! Tom Duquesnoy (15-2-0-1, 1-1 UFC), a pronúncia correta é Tom “Duquênoá”. Não é indígena, é francês mesmo!

Essa breve aula acima é apenas para explicar que o jovem prospecto é o único motivo desta luta figurar no card principal. Com apenas 24 anos e lutando profissionalmente desde os 18, é uma das principais apostas no peso galo.

Ele é bem conhecido no Reino Unido pois se tornou campeão das categorias galo e pena, simultaneamente, do BAMMA, respaldado evento britânico. Com um estilo de luta bastante ofensivo, estreou no UFC com um nocaute com sequência de socos e cotoveladas em Patrick Williams.

Mas na última aparição, perdeu por decisão dividida para Cody Stamann (que já faturou uma vaga no Top 15 após vencer Bryan Caraway). Ainda assim, garantiu um combate bastante movimentado.

O adversário, o americano Terrion Ware (17-7, 0-2 UFC), é total azarão e se não cumprir o papel de servir de escada, vai ser um balde de água fria nas pretensões na organização. Foram duas lutas no UFC e duas derrotas, também para Stamann e o igualmente promissor Sean O’Malley.

Apesar do apelido de Flash, Ware não é tão rápido assim. É mediano em todas as áreas, tendo como especialidade a trocação. Sabe cadenciar bem para apressar o passo quando tiver chance. Conta com seis vitórias por nocaute, oito por decisão e três por finalização.

Apesar de rodado, com passagens por eventos como o próprio BAMMA, o King of the Cage, RFA e ACB, já perdeu para nomes como Joe Soto, Luke Sanders e Leandro Higo. A maior vitória foi sobre Jared Papazian, quando se tornou campeão do California Xtreme Fighting (?!).

O francês Duquesnoy vai vir para dar show. Oriundo do sambo, tem golpes plásticos e bate pesado, contando com oito das 15 vitórias assim por nocaute, além de quatro por finalização. Sob a tutela de Greg Jackson, tem aperfeiçoado cada vez mais o wrestling e o jiu-jítsu.

Apesar de ter melhorado na parte defensiva, o estilo agressivo do Fire Kid abre muitas brechas, algo que pode ser explorado por Terrion, que deve fazer uma luta estratégica, já que está com a corda no pescoço.

Aquele combate perigoso que pode alimentar falsas expectativas ou acabar de vez com o hype de um garoto talentoso, mas com muito chão pela frente.

Na rabeira do ranking

Muito se fala sobre como está disputada a categoria dos meio médios, mas poucos se lembram de citar Leon Edwards (14-3, 6-2 UFC) no bolo dos grandes. Com quatro vitórias em seguida, ele precisa vencer Peter Sobotta (17-5-1, 4-4 UFC) se quiser se manter no Top 15 (ele está exatamente em 15º).

Curiosamente, a última derrota do jamaicano radicado na Inglaterra foi para outro que vence muito, mas tem pouca moral: Kamaru Usman. De lá pra cá, enfileirou Dominic Waters, Albert Tumenov, Vicente Luque e Bryan Barberena.

Já o polonês radicado na Alemanha, Sobotta só perdeu nesta segunda passagem no UFC (antes havia perdido três e foi demitido entre 2009 e 2010) para Kyle Noke. Vem de boas vitórias sobre Nicolas Dalby e Ben Saunders.

Apesar de ter começado a treinar kung fu e taekwondo desde pequeno, se especializou mesmo no jiu-jítsu sob comando de Dean Lister, de quem recebeu a faixa preta. Tanto que 10 das 17 vitórias foram por finalização (a maioria com mata-leão ou chave de braço).

Mas Edwards, ex-campeão dos meio médios do BAMMA, é completo, ainda que o jogo de chão seja inferior ao do adversário. É muito atlético e com qualidade no kickboxing, sabendo dosar bem o gás para aumentar o ritmo no round final se assim for preciso.

Como Sobotta não é o combalido Seth Baczynski, que foi nocauteado pelo Rocky em oito segundos, é bem provável que tenhamos um duelo animado, com momentos de trocação e tentativas de quedas por parte do polonês/alemão.

Se Leon vencer, será que podemos considerar Cláudio “Hannibal” Silva, que o venceu numa decisão bizarra lá em 2014 e nunca mais apareceu pra lutar, um Top da categoria? Tá, o ranking é zoado, mas nem tanto.

Card completo

Fabrício Werdum x Alexander Volkov
Jimi Manuwa x Jan Błachowicz
Tom Duquesnoy x Terrion Ware
Leon Edwards x Peter Sobotta
John Phillips x Charles Byrd
Danny Roberts x Oliver Enkamp
Jack Marshman x Brad Scott
Danny Henry x Hakeem Dawodu
Paul Craig x Magomed Ankalaev
Mark Godbeer x Dmitriy Sosnovskiy
Nad Narimani x Nasrat Haqparast
Kajan Johnson x Stevie Ray

Vale assistir

Muito se tentou para que a despedida de Michael Bisping do MMA ocorresse neste card. Mas o próprio ex-campeão dos médios parece estar botando empecilhos (pra variar!) e as revanches contra Vitor Belfort e Rashad Evans (argh!), que foram especuladas, não vingaram.

Ao invés disso, a organização conseguiu uma luta decente para encabeçar o evento. Werdum x Volkov é, de fato, um duelo equilibrado e pode definir o próximo desafiante ao títulos dos pesados.

Mas pára por aí! Eu já estava sentindo falta de não recomendar um evento sem medo de ser feliz, pois o restante do card está pavoroso. O pior de 2018 até agora, salvando Belém desse status ingrato.

Fazendo uma força, Edwards x Sobotta pode ser divertida e, quem sabe, Johnson x Ray, vale alguma atenção.

Tom Duquesnoy é um jovem promissor, mas ainda não tem força para atrair audiência sozinho. Até a revanche sem sentido do co-evento principal nos remete àquela luta sem graça lá que antecedeu o main event Napão x Cro Cop II em pleno 2015!!!

Mesmo começando de tarde, o sábado pode ser tão produtivo, mesmo que a noite esteja reservada para festas ou chamego. Quer saber? Faz um churrasco com amigos, sem a preocupação de ficar conferindo resultados na TV.

Se quiser de alguma forma entrar no clima do evento, pode zoar com a turma para ver quem consegue pronunciar Nasrat Haqparast, Dmitriy Sosnovskiy e Hakeem Dawodu!

Mas se não tiver com disposição nem para isso, reserva para tirar o atraso dos fazeres domésticos. Com certeza a semana deixou muita bagunça pela casa e louça acumulada para lavar.

Pelo menos a Inglaterra proporciona a você muita música de altíssimo nível para empolgar esses pequenos momentos!

Desculpa Werdum. Venceu a playlist no Spotify com The Beatles, Iron Maiden, Rolling Stones, Black Sabbath, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Queen, Dire Straits, Pink Floyd, Whitesnake, Oasis, Arctic Monkeys, Def Leppard, Fleetwood Mac, por aí vai…

  • Markenzie Dern

    Vai cavalo vai atropelar esse russo ae, já era pra estar disputando cinturão. evento tá ruim mesmo

  • Sergio Araujo

    E o filme da semana? Adaptação de vídeo game é foda. Mas eh com Alicia Vikander, então….

    Ver o filme na sexta(que é mais barato) e ufc no sábado. Pq evento ruim é bom pra krlho hehe

    • Thiago Sampaio

      Ainda não vi o novo “Tomb Raider”, mas pelo o que li, estão dizendo que está divertido. Mas se gostar de drama, “Projeto Flórida” é uma ótima pedida. Esta semana também estreia “12 Heróis”…

  • Mauricio

    Não achei a vitória do Hannibal esse garfo todo, ele ficou um round inteiro montado batendo e um foi bem apertado.

    Nota; O Cláudio não contava com patrocínios e logo após essa luta aí, em camp, quebrou o tornozelo, depois fraturou o mesmo e acabou indo dar aulas de Bjj no kuait

    • Thiago Sampaio

      A luta foi apertada, sim. Mas o Hannibal é um bom lutador que por causa dessa série de problemas, teve a carreira prejudicada. Era um nome para fazer volume no UFC, permear nos card no Brasil, mas nem isso teve chance.

  • Paulo Zanchet

    Gostei do horário. Ultimamente tenho assistido às lutas no repeteco de domingo, porque esse negócio de ficar até 2-3 da madruga, pra quem tem crianças pequenas em casa, é complicado, depois não consigo compensar as horas perdidas.

    • Thiago Sampaio

      Provavelmente a maioria cairia no sono ainda no card preliminar se entrasse madrugada a dentro. Mas pela tarde, até rola sintonizar sem compromisso.

      • Paulo Zanchet

        Exato.

  • William Oliveira

    Card interessante, como a maioria dos cards europeus tem algumas pérolas que brilham aos olhos, to bem animado pra este e talvez seja pela semana de MMA fraca de MMA que foi essa última.
    Dmitriy Sosnovskiy, Magomed Ankalaev e Hakeem Dawodu são nomes bem legais pra se dar uma olhada.

  • Vinicius Maia

    Jack Marshman x Brad Scott caiu.

    • Thiago Sampaio

      Uma pena…pois era uma das “menos ruins” do card preliminar.

  • Cleo Lima

    Excelente playlist! Emenda um Judas aí e passa a régua!

    • Thiago Sampaio

      Sim, Judas Priest é muito bom. Breaking the Law!

  • Gilmar Nascimento de Souza

    Só corrigindo Thiago, o Werdum está 11-4 no UFC. As outras derrotas na carreira dele foram para o 49 e pro Minota no Pride, e pro Overeem no Strikeforce. Acho que você tá conspirando com o Renato pra lascar com o André rsrsrsrs No papel, a melhor coisa a se fazer é ver os highlights do evento uma outra hora, mas como esse ano dos cards em que menos esperamos, é que estão vindo as melhores lutas, então vale a pena fazer aqueles petiscos, comprar uma cervejinha gelada, e torcer para que o evento nos surpreenda rssrs Abração

    • Thiago Sampaio

      Verdade, a luta contra o James Zikic foi empate! Pode ser que o card surpreenda, contanto que guarde a cerveja para o UFC 223.

      • Gilmar Nascimento de Souza

        Fiz isso e me dei bem kkkkkkkkk

  • Lorenzo Fertitta

    Esse evento estava fácil saber que o polegar ficaria para baixo, o que eu quero saber mesmo é da opinião do Thiago sobre o UFC 223, que teremos Khabib X Ferguson de um lado e Lobov X Caceres de outro heheheh

  • Gabriel Almeida

    Atrasado, porém, só queria deixar registrado que Thiago citando Arctic é sensacional, além das outras, é claro.

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