Pensando Alto: a análise
informal do UFC Orlando

Lucas Rezende | 25/02/2018 às 02:55

Disney World não é mais o local com maior índice de lesões e quase mortes por metro quadrado da cidade de Orlando, pois o octógono aterrissou mais uma vez na cidade na calorenta Flórida para o UFC on Fox 28.

E se a terra encantada de Waldisney é o lugar mais feliz do mundo, o que se pode dizer do estado de espírito do fã que pagou para assistir um card onde praticamente todos os combates mereciam prêmios por performance?

Cortesia de um elenco que conta com nomes como Jeremy Stephens, Jéssica Andrade, Ilir Latifi, Alan Jouban e até mesmo a personificação da alegria terrena: Sam Alvey.

Acreditam que ainda tem mais? Pois me acompanhem.

Jeremy Stephens vs. Josh Emmett

Conor McGregor está prestes a descobrir who the fuck is that guy.

Após duas vitórias por reviravolta e com teores de crueldade que só alguém como Jeremy Stephens pode alcançar, o rapaz pode estar prestes a ver diante do almejado cinturão dos penas.

Josh Emmett, que a priori parecia uma vítima da própria vitória sobre Ricardo Lamas, ao se pareado com Stephens, deixou a chance áurea lhe passar, ao não encerrar a contenda quando encaixou um contragolpe precioso, no primeiro assalto, ao qual Jeremy só sobreviveu graças a um poder absorção inumano.

Acostumado e até mesmo especializado em dar o troco, a volta do anzol veio com juros e correção monetária no início do assalto seguinte, quando Stephens tentou ao máximo assassinar Emmett, mesmo depois de desacordado.

Um atentado ao qual o grandalhão Dan Miragliotta foi cúmplice, ao demorar bastante para encerrar o massacre.

Jéssica Andrade vs. Tecia Torres

Tecia Torres tentou, utilizou de toda sua técnica e embasamento para conter a fúria de Jéssica Andrade, mas é chegado o momento que não é muito mais o que ser feito quando uma versão feminina do Incrível Hulk decide agarrar e lhe arremessar de lá para cá.

Com o primeiro assalto perdido, Jéssica mostrou outra vez como força bruta em uma divisão carente do atributo pode fazer um enorme diferencial e é preciso contrabalancear com uma quantidade descomunal de técnica e bagagem, para pender a balança para o lado de lá.

Até agora, apenas uma tal de Joanna foi capaz.

Com a vitória, Jéssica alcança uma marca que ninguém pode dizer que não lutou para conquistar: a de mulher mais vitoriosa a pisar no octógono, acumulando nove vitórias.

E com vitórias sobre Cláudia Gadelha e Tecia Torres, fica difícil negá-la uma segunda chance pelo título.

Ilir Latifi vs. Ovince Saint Preux

O camarada Rodrigo Tannuri que me desculpe, mas não há como uma criatura mágica ser vítima de magia negra.

Ilir Latifi compensou a deficiência vertical perante Ovince Saint Preux com potência estarrecedora, sem nem precisar fazer uso da ferramenta que lhe traria a vitória mais tranquila: o wrestling.

Após dois knockdowns, o haitiano que dificilmente escaparia de uma derrota por nocaute técnico, ainda teve o privilégio de ser engasgado até a inconsciência, graças a um pequeno deslize de atenção do árbitro, valorizando a cinematografia da vitória de Latifi, que largou o corpo inerte do oponente feito uma saca de farinha e desafiou Daniel Cormier tão no ato, que deixou o campeão sem respostas.

Tudo bem, DC, eu também ficaria sem palavras.

Brian Kelleher vs. Renan Barão

Quando Renan Barão fez o caminho até o octógono pela décima quarta vez, dançante como de costume, logo de cara gostei de ver seus cabelos intactos, nos 61 kg.

Sobreviveram ao corte de peso sem levar tesourada. Precipitadamente, concluí que a migração para a American Top Team surtiu efeito.

Mas parece que as disparidades se limitaram ao corte de cabelo, pois quando a porta da gaiola se fechou, o mesmo Renan Barão demorado nas respostas e incapaz de reverter situações adversas retornou, permitindo que Brian Kelleher o superasse com certa facilidade após 15 minutos de combate.

Um desfecho inconcebível não muito mais do que quatro anos atrás, quando o brasileiro era considerado nas rodas de bar, quando se discutia o melhor atleta peso por peso, do planeta.

Seria obra das 40 lutas profissionais registradas ou o impacto psicológico das derrotas recentes após tantos anos visto como intocável? Sei que Anderson Silva e José Aldo também traçaram o mesmo percurso e o padrão parece difícil de se refutar.

Menções Honrosas

  • Rani Yahya retomou o octógono apenas 11 dias após o falecimento de sua mamãe e extravasou numa tentativa quase bem-sucedida de remodelar a forma de Russel Doane na de um pretzel humano, utilizando técnicas de jiu-jitsu, e só não obteve sucesso porque o havaiano desistiu antes, no encaixe inescapável de um katagatame, no terceiro round.
  • O polonês Marcin Prachnio tomou uma bordoada no queixo, gostou tanto que saiu em disparada para ganhar outra. O eterno sorridente, Sam Alvey, não hesitou em agradar o colega, e desferiu mais um, de bom grado. O polonês quicou e se pôs de pé enquanto seu sistema ainda se reiniciava. Mais um KO para o ruivo efusivo.
  • Depois da batalha encarniçada entre Alan Jouban e Ben Saunders, a pergunta que recusa a se calar é apenas uma: quantos anos de vida Killa B deixou no octógono, em Orlando? Não apenas pelos repetidos socos e cotoveladas resistidos por Saunders, mas até o derradeiro direto que lhe lançou para as profundezas com os braços erguidos, como quem desce de montanha-russa no Magic Kingdom. Que nocaute.
  • Bruno Coelho

    Admiro o estilo literário do amigo, mas a resenha, enquanto gênero do discurso, pede que o “objeto” resenhado, em algum momento da narrativa, seja descrito. Perguntem para alguém que não viu a luta da Jessica como a peleja terminou… perguntem também como se desenrolaram os dois últimos rounds e vejam se é possível entender alguma coisa da luta a partir da leitura.
    Sugiro que o autor reveja esse modo de escrita, afinal o foco da resenha é (ou deveria ser…) a luta em si, e não joguinhos de palavras.

    PS. E nem menção à joelhada ilegal do Stephens? Tá serto (sic)!

    • Logistica

      exceto que isso não é uma resenha, mas uma análise informal, como consta no título
      pra quem não gosta de joguinhos de palavras, hein?!
      já deu no saco esse estereótipo inteligentão e paladino do sarcasmo ortográfico

    • Rudá Corrêa Viana

      Eu vejo que eh uma análise e não uma descrição então acredito q não tenha necessidade de narrar a luta passo a passo. Qdo eu nao vejo a luta e qro mais detalhes, geralmente no combate se fala como foi o desenrolar da luta passo a passo.

    • Diogo Barbosa
    • RWillians

      Resenha informal e o nome não e a toa. E mais fácil pedir uma analise pós evento também, do que destilar ironia. A resenha foi postada em torno de 2 horas após o evento, nao é uma analise, mas sim um breve resumo.

      • Bruno Coelho

        Breve, mas tão breve que nem dá pra saber como a maioria das lutas terminou. Faz sentido escrever uma resenha/análise de um jogo de futebol sem dizer como terminou o placar? Obviamente não! Alem disso, todo texto que versa sobre um evento faz um resumo, breve ou não, de como os fatos de dito evento se desenrolaram.
        Minha crítica foi nesse sentido… não quis ofender ninguém, só quero que melhorem algo que não está bom. Mas se são tão sensíveis às críticas, é melhorar eu fechar meu caneco e não dizer mais nada.

        • William Oliveira

          Pra saber os resultados tem o tópico do evento ali do lado, resenhas não precisam ser tão descritivas se assim o autor desejar, a pegada mais ensaísta não tem problema algum, análises informativas é o que mais tem por aí.

        • Bodhisattva
        • RWillians

          Cara, eu entendi sua critica, mas eu entendo q essa resenha normalmente é feita pra quem acabou de acompanhar o evento. Tanto q TB falei q sinto falta de uma análise pós evento mais completa. Justamente para criar essas discussões tipo da joelhada.

    • Dan Mendes

      Concordo. Por isso que quando vejo que não é o Renato, até desanimo.

    • William Oliveira

      Joelhada ilegal que não conecta e nem interfere no andamento da luta? Desnecessário mencionar.

    • Lucas Rezende

      Fale, Bruno! Agradeço sua crítica e não me ofendi de maneira alguma. No entanto, tento levar o texto de maneira mais informal, como o título sugere, e tenho como diretriz escapar de fazer uma descrição passo-a-passo do combate, pois existem sites que fazem isso melhor que eu e existe o nosso fórum, também.

      Portanto, fazendo uso de que se trata de uma análise infornal, me concentro não muito no decorrer, pois a maioria já sabe como os lutas se transcorreram, mas nos possíveis desdobramentos e outros detalhes.

      Sinto muito que meu estilo não seja o seu favorito, mas aqui no Sexto Round temos mais de uma dezena de escritores, cada um expressando suas ideias à sua maneira, com os leitores também participando livremente, creio que essa é a beleza do site!

      Abração!

      • Vinicius Lima

        Enquanto o povo fica nessa discussão sobre o estilo da análise que sempre seguiu essa linha e a maioria adora , eu ouvi um radar tutututu com essa frase “O camarada Rodrigo Tannuri que me desculpe, mas não há como uma criatura mágica ser vítima de magia negra” abração rezende kkkkk

    • Bodhisattva
      • Paul Kersey

        Esse meme… LOL

    • Bodhisattva
  • Rudá Corrêa Viana

    Como sempre, rezende trazendo a acidez que falta ao MMA. Muto boa a coluna. Nosso amigo vencedor do confere 2017 mitou na luta do barão. Deixou todo mundo no chão.

    • Lucas Rezende

      Por muito pouco não apostei no Kelleher, achei que o Barão não tinha baixado tanto o nível, mas era isso mesmo.

  • Moscoso

    Mais uma vez decepcionado com o Barão,está se tornando um lutador comum…

    • Thiago_NCO

      Barão não tem mais nível de rankeado do UFC…

  • Flavio Rezende

    Marion reneau foi outra que surpreendeu
    Depois de levar um salve no primeiro round ela foi tecnica demais ao aproveitar um vacilo da mcmann e finalizar por baico
    Acho que a tiazona vai finalmente disputar o sonhado cinturão

    • Lucas Rezende

      Foi mesmo, xará de sobrenome!

  • Victor Martins

    Ele estava certo, When he knock people out they don’t fucking move.

    Acho que Stephens poderis lutar com o Aldo agora

  • Malk Suruhito

    * “Deixou o campeão sem respostas…” – Menos Rezende, menos. DC tava com aquela cara de “é sério que ele já quer um TS?”.
    Ps.: Por outro lado, Ozdemir ganhou um TS com a benção do DC pela mesma via, então.
    * O Barão me pareceu melhor fisicamente,mais rápido, só que no primeiro socão que entrou parece que a alma dele foi embora, como se tivesse revivendo as lutas anteriores. Na NU o corte dele era horrível, e não parecia ter uma boa preparação. Agora corrigiu isso, mas parece que tem medo de tomar porrada. Ele tinha que aproveitar o fato de não estar com o cinturão nas costas e só ter a perder para voltar a ser agressivo, em cima ou no chão. Ele tinha que treinar com os Pitbull Brothers, acho que seria ótimo para ele.
    * A Jéssica é uma proeza física, mas enquanto a técnica não se aproximar a equiparação da parte física, ela não vai ser campeã, sinceramente. É como comentei no Twitter, enquanto ela for “PRVT” e não “PRMMA” não vai dar pé.
    * Nunca fui muito de torcer para o Stephens não, mas ontem foi ótimo para corrigir a bizarrice que era o #4 no ranking do Hemmett.

    • Victor Martins

      Foi ironia do Rezende.

      • Malk Suruhito

        Foi emoção mesmo.
        “Empolgou”

        • William Oliveira

          Não, acho q só vc levou a sério msm kk

    • Lucas Rezende

      Foi só uma brincadeira, camarada!

  • Malk Suruhito

    Me disseram que o Ilir Latif está na imagem abaixo, mas não conseguiria apontar com precisão: https://uploads.disquscdn.com/images/732970a97e12e3d8bad900659571cc63d18c3997373735e83ffbe5edbe7e5db7.jpg

  • Nathan Dreak

    Talvez tenha subestimado a Tecia, mas achei que a Jessica venceria com mais facilidade.

    • Paul Kersey

      Eu já via a dificuldade pra Jessica desde o casamento da luta. A Tecia é muito rápida, estratégica, nivelada em todos os campos da luta e um condicionamento raro. Ela só peca pela falta de potência pra faturar uma luta pela via rápida, mas de resto é material pra potencial campeã.

  • Nathan Dreak

    Renan Barao está agora 1-4, e a vitória sobre Phillipe Nover. Favorito em possível eleição das maiores quedas da história do UFC.

    • Paul Kersey

      Mitch Gagnon e Phillipe Nover como vitórias nos últimos 4 anos: no mínimo desolador.

      Façam uma enquete sobre quem decaiu mais:

      Hendricks
      Barão
      BJ Penn
      Gomi
      Lombard
      Pettis
      Maynard

      (podem sugerir mais nomes)

      • Victor Martins

        Lombard não pode entrar nessa lista, porque claramente foi USADA

        Acho que em breve o Condit vai entrar aí, e o Lawler é um sério candidato

        • William Oliveira

          Lawler perdeu pra 2 top 5 e recém ganhou do Cerrone, wtf, patamar diferente.

      • Nathan Dreak

        Boas sugestões. Alguns tem razões mais claras. BJ Penn idade, Lombard Usada, Hendricks gula. Mas não invalida estarem na lista na minha opinião. Colocaria também o Cigano.

  • Baixista Loko

    Se o Árbitro da luta do Stephens fosse o Yamasaki ja tava instaurada outra polêmica.

  • Paul Kersey
  • Mauro

    Cogitaram um cansaço pela quantidade de luta que Barão já fez, e cogitaram um problema psicológico, mas não cogitaram uma usada….
    Pra mim é isso. Usada acabando com Hendricks, Barão, Pettis, Meléndez, e outros.

    Jeremy Stephens, admiro! Uma superação incrível a vida deste cara. É forte até no dia da pesagem e está perto de conquistar uma revanche com Holloway ou Edgar pelo cinturão. Depois de velho, e com usada, podendo ter sua primeira chance de cinta. Parabéns.

    • Vinicius Maia

      As duas lutas contra o TJ e a luta contra o Mitch Gagnon foram antes da USADA. E seu desempenho nessas lutas foram horríveis. Não lembro se a segunda contra o TJ foi mas a primeira e a luta contra o Gagnon eu tenho certeza.
      Não podemos afirmar isso tendo em vista que ele já vinha tendo quedas de performance.

      • Mauro

        Vinícius, então não se pode falar em psicológico Fragil, já que ainda não tinha perdido pro tj e ja teve uma performance baixa.

        • Vinicius Maia

          Eu não acho que seja apenas psicológico. Acho que ele teve uma queda de rendimento mesmo. Claro que a proibição do soro atrapalha e muito quem cortava o que ele cortava e do modo que cortava.
          Se ele usava algo eu não sei e não coloco a mão no fogo mas antes mesmo de vir a USADA ele já teve aquela performance deprimente contra o Gagnon.

          • bedotRJ

            O jogo dele tá muito parecido com o do Thomas Almeida. A pujança está lá, mas ele joga fixo, não finta, não esquiva e engole todos os jabs. Ele cumpriu uma trajetória oposta à do Raphael Assunção, que chegou muito mais cru e unidimensional e hoje se tornou um lutador inteligente e completo. Espero que ainda consiga corrigir os defeitos e evoluir, mas está cada vez mais difícil de acreditar.

        • Malk Suruhito

          Se vc ver a luta e ver o semblante dele mudar e a postura idem após o primeiro socão entrar, sim, podemos sim dizer que é o psicológico.

  • Dênnys Dias

    Jessica Nurmagumedov,senhoras e senhores!

    • Paul Kersey

      Se ela insistir no Wrestling, a bichinha vai ficar sinistra pacarai.

      • Gabriel Quintanilha

        vdd…ela tem um gas bom pra levar esse ritmo e mta força…se investir nas tecnicas mais aprofundadas ela fica o bicho nessa divisão…mais do q esta

  • Victor Martins

    O que acontece é que as vitórias escondem as falhas no jogo dos lutadores, eles acabam caindo no papo da mídia que coloca o cara lá em cima, e se acomodam.
    O resultado tá aí. Hendricks, Barão, Pettis, Condit, Pitbull.

    Mas em alguns casos é realmente um negócio psicológico, no caso do Condit é depressão mesmo, o cara perdeu a vontade de lutar

    • Manu

      Bem na minha humilde visão, Condit é o único cara desses daí que realmente todos sabíamos das fraquezas. O detalhe dele ter se tornado o que foi era por causa do talento, ele sempre foi excelente em todas as áreas, seu grande problema era defensivo. Wrestling e Striking defensivo, que realmente ele não trabalhava bem. Mas ele era tão bom que isso não importava. Agora ele apenas perdeu essa vontade mesmo.

      Já Barão e Pettis para mim sempre foram bons lutadores e só. Foram as maiores vítimas da mídia que endeusavam os caras. O primeiro tinha um cartel mascarado de trocentas lutas invictas em sequência e vencendo lutadores razoáveis que hoje não se criam no top 15. Michael McDonald e Uriah Faber foram os nomes mais relevantes. Só que Michael era um puta lutador de QI baixo e pro Faber, o jogo não casava. Eu vivia falando pra minha família que não tinha confiança no Barão, e eles me chamavam de maluco, que eu gostava de gringo. Pra mim essa decadência era algo q esperava. Já o Pettis, ele era diferenciado. O problema foi que o Peso Leve evoluiu, e ele parou no tempo, dependendo do “golpe sensacional da cartola a qualquer momento”.

      Hendricks ao meu ver pode ter relação com o cerco da USADA.

  • Wadson

    Tive a impressão de ver a Amanda e a Nina torcendo fervorosamente pala Tecia do lado do octógono. E a Amanda com luta marcada com a Raquel. rs

    • Victor Martins

      kkkkkkkkkkkk

  • Tairon de Oliveira

    Será o “who da fook” o próximo a desligar o disjuntor do Aldo?

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