Excesso de camaradagem entre
Medeiros e Cerrone incomodou?

João Vitor Xavier | 21/02/2018 às 20:16

O duelo entre Yancy Medeiros e Donald Cerrone, no UFC Austin do último domingo, foi marcado pelo tom amigável entre os dois.

Medeiros deu um chapéu ao Cowboy na pesagem, os dois se abraçaram antes, durante e depois da luta e o havaiano ainda roubou um beijo da avó do algoz após a luta, quando, adivinhem?, trocaram mais afagos.

Presentinho na pesagem

Nas entrevistas pós-evento, ainda rasgaram seda um para o outro em um espetáculo mezzo curioso, mezzo bizarro.

Muito me chamou a atenção o incômodo de alguns fãs nas redes sociais com o excesso de camaradagem entre as partes. Também senti isso.

Não sou contra amigos lutarem, apesar de pessoalmente não compreender como é possível que os atletas profissionais de MMA consigam separar trocas de golpes traumáticos e amizade.

Inclusive, acho mais assustador um lutador que tem essa capacidade em relação àquele que faz cara de mau e provoca os adversários.

Certa vez, Nick Diaz disse que procurava antagonizar os adversários, pois não era capaz “naturalmente” de ter a “raiva” necessária para lutar.

Passei a entendê-lo melhor depois disso e virei fã pois acho que teria a mesma postura. Antes de nocautear Marcin TyburaDerrick Lewis revelou ter a mesma “estratégia”.

Cerrone está do outro lado deste espectro. O norte-americano luta bem relaxado quando é amigo ou tem boa relação com seus adversários, e não tem boa performance quando está irritado – vide sua luta com Nate Diaz no longínquo UFC 141.

Selinho na avó do rival pós-luta

Confesso que também me incomodou o excesso com o qual os dois trocavam high-fives com a mesma frequência que trocavam socos. Não foi a primeira vez que vimos isso e nem será a última, mas acredito que isso influencia na qualidade do combate.

Não me entendam mal, foi uma excelente luta, cheia de alternativas, com muita qualidade técnica.

Porém, creio que uma pitada de antagonismo deixa as lutas ainda mais frenéticas, além de, neste cenário, haver uma narrativa na qual nos identificamos.

Afinal, se os dois são amigos, por que diabos estão lutando? Não exijo inimizade ou trash talk, mas creio que o excesso de camaradagem incomoda e influi em como nós consumimos o produto.

Além disso tudo, acho que essa camaradagem toda custou o duelo a Medeiros.

Não é de hoje que Cerrone tem revelado seus dilemas e problemas com o mundo das lutas. Ele admite publicamente que sente um medo acima do normal ao entrar no octógono e já foi derrotado na “pilha” por Nate.

Quando Pat Barry quase pediu um autógrafo a Mirko Cro Cop durante a luta

A estratégia para vencê-lo é “simples”: pressão, pressão, pressão. Rafael Dos Anjos e, mais recentemente, Darren Till mostraram bem isso.

Deixá-lo à vontade no octógono é mortal para qualquer ser humano. Mesmo claramente na descendente, Cerrone tem talento e técnica suficientes para vencer bons adversários.

E o havaiano permitiu que ele mostrasse tudo isso ao ajudá-lo a se manter relaxado.

Após o duelo, Medeiros respondeu às críticas e disse que esse era seu jeito e ele não iria mudar por nada. Engraçado que ele nunca havia dado presentes a ninguém, tampouco abraçado adversários no meio de sequências de socos.

Pois seu jeito foi um erro de estratégia mortal, que o ajudou a se manter entre os guardiões dos portões dos tops do meio-médio, ao invés de entrar no salão.

  • Vinicius Menor

    Verdade, tbm nao gosto de toda essa melaçao nos combates … uma coisa é voce ser tranquilo respeitar o adversário e tal .. vide a postura do jacare, lyoto, jose aldo, miocic .. exemplos de caras que respeitam os adversários, mais nada alem disso.. dentro do cage o xicote estrala.. agora essa patifaria de ficar se abraçando, se beijando (romerito rsrs) tira o foco e realmente a peleja vira outra …

    • Gabriel Camargo

      A diferença é que o Romero vem te beijar depois de ter te nocauteado hahaha

      • Diogo Barbosa

        Éle só marca o território kkk

      • Vinicius Menor

        Ave maria … se fosse pra escolher era melhor toma o beijinho antes ja pra entrar pilhado kkkk porq depois de ser brutalizado a última coisa que eu queria ver era o romero vindo na minha reta fazendo biquinho kkkkkkk

  • André Nakahara

    Eu não vejo problema nenhum na camaradagem do Cerrone, inclusive eu o admiro pela postura dele em relação à luta.

    Aliás, o texto já até elucidou o assunto, melhor ele ir lutar dessa forma, bem e sem pressão, do que deixar o trash talk ou a rivalidade influenciar na performance dele. Talvez ele faça isso também pra aliviar uma possível derrota, perder pra um amigo é melhor do que perder pra alguém que ele não goste. Não acho que ele faça isso pra piorar o desempenho do adversário.

    Acho até que é meio desnecessário se incomodar com isso.

    • João Vitor Xavier

      Pro Cerrone tá ótimo, óbvio! O meu incômodo é que isso influi no jeito como percebemos e consumimos o produto. Pro Medeiros, foi um erro fatal…abs!

      • Iago Batista

        “o meu incômodo é que isso influi no jeito como percebemos e consumimos o produto” – chegou ao ponto interessante que acho que vale discutir: a promoção do tipo “this guys hate each other” a todo tempo é uma deseducação ao esporte. Tudo bem cria uma expectativa, um clima de antagonismo, mas no final das contas o que vale são boas lutas. Repetindo o que já postei, são vários exemplos de lutas casadas exclusivamente pela rivalidade que atenderam as expectativas, por somente esse elemento ser atrativo da luta. A rivalidade, provocação devem ser elementos secundários da promoção de lutas, em primeiro plano devem ser exaltadas as qualidades do atletas. E sobre a camaradagem ter “facilitado” a vida do Cerrone, Yancy n teve problemas em botar umas mãozadas pesadas na cara do Cowboy antes de ser nocauteado e se você resgatar melhor na memória, vai lembrar de um Matt Brown nada simpático com o vaqueiro e ainda assim acabou estirado no chão.

  • Ton lima

    Concordo, acho essas atitudes muito estranhas, não cria a menor tensão na luta.
    Respeito é o ideal no MMA, mas isso ai já é demais, preferiria até um trash talk do que ver essa “amizade” toda.
    Nada muda o fato de que mma é um esporte bem violento, essas ações ficam muito esquisitas

  • Renato Trevisan Signori

    Essa melação me incomoda um pouco sim. Mas trash talk me incomoda bem mais.
    Pra mim, o ideal seria toda luta terminar como Machida vs Munoz

    • Paul Kersey

      Machida x Muñoz foi cavalheirismo à la samurai. Muito top.

    • João Vitor Xavier

      Concordo. Mas você via o incômodo de ambas as partes. Não era legal evitar isso?

  • KRS Porlaneff

    JVX, a resposta é bem mais simples do que parece: luta é luta, briga é briga.

    No pouco que competi no muay thai, nos campeonatinhos inter-academias que meu antigo mestre Oswaldo promovia entre nós e os alunos de seus amigos/rivais, aconteceu várias vezes de fazermos torneios de 16 alunos (8 de cada academia) e ter uma semifinal ou mesmo final entre caras da mesma academia. Inclusive 3 dos 5 campeonatos que venci, foram contra os caras que treinavam comigo.

    É mais difícil lutar contra um amigo/companheiro de academia, no sentido de que aquele cara que treina com você conhece seus cacoetes, sabe mais os seus pontos fracos… mas eu sempre interpretei como pura diversão embora nunca entrasse pra perder.

    Cada um tem seu estilo. Eu nunca fui adepto de trash-talk e pra me abalar psicologicamente, era necessário primeiro me abalar fisicamente. Mas isso sou eu falando.

    • Paul Kersey

      “luta é luta, briga é briga.”

      Típica quote “fecha-tópico”. xD #DisseTudo

    • João Vitor Xavier

      Eu não acho bacana lutar com amigos. Vamos a alguns exemplos de como nego ficou mal com isso

      Dudu Dantas x Marcos Loro – os dois não são mais amigos após se enfrentarem;

      Lyoto x Muñoz – Você viu claramente o incômodo do Lyoto depois que nocauteou o Muñoz.

      Eu não acharia legal lutar com um amigo. Concordo que luta é diferente de briga, mas luta também não é que nem outro esporte. Não é uma disputa de habilidades com uma bola. É quem consegue infligir mais dor no adversário.

      • KRS Porlaneff

        Concordo em partes. Eu acho bem bacana quando vejo na pesagem dois atletas, principalmente se ambos forem estreantes, com aquele sorrisão na cara e que não conseguem nem ficar sérios durante a encarada – aquele clima de “porra, a gente vai estrear no UFC, cuzão!“.

        Prefiro esse clima respeitoso e amistoso mil vezes ao invés de clima de rivalidade forçada só pra vender.

        Agora tem o seguinte, ninguém – fora o campeão – é obrigado a “aceitar qualquer luta oferecida”. É feito o contrato da luta e se não rolar assinatura, fica por isso mesmo, certo? Os caras tem que ter um mínimo de cabeça pra entender que cedo ou tarde dois caras que são amigos, ou companheiros de treino ou qualquer coisa do tipo, ambos na mesma categoria, podem se enfrentar. Todo mundo que luta profissionalmente tem mais de 18 anos e o mínimo esperado é que com essa idade haja ao menos um resquício de maturidade pra saber separar as coisas.

        Aí entra o famoso dilema: vou ficar sentado ganhando mixaria enquanto meu amigo está no topo colhendo os louros e quem quer ir além tem que trocar de academia e ainda ser chamado de creonte?

      • Paul Kersey

        Sobre o Dantas e o Loro, sinceramente, é excesso de passionalidade. Se deixaram vencer pelo ego.

  • Rodrigo Tannuri

    Foi tão estranho, que só faltou os lutadores pararem pra perguntas se os golpes tinham machucado kkkkk

    Sobre o Cerrone, não foi sempre esse “paz e amor”. Me lembro que, antigamente, logo que o UFC absorveu o WEC, ele tinha mais sangue nos olhos e se metia até em algumas tretas. Preferia até essa versão do que a boa praça atual.

    • Ítalo Castro

      Na segunda luta dele contra o Jamie Varner, ele estava extremamente pilhado.

    • Carlos Montalvao

      Foi massa Cerrone endemoniado contra Myles Jury usando os Fuck You Kicks

      • Paul Kersey

        Motherfucker Kicks.

  • Mauricio

    Eu, particularmente não conseguia nem golpear amigos em sparring (quando próximos)…

    • GERMAN0

      até tomar o primeiro soco na cara

  • Sergio Araujo

    Excesso de camaradagem não me incomoda nem um pouco. Eles poderia dançar forró depois da luta q pra mim tanto faz. O que me incomoda é lutador subir no ranking e virar campeão na base do Trash Talking, isso sim me incomoda pra caralho!

  • Tadeu Pastorello

    Nada haver isso aí, to interessado em uma boa luta e essa foi um lutão, se são amigos ou inimigos não to nem aí. Acho mais escroto quando os caras se xingam o tempo todo antes da luta, ficam falando mal um do outro e depois ficam se abraçando e se elogiando, falsidade pura pra tentar vender, ou quantos caras que se “odeiam” e a luta sai uma porcaria, amarrada. Ali tinha camaradagem mas a porrada comeu solta, no único momento da luta que se abraçaram o próprio Medeiros explicou que ele escorregou e caiu e queria mostrar que foi isso e não um golpe do Cerrone que levou ele a lona.

    • Baixista Loko

      Ne, só venda msm, quem se odiava msm era Comier e Jones e poucos outros casos.

  • Anderson Tibana

    Eis que surge uma nova entidade no MMA: Cerrone amiguinho! kkkk!

    • Paul Kersey

      Cerrone com Friendship Power não é de hj, cara. hahahaha

      • Anderson Tibana

        Hehe, to ligado brother! Foi só para inserí-lo dentro do panteão mesmo kkk!

    • Vinicius Maia

      Full Camp Mendes, Vitor TRT, Sea Level Cain

      • MWFoschera

        Tem ainda Shogun sunga branca bad boy e Evil Aldo

      • Paul Kersey

        Anthony Johnson Anti-Wrestling. kkkkkk

        Tem tb aquela entidade mais genérica, tipo “fulano no-title-eliminator”.

        Nestes se enquadram Formiga, Bader, Bisping, etc. xD

    • João Vitor Xavier

      Cerrone amigo ou BJ Penn motivado?

      Cigano com a ex ou Sea Level Cain?

      kkkkk

      • Anderson Tibana

        BJ Penn motivado anda meio duvidoso, prefiro o BJ Penn without nutritionist kkkk. Cigano com Vilsana era o terror mas Sea Level Cain não tem pra ninguém! Pena que essas coisas é tipo fusão no Dragon Ball, não acontece sempre kkkkk!

        • João Vitor Xavier

          Mas no único choque entre Cigano com Vilsana e Cain no nível do mar deu o brasileiro kkkkkkkkkkk

          • Anderson Tibana

            Mas o Cain estava lesionado. Pensando bem, acho que o desfecho seria o mesmo, a luta foi bem rápida. É uma pena o Cigano ter separado da Vilsana para casar com a Grade kkkkkk!

  • Pedro Ducce Jr.

    MMA é um esporte
    Isso tem que ser presente pois faz parte do esporte!! Acredito tbm que isso ajude a mudar o preconceito que algumas pessoas ainda têm a respeito do MMA !!! Independente de ser um esporte que tome soco na cara, mas esse tipo de atitude, da minha parte, faz parte da evolução do esporte que tanto gostamos!!!

    • Baixista Loko

      Bom ponto pra glr mais preconceituosinha essa camaradagem ajuda a mostrar o outro lado da coisa.

  • André Guilherme Oliveira

    Quando não tem nas de bom pra se dizer buscam agulha em palheiro pra botar pilha errada nos fãs do esporte.

  • Iago Batista

    bobagem essa reclamação toda. Quantas lutas já vimos que o clima entre os adversários era pura hostilidade e nos “vamos ver” de fato foram bem chatinhas? Várias! No final das contas eu quero ver lutas boas, que os atletas entreguem uma boa performance e um bom espetáculo. Cago e ando se eles são broders de chop ou talarico

    • Baixista Loko

      Tbm achei mais desnecessário que feriado no domingo.

  • Romulo Ferreira

    Como disseram aí, acho desnecessario se incomodar com isso, o que mais vemos é gente se odiando antes da luta, uma camaradagem uma vez não faz mal a ninguem

  • Paul Kersey

    Cerrone com o poder do Friendship é letal. Pra bater ele tem que ser hostil desde o começo.
    Mas relativo a separar as coisas, eu acho que isso é mais uma questão de ego. O lado de trocar porradas, sopapos e ferimentos não deve ser confundido com raiva, ódio ou qualquer outro sentimento negativo. Pode servir de combustível, mas é algo que tb pode gerar uma sobrecarga. Por isso que Cerrone tem belas performances quando rola essa descontração.
    Sinceramente, acho legal vc lutar contra alguém que é seu amigo. Não é somente trocar porrada. É um aprendizado. Na verdade, um autoaprendizado. Da mesma forma que se agradece a um companheiro de sparring pq sem ele não seria possível aprender a lutar de fato, o mesmo deveria ser em combates oficiais. No final, todos são caras que estão tentando trazer comida a mesa e, curiosamente, é o seu oponente que te possibilita realizar seu ganha-pão.

  • guilherme champz

    É legal ver os caras lutando mesmo sendo amigos pela imagem que o esporte quer passar. Mesmo assim é muito mais empolgante ver os caras lutarem quando se odeiam. Prova disso é ver o quanto vendeu Aldo vs McGregor, Jones vs DC etc. A luta fica muito mais interessante. Vc quer a todo custo ver o desfecho, pois a vitória ou derrota ficam muito maiores nesse contexto. A luta ganha uma importância maior. Quem não empolgou pra ver Sonnen vs Silva II atire a primeira pedra kkkk

  • Felipe de Luca

    A camaradagem é possível pelo simples fato do MMA ser um ESPORTE. Não é necessário antagonizar seus parceiros de treino para ter bom rendimento, por exemplo. Um clima desse é bastante prejudicial, inclusive. Em competição o que está sendo posto em prática é a técnica, a tática e ponto.

    Inclusive essa visão do MMA é extremamente prejudicial a imagem do esporte e é uma das grandes barreiras que o MMA enfrentou e ainda enfrenta no seu processo de popularização.

    No entanto isso não significa que os lutadores tenham que ficar se cumprimentando durante a luta. Isso parece uma forma de mostrar a insegurança dos lutadores ao não saber separar o esporte da agressão gratuita. Algo como “desculpa por ter quebrado seu nariz. Continuamos amigos, tá?”

    Medeiros errou na estratégia, mas a camaradagem antes e depois da luta é sinal de maturidade.

    • Lee

      Cara, a camaradagem é possível porquê? Essa deve ter sido uma da poucas lutas que envolveu essa questão, de amigo x amigo. 90% ou mais simplesmente se negam e nao lutam justamente pra nao criar esse clima bizarro e constrangedor até.

      Eles lutaram para honrar os fãs, o esporte ou pra ganhar dinheiro? A luta nao valia nada!

      Em relação a popularização, tu tem algum dado pra comprovar isso que escreveu? 10 Conors nesse esporte elevaria ele a uma potência. Muito mais do que 10 amiguinhos com pouco status dando abraços e beijos….é o que eu acho.

      Pra finalizar, a popularização sempre vai ser nesse nicho de jovens, adultos, maior parte homens…MMA nunca terá um nicho gigante, com famílias, crianças nas arenas ou coisas do tipo.

      O que precisa é renovar com lutadores carismáticos, só assim pra se manter na crista. A Organização é ótima, mas os famosos estao ficando velhos demais e isso afasta gente que nao liga muito pra qualquer luta meia boca de desconhecido.

      • Felipe de Luca

        Lee, infelizmente agora não tenho como buscar um estudo ou reportagem sobre a popularização do mma, principalmente nos Estados unidos. Mas se você é um cara que acompanha o MMA há um pouco mais de tempo, vai lembrar que o principal impecilho a autorização do MMA em diversos estados norteamericanos eram a associação à barbárie/violência gratuita. Os Fertita e o DW gastaram muita grana com lobby e com esforços de tranformar a luta num esporte justamente por isso. E a USADA e o endurecimento com o processo de corte de peso são os últimos grandes esforços deles nesse sentido. Mesmo assim, há pouquíssimo tempo atrás NY proibia eventos de mma lá.

        Com relação ao mma ser uma parada de nicho eu discordo também. No Japão famílias inteiras vão assistir seus lutadores favoritos, justamente porque já ultrapassaram essa mentalidade que não separa a arte marcial da agressão gratuita.

    • João Vitor Xavier

      Não acho que antagonizar os adversários é prejudicial para o MMA. Isso não precisa ser externado, pode ser algo de dentro, que o lutador leve lá para dentro. Essa questão do MMA ser um esporte eu concordo, mas vamos combinar também que dar socos na cara, quebrar braços e estrangular é bem diferente do que dar dribles com uma bola ou raquetadas na paralela.

      • Felipe de Luca

        É prejucial ao esporte, mas favorável ao entretenimento. Aí depende do que você prefere assistir, se o melhor lutador versus o melhor lutador, ou prefere ver disputas de atividades cênicas.
        É o caminho que o UFC está trilhando com a WME-IMG.

        Particularmente acredito que há espaço pros dois, mas tratando se de um esporte, o show é o tempero não o prato principal.

        Quanto a esporte de contato ser diferente, mais uma vez penso que depende da maturidade da pessoa.

  • William Oliveira

    “Afinal, se os dois são amigos, por que diabos estão lutando?”

    – Porra, aí é foda. Se dois amigos falam que não querem lutar um contra o outro, a galera reclama dizendo que precisam ser “profissionais e fazer o trabalho deles”, aí se lutam tbm há reclamação pq não estão fingindo inimizade? Por favor né..

    “Além disso tudo, acho que essa camaradagem toda custou o duelo a Medeiros.

    A estratégia para vencê-lo é “simples”: pressão, pressão, pressão. ”

    – Isso é mais fácil escrever do que por em prática, a diferença do Medeiros pros 3 que recentemente foram felizes fazendo isso (Till, RDA, Masvidal) é que o Medeiros não tem a técnica necessária, não é que ele não tentou, pois do primeiro instante de luta ele já foi agressivo e inclusive atacou o corpo do Cerrone, que seria uma das suas fraquezas.
    Ele simplesmente n teve a competência, pressão e volume necessários pra encurralar o Cerrone e aplicar uma blitz efetiva, não perdeu por um mindset errado e sim pela falta de técnica na hora de aplicar o seu jogo.

    • Jefferson Rosa

      Concordo plenamente! É um esporte, um trabalho… A gente nem sempre tem a oportunidade de escolher com quem iremos trabalhar

    • João Vitor Xavier

      “””Afinal, se os dois são amigos, por que diabos estão lutando?”

      – Porra, aí é foda. Se dois amigos falam que não querem lutar um contra o outro, a galera reclama dizendo que precisam “ser profissionais e fazer o trabalho deles”, aí se lutam tbm há reclamação pq não estão fingindo inimizade/antagonizando? Por favor né..”

      Entendo a ambiguidade da frase. Entendam, por favor, que este é meu ponto de vista. Pessoalmente, não conseguiria nunca dar socos na cara de um amigo. Por isso me incomoda. E eu sou contra duelos entre amigos a não ser que seja por um título, então me incluo fora dessa parcela que reclama dizendo que precisam “ser profissionais”.

      Abs!

      • William Oliveira

        Saquei, sua visão é pelo menos coerente então, isso devo admitir, ainda que discordemos.

        Abraço!

        • João Vitor Xavier

          É isso! abs

    • José Luiz Cavalcante

      Concordo plenamente

  • Álvaro

    Excelente artigo. Quem é gasparzinho não vai entender

  • João Gabriel Xavier

    Comigo foi o contrario, gostei muito da postura dos dois antes, durante e depois. Eu acho q o Medeiros perdeu por uma estrategia na luta em cima, que a invés de partir pra cima ficou acuado apostando em golpes fortes. A luta foi definida pela qualidade técnica de Cerrone. Mas nesses tempos que Sonnen fez escola e Mcgregor a divulgou igual um revendedor de herbalife, tmbm me senti estranho com a camaradagem dos dois, talvez seja pq só vemos as provocações e quando aparece algo assim causa estranheza

  • Marcelo

    Boa análise. Realmente, é meio estranho o cara ser todo cordial com o outro e no momento seguinte meter a cotovelada na cara. Tipo: Quem tem um amigo desses não precisa de inimigo.

  • I’M THE JUGGERNAUT, BITCH!!!

    não vejo problema nenhum, nessa conta vc esqueceu de por uma coisa, rivalidade, amigos podem ser rivais, um querer superar o outro, para depois tirar sarro em um churrascão, competição apenas, nada a ver esse papo de uma raiva necessária, competi desde criança, e nunca precisei de raiva pra vencer, muitas vezes nem conhecia o cara do outro lado, como ter raiva de um desconhecido? Sempre respeitei e lutei, dando o máximo, perder ou vencer dependia muito mais da performance.

  • Lucas Toledo

    Quisera eu que em todoa os esportes, e não só no MMA, houvesse tamanha camaradagem. Sem garrafada de água, sem briga de torcida. Talvez a maior qualidade dos dois seja essa: entregar um luta boa como foi sem desrespeitar o adversário.
    Cerrone e Medeiros nos enainaram que é perfeitamente possível socar a caravde alguém sem perder o respeito por ele, embora pareça antagônico. Por outro lado, é triste que o ser humano necessite de ver briga, não se contentando com a arte marcial.

  • Rudá Corrêa Viana

    Independente de ter trash talk excessivo ou melação excessiva, eu gosto eh de ver boas lutas. Dane-se se eh o Nate diaz vs McGregor ou cerrone vs Medeiros, ou sonnen vs rashad ou Pezão vs pança louca: se a entrega da luta eh boa, isso eh o que vale.

  • Rudá Corrêa Viana

    Nada contra o JVX, mas acho q essa foi a notícia que mais discordaram do redator. 100%?

    • João Vitor Xavier

      Mano, ótimo que tenha sido assim! Estimular o debate é ótimo, ainda mais no nível que estamos aqui! Perfeito

      • Paul Kersey

        Prof. Xavier, o mais polêmico e divergente dos colunistas. kkkkk

    • KRS Porlaneff

      Respondendo com 3 dias de atraso e nem sei se vai ser lido ou não, mas o texto do Lucas Rezende falando do primeiro evento do RIZIN (aquele quando Fedor venceu o indiano) foi de longe o mais polêmico.

  • Hericly Andrade Monteiro

    Não tenho nada contra. Eles são profissionais da luta, esportistas e não inimigos mortais. Acho pior o que cara falar mal do mano em toda promoção, xingar o cara e depois vir dar a mão depois da luta. Existem casos em outros esporte, Messi vira e mexe enfrenta caras que o respeitam e muitas vezes são leais nas entradas no jogo, levantam o cara quando cai. É coisa do profissionalismo, ele teve que fazer uma falta, isso não quer dizer que ele odeia o jogador do outro time. Acredito que a mesma coisa acontece nesse caso. Eles além de lutadores, são profissionais, são fãs, são amigos muitas vezes. Não é porque ele é meu adversário que eu tenho que entrar pra matar ele.

  • Tairon de Oliveira

    Eu curti.

  • João Vitor Xavier

    Vamos lá, pessoal.

    Não estimulo o trash talk, tampouco a violência fora do octógono. Também não acho que um pouco de antagonismo é prejudicial ao esporte. Como disse em algumas das respostas, o MMA é muito diferente do futebol, do vôlei, do basquete.

    Tratá-los como se fosse a mesma coisa não rola. Eu dei a MINHA visão, de que eu não conseguiria ter uma luta competitiva e agressiva com alguém que eu considerasse amigo. Inclusive, falei no grupo dos Padrinhos que me assustava mais quem tinha essa postura do que aqueles que precisavam projetar um ódio ou vilificar o adversário.

    Por isso, me incomodou o excesso de camaradagem, além de eu considerar que isso atrapalhou o ritmo da luta e desconcentrou o Medeiros. Tivemos um excelente primeiro round, mas o duelo poderia se estender mais

  • João Vitor Xavier

    No mais, agradeço aos amigos pelo nível do debate. Mesmo com discordâncias ferrenhas, todas as colocações foram feitas com respeito. Valeu demais

  • Carlos Montalvao

    Não me incomodou, inclusive achei bem legal, tava na cara que eram bons amigos e profissionais. Mas entendo o Nick Diaz, até pra fazer sparring pegado contra colegas de treino eu tenho que temporariamente odiar o cara que tá na minha frente pra render, ao mesmo tempo que ‘contra’ amigo eu fico mais tranquilo pra soltar a mão e levar, é uma parada complicada, prefiro ficar em cima do muro.

  • Jônatas Rancan de Souza

    Eu já não vejo problema se desde o começo ficaram na camaradagem.

    Agora o que me incomoda e acho nada haver, e tocar o terro no trash talk, simular briga, ai depois que a luta acaba, os caras vâo lá e se abraçam e se beijam, rasgam uma seda fudida para o adversário nas entrevistas.

  • Vinicius Maia

    Tudo que eu ia comentar já comentaram. Portando apesar de discordar do seu pensamento entendo oque você quis dizer. A Ronda mesmo já falou que pra lutar ela tem que ter ódio contra a adversária se não ela não rende.
    Agora com relação a falha na estrategia do Medeiros eu tenho que concordar com o nobre forista William. Pro Medeiros faltou é técnica na luta em pé e não brigar com o Cerone. Masvidal, Lawler e talvez o Till são trocadores bem mais técnicos que ele. Inclusive a luta do Lawler eu marquei pro Cerrone.
    Abraços é bom ver que o debate correu solto com muita educação.

  • Alessandro Santos

    O que mais me incomoda é o de trash Talk entre alguns adversários antes da luta, para, ao final do combate, se abraçarem, beijarem, falarem coisas ao pe do ouvido…
    Isso sim me deixa puto !
    Podem até se beijar “nos bastidores”; mas de frente às câmeras deveriam manter o teatrinho de pé.
    Quando o antagonismo entre caras que “se odiavam desde sempre” perde a credibilidade, faz com que parte desse esporte que curto demais perca a credibilidade.

  • Edu Goes

    Eu tenho certeza de que uma hipotética luta do Carrano contra o Rezende seria assim também, cheia de afagos e socos.

  • Douglas Karpinski

    Não vejo problema, os caras podem ser amigos de boa, Lyoto com o Munhoz foi muito respeitoso também…acho até melhor que o trash talk….

  • Gabriel Quintanilha

    sinceramente concordo com uma parte apenas do texto…

    “o havaiano permitiu que ele mostrasse tudo isso ao ajudá-lo a se manter relaxado”

    realmente…essa camaradagem fez Cerrone ficar de boas ao invez de se sentir pressionado…mesmo tomando varias na cara no inicio da luta…

    mas tem mtas lutas q os caras q odeiam, se provoca e é uma bosta…nessa, mesmo sendo amigos (e profissionais) os caras sairam na porrada…

  • José Luiz Cavalcante

    Foi uma excelente dentro de um evento. A cordialidade não atrapalhou nem influenciou no produto, rivalidade nem sempre é ódio, falta de educação… prefiro um clima como vi… do que o cara falar mal, xingar, desrespeitar e depois dizer que foi só pra vender a luta. Isso é um esporte ou não?

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